Analytics:

sábado, agosto 18, 2007

Sigmund Falou: a Mandioca é Braba!



# Na segunda e terça-feira dessa semana que está acabando aconteceram as Noites Brasil Central Music, que selecionaram grupos e artistas de Goiânia e Brasília para a apreciação ao vivo de compradores de música vindos da Europa e Estados Unidos. Gente como o simpático Jordy, da poderosa Orchard, mega-distribuidora digital de música, sediada em Nova Yorque e que tem em seu cast nomes como Gal Costa, Bloc Party, Curtis Mayfield, Archie Sheep, Coldplay, Death Cab for Cutie, The Donnas, Frank Sinatra, Me'shell N'degeocello e Soundgarden (entre uns 14 mil outros). A gigante dos vídeo-games EA Sports também mandou gente para descobrir possíveis trilhas-sonoras para seus jogos, além de uma meia dúzia de jornalistas europeus tingidos de rosa pelo sol dos trópicos.

# # Na segunda-feira, o Martim Cererê foi tomado pelos baladeiros de plantão, que enxergaram no evento uma ótima desculpa pra encher a cara como se fosse sábado. A abertura ficou por conta da viola silenciosa e contida caipirice-erudita de Roberto Corrêa, que disputou a atenção do mesmo público que se espremeu no fim da noite na previsível e barulhenta catarse coletiva comandada pela também brasiliense Móveis Coloniais de Acaju.

# # # Entre os extremos, o Violins fez um show simples e eficiente para um teatro lotado, logo depois de o Juraildes da Cruz exibir novos arranjos para seus clássicos locais, e provar que sua brejeirice emepebê ainda funciona.

# # # # Nessa mesma noite também se apresentaram a Yglo (que mereceu comentários nada simpáticos de jornalistas paulistanos presentes), o Barfly – que, segundo consta, agradou parte da comitiva estrangeira –, e a Ctrl Z, mas gastei o tempo dessas três apresentações jogando conversa fora com os amigos, no meio do mar de indies desocupados.


# Na terça-feira a festa era só para convidados, aconteceu nas dependências do Bolshoi Pub e começou com o rythm n’ blues clássico e sofisticado do Abluesados, lamentando em azul enquanto a portaria da casa enxergava uma fila quilométrica.

# # Os Sapatos Bicolores, de Brasília, pegaram a pista lotada e uma platéia acesa, mas o som dava sinais claros de má equalização, confundindo guitarras e vocais, situação que acompanhou o resto das apresentações da noite. O espaço para fumantes, a reduzida área externa, não comportava a massa de viciados e permanecia ininterruptamente estufada de gente, mesmo com os shows acontecendo lá dentro.

# # # O Johnny Suxxx e seus Fucking Boys eu não vi por medo de perder meu tão invejado lugar na melhor das mesas ao ar-livre, que reunia uma dúzia de amigos e amigas, fumadores e semi-embriagados. Já o MqN não tomou conhecimento do som ruim e tampouco economizou na altura dos riffs, dos berros esgoelados do Fabrício Nobre e nem na cerveja derramada fartamente no público, nos quarenta minutos mais insolentes da noite.


# # # # Em papo com o Fabrício Nobre pelo msn, na manhã desta última quinta-feira, o vocalista sócio da Monstro Discos deixou escapar que Jordy – o nova-iorquino viciado em stickers da Orchard – se encantou com o selo goiano, além de ter se divertido muito na cidade. Nas entrelinhas desse papo virtual com o empolgado Nobre, dá pra ler uma forte possibilidade de o catálogo da Monstro/Alvo passar a ser distribuído mundialmente pela Orchard. Mais um passo na marcha rumo à dominação mundial.



# Pensado e executado por dois dos melhores músicos da cidade, o guitarrista Front Jr. e o baterista Fred Valle, o projeto The Colagens disponibilizou no Myspace as quatro primeiras peças resultantes da parceria. Sigmund Falou, O Pulso, Colagem Sintética e Mandioca Braba arquitetam uma fantasia jazzy repleta de filigranas psicodélicas, atmosferas etéreas e intenções instrumentais sutilmente venenosas. Na página do Myspace a dupla cita Miles Davis, Jorge Ben, Kraftwerk, e James Brown como influência, mas a mistura ainda vende um Medeski Martin Wood e até um Ed Motta, diluídos no caldo. Clique aqui e confira você mesmo.



# Como você já deve estar sabendo, a mega-visitada página da Trama Virtual deu start ao projeto de downloads remunerados, que continuam gratuitos para os internautas. A Trama, que numa parceria com a Kildare paga às bandas por MP3 baixado, já tem alguns ótimos discos inteiros disponíveis, é só se cadastrar e adquirir, por exemplo, A Amarga Sinfonia do Superstar, o novo do Superguidis.


# No fim de agosto eu e este blog vamos fechar nossas mochilas e desembarcar em Cuiabá, para acompanhar mais uma edição do bombado festival Calango, um dos mais importantes do calendário independente nacional. Quero rever o Móveis Coloniais de Acaju (os últimos shows que vi não foram lá essas coisas), a Maldita, o Debate, a Pública, o grande Macaco Bong e a lendária Patife Band, além de estar curioso para ver as apresentações do Manacá, do Quarto das Cinzas, e do Terminal Guadalupe (não gostei do disco, mas quero ver como é ao vivo). E, por que não ser otimista?, adoraria ser surpreendido pelo Vanguart, que a despeito do grande burburinho de parte da crítica, nunca comoveu de fato esse par de ouvidos que adorna minha cabeça.



# Estou em fase intensa de audição de dois lançamentos saídos do forno há pouco: o Daqui pro Futuro do grande Patu Fu, e o Libertad, segundo disco do Velvet Revolver, o super-grupo do Slash. Daqui pro Futuro, já deu pra sentir, revela o lado mais triste do Pato Fu, mas com o mesmo brilho pop de sempre. Não ultrapassa a genialidade do anterior Toda Cura Para Todo Mal, mas tem me dado momentos divertidos, isolado do resto do mundo pelos fones de ouvido.

# # Libertad é menos duro, menos sisudo e bem mais relaxado que a estréia do Velvet Revolver. Se em Contraband o V.V. emoldurava suas músicas em paredes de guitarra, criando uma densidade sensorial que remetia aos tempos mais hard do Guns n’ Roses, em Libertad o super-grupo parece ter mesmo se libertado do estigma de a-banda-dos-ex-Guns (ajudado, é claro, pelo fracasso artístico desse frankenstein que o Axl insiste em chamar pelo nome de sua antiga banda) e apresenta um caleidoscópio rock empolgante, onde a regra é seguir a poderosa guitarra de Slash.

# # # Como disse ali em cima, comecei a ouvi-los dia desses e agora é que estou começando a entendê-los. Mais pra frente boto aqui uma opinião mais elaborada sobre os dois.



Vou ali tentar terminar de ler um livro do John Burdett que não acaba nunca! Prometo tentar não me demorar pra voltar aqui dessa vez. Tchau!

quinta-feira, agosto 09, 2007

Vícios Imorais

Se eu tivesse, se eu tivesse muitos vícios/ O Meu nome, o meu nome era Vinícius
Se esses vícios fossem muito imorais/ O meu nome era Vinícius de Moraes

# O Violins antecipou uma versão caseira de Manobrista de Homens, canção que fará parte do track list de A Redenção dos Porcos, o prometido próximo álbum dos goianos. O registro é somente ao piano e segue na trilha cínica de Grandes Infiéis e Tribunal Surdo. Vai lá no site do Violins e consiga sua opinião.


# Comecei a ouvir dia desses o disco novo do Los Porongas, lançado já há uns meses. Não gosto do primeiro disco dos acreanos (segundo os próprios, uma demo de “luxo”), mas o show do quarteto é impressionante, e a isso devia minha enorme curiosidade. Ainda não tenho uma opinião, hãn, definitiva, mas já deu pra perceber que não agradou em cheio, apesar das muitas ótimas idéias. O mistifório que cozinha as guitarras radioheadianas com sotaque emepebê, até rende umas boas músicas, mas não chega a empolgar como obra fechada. Se o Los Porongas tivessem um show pior do que tem, talvez esse disco soasse melhor. Se é que você me entende.


# Vi Vínícius, o filme, ontem na tevê, e me deixei impressionar de novo pela poesia poderosamente trivial do carioca diplomata e bebedor de uísque. Desde moleque gostava demais de uns discos do Vinícius de Moraes, teve uma época até, ali logo depois dos vinte anos, que eu só comprava discos dele, e nisso acumulei bem uns dez vinis, entre coletâneas póstumas e álbuns de carreira.

# # Tudo na Mais Santa Paz, um samba doído, uma antecipação involuntária da dor, era trilha sonora obrigatória em qualquer reunião de amigos, e Formosa era hino no clube do Bolinha da turma:

Formosa não faz assim/Carinho não é ruim
Mulher que nega, não sabe não/ Tem uma coisa de menos no seu coração
(...)
A gente nasce, a gente cresce, a gente quer amar / Mulher que nega, nega o que não é para negar


# # # Desde aquela época já tinha decretado pra mim mesmo que Vinícius era muito mais foda que o Chico (tá, confesso que também tenho quilos de vinis dele), apesar de a totalidade das senhoras de meia-idade que acham inteligente gostar de Chico Buarque discordar de mim.

# # # # O Vinícius tinha uma verve mais prosaica, instintivamente banal, como se a vida valesse a pena apenas por causa das coisas bobas e da eterna procura do amor ( a mais boba delas), dispensava a aura frugal e espartana que sempre acompanhou o Chico.

# # # # # Enfim, Vinícius sempre foi mais rock que o Chico! Discorda?



# O Bruno Abnner, da Anti Records manda avisar que domingão agora, é agacê:

O convidado desta vez é o Aditive. Banda Paulista que desde 1997 está na estrada, lançando o terceiro CD. De fato é um dos nomes cogitados quando o assunto é HC Melódico.De Goiânia os nomes são: Critical Strike, Duup, Futura, Gap in Evolution, Somma e Slot1. O Local é a Ziggy Box. O dia é domingo, convenhamos, desde que inventaram o tal de domingo rock, os domingos de Goiânia têm sido outros.

Cola lá!



Vou ali.


sexta-feira, agosto 03, 2007

Por isso eu acredito nos riffs...

Bang Bang Babies


# A Bang Bang Babies é a banda escolhida para a segunda edição do Compacto ReC, projeto dos blogs e sites que compõe a rede de comunicação da Fora do Eixo, o coletivo que vem se entranhando na nova música independente brasileira em várias frentes.

# # O BBB gosta de rezar na cartilha do rock de guitarras sujas, jaquetas de couro e alcoolismo inconseqüente, e em Look Out, From My Backyard e Going Down, se revela discípulo de Stooges, MqN e Libertines.

# # # Você, amigo leitor, pode tirar suas próprias conclusões adquirindo também a segunda edição do Compacto ReC, clicando aí embaixo. Boa audição:


LookOut - Bang Bang Babies

From My Backyard - Bang Bang Babies

Going Down - Bang Bang Babies

Foto 1 BBB

Foto 2 BBB



# Para gorar um anunciado segundo semestre promissor em matéria de shows roqueiros internacionais em Goiânia, as Donnas resolveram cancelar sua passagem pela cidade. Alegando receio quanto ao caos aéreo que infla os aeroportos do Brasil e telejornais do planeta com imagens de passageiros dos mais desgostosos com os atrasos, cancelamentos e imprevistos de toda sorte, as mocinhas também devem estar bem assustadas com o absurdo acidente do avião da TAM em Congonhas.

# # Segue o texto do mail enviado pelo Renato Martins, promoter da mini-turnê brasileira das Donnas, ao Fabrício Nobre, produtor do que seria o show delas em Goiânia:

Oi Fabricio

Eu gosto de ser direto e honesto nas coisas que eu faço.

Ontem o manager das Donnas me ligou e pediu encarecidamente que eles não querem tocar antes do show de São Paulo. Ele tem um amigo que mora em Floripa e passou pra ele sobre o caos aéreo que esta rolando no Brasil. (Ele viu as imagens do acidente de Congonhas pela CNN). Eu expliquei que a gente não vai voar por Congonhas, mas mesmo assim ele alegou que não quer que as meninas toquem 1 dia antes de SP.


Ele alegou que o vôo é cansativo e que tem conexão, que pode atrasar etc. A gente saindo de Curitiba pra Goiânia não tem vôo direto e necessariamente tem que trocar de aeronave. Eu não quero de maneira nenhuma agüentar o cara surtando e falando merda pra mim.

Isso me prejudica tb, visto que eu já estava contando com a grana do show de Goiânia. Eu insisti com o cara dizendo que eu precisava desse show pros meus custos, mas ele foi irredutível.

Eu sei que isso pode prejudicar vcs ai, mas melhor agora que não vendeu ingresso ainda do que em cima da hora. Fique ciente que não foi uma decisão minha, e que isso ta me prejudicando tb, mas eu fico a disposição pra repor isso de alguma maneira, ajudando no que eu puder.

Espero que entendam a minha posição.
Abrs
Renato Martins
www.ataquefrontal.com


# Já voa pela internet a tão falada música do Devendra Banhart em parceria com o Rodrigo Amarante, ex(ex?)-Los Hermanos, batizada brejeiramente de Rosa. Não ouvi muitas vezes, mas por enquanto não me pareceu lá grande coisa. Procura você aí, nos P2P da vida, fácil de achar.





A Amarga Sinfonia do Superstar é o nome do segundo disco do Superguidis, que volta à cena com um álbum bem melhor resolvido que seu debut, (apesar das boas canções, o disco pecava pela gravação). Em Amarga Sinfonia... o quarteto teve assessoria de estúdio de Philipe Seabra, e canta suas crônicas nerd – sobrecarregadas daquela urgência descobridora do começo da vida adulta –, em cima de timbres bem escolhidos e riffs inspirados no melhor dos anos noventa.

O conjunto gaúcho se mantém associado a um dos selos mais decentes do país, o Senhor F Discos, e se confirma no pódio dos maiores melodistas indie em atuação no Brasil.

Abrindo o disco, Por Entre as Mãos divaga espontânea, lamentando a efemeridade da vida, enquanto Mais do Que Isso levanta guitarras Pumpkianas para confessar: “Eu quero fazer todo que você faz/ Mais do que isso eu sei que não sou capaz”. A Exclamação, dilapida distorção shoegazer em melodias rasgadas, antes de Parte Boa dançar no diálogo das guitarras e, no jogo com as vozes, recordar os Smiths.

Mais Um Dia de Cão quase explica o porquê de letras tão bobas fazerem tanto sentido, seguida de perto pelo romantismo nonsense de O Cheiro de Óleo, que calmamente se desespera:

Todo mundo cai/ Todo mundo escorrega

E todo mundo sabe que isso é normal/ Menos eu e você

Mas pouco me importa/ Agora eu só quero sentir

Esse teu cheiro de óleo

Ainda Sem Nome garante que “Besteira é coisa séria”, e Os Erros Que Ainda Irei Cometer denuncia uma angústia precoce, consumida no medo de perder o que ainda não se tem e na lembrança daquilo que já se foi. Nunca Vou Saber carrega com guitarras o frágil lirismo adolescente que reclama: “Já sou velho demais/ Mas não tão esperto quanto queria ser/ Aí vem você e confunde tudo ainda mais”. Apenas Leia, explode em simplicidade poética e melódica, e 6 Anos se despede com a comiseração exagerada dos corações sensíveis.


Depois do fim, a ghost track Riffs encerra, de fato, o disco, e numa espécie de resumo, considera: “Por isso eu acredito nos riffs/ Eles me farão mais feliz!”

terça-feira, julho 31, 2007

“Será que eu vou ganhar... ?”

Pablo Capilé divulga o line Up do Calango 2007
.
.
.
.
# No fim de semana que passou, a Fósforo Records comemorou um ano de atividades com uma extensa programação. Do que o blogueiro aqui acompanhou de perto, o que mais chamou a atenção foi a apresentação do Seven, sem baterista (que estava fora da cidade) e acompanhado de um lap top.
.
# # Misturando intensidade lisérgica com blips e tóins, o trio aproveitou o w.o. do baterista para experimentar sem pudores, travando um modesto diálogo entre sons de ontem e as múltiplas possibilidades da tecnologia de hoje. Apesar de alguns (poucos) momentos de minimalismo eletrônico chato, o trio fez a grande apresentação da noite (a festa acontecia desde a tarde).

# # # E antes de seguir o longo caminho de volta para casa, ainda peguei um bom pedaço da apresentação da paranaense Droogies, que se ocupou do tablado para palhetar sua combinação de fúria punk com os trejeitos redundantes do glam-rock.


# E não é que o Violins foi denunciado ao Ministério Público por causa da letra de Grupo de Extermínio de Aberrações, canção das melhores do último disco da banda, Tribunal Surdo? Algum internauta desavisado se prestou ao papel de acusar o conjunto de racista, por conta do que viu em algum site por aí, sem se dar conta da ironia fina e pontiaguda, que só faz sentido mesmo acompanhada da melodia e cantada em um quase-coro.
.
# # Daí pode-se inferir que o pobre-coitado do patrulheiro se encheu de indignação antes mesmo de ouvir ou contextualizar a bela peça. Quanto mais eu penso que vi de tudo nessa internet, aparece um Bonaparte desses para me surpreender digitalmente. Tempos modernos.

# # # Segue a nota do MP, em resposta á denúncia do sujeito:

lmo. Sr.Servimo-nos do presente para acusar o recebimento de sua denúncia abaixo, bem como para informar que a esta foi encaminhada ao Ministério Público Federal, a quem cabe processar eventual prática de crime dessa natureza.Atenciosamente,Raimundo Rodrigues LeiteSecretári da CODIN/PRT da 18ªRegião



# Foi divulgado o line-up do Calango, o festival cuiabano, um dos mais movimentados do segundo semestre independente. A festa acontece a partir do dia trinta e um de agosto e segue por três dias de barulho e distorção. Atenção especial para Patife Band e Macaco Bong, além da candura britânica da Pública e da porra-louquice matemática do Debate.:

Sexta-feira, 31/08/2007
02:00 Supersonicos (Uruguai)
01:30 Fuzzly (MT)
01:00 Debate(SP)
00:30 Maldita(RJ)
00:00 Revoltz (MT)
23:30 The Rockfellers (GO)
23:00 Chilli Mostarda (MT)
22:30 Camundogs(AC)
22:00 Cravo Carbono (PA)
21:30 Cachorro Doido (MT)
21:00 Carolina Diz(MG)
20:30 Jhony Alfredo e seus Neuronios Mongóis (GO)
20:00 High School (MT)
19:30 Seminal (SP)
19:00 Stereovitrola (AP)
.
Sábado, 01/09/2007
02:00 Móveis Coloniais de Acaju (DF)
01:30 Lord Crossroad (MT)
01:00 Pública(RS)
00:30 Macaco Bong (MT)
00:00 Cabaret (RJ)
23:30 Mandala Soul (MT)
23:00 Supergalo (DF)
22:30 The Melt (MT)
22:00 Terminal Guadalupe (PR)
21:30 Manacá (RJ)
21:00 Motormama (SP)
20:30 Big Trip (MT)
20:00 Parkers (MS)
19:30 Unchronics (GO)
19:00 Mr. Jungle(RR)
.
Domingo, 02/09/2007
01:00 Tequila Baby (RS)
00:30 Vanguart(MT)
00:00 Patife Band (PR)
23:30 Montage (CE)
23:00 Boneca Inflável (MT)
22:30 Astronauta Pingüim (RS)
22:00 Daniel Belleza e os Corações em Fúria (SP)
21:30 O Quarto das Cinzas (CE)
21:00 Rhox (MT)
20:30 The Feitos (RJ)
20:00 Dead Smurfs(MG)
19:30 Snorks (MT)
.
# Dia desses, andando pelos corredores de um shopping desses aí, fui positivamente surpreendido pelas rádios farofa da cidade. Não sei que rádio era – ou se foi em mais de uma –, mas num espaço de umas duas horas me peguei ouvindo, primeiro, Ruby do Kaiser Chiefs, This Ain’t the Scene do Fall Out Boy e, por fim, Take Me Out do Franz Ferdinand. Claro que entre uma e outra só se ouviu dance e R&B da pior qualidade, além de um tal de “Será que eu vou ganhar... ?” que não faço a mínima idéia de quem seja, mas deu pra perceber que é hit dos mais chulos e, provavelmente por isso, bombadíssimo no dial das efe-emes.
.
.
.
Vou ali. Volto já.

quinta-feira, julho 26, 2007

Extreme Stoner Nights



# Parece que as chuvas resolveram aparecer bem mais cedo esse ano. Pelo menos as temporãs. Eu, particularmente, gosto muito da chuva e ia me esquivando dos últimos pingos dela, andando calmamente pelas frenéticas ruas do centrão de Goiânia, na manhã cheirosa desta quinta-feira (já reparou como são tipicamente charmosos os perfumes do pão de queijo quente com café fresco? É só ignorar a fumaça do asfalto).

# # Fones plugados nos ouvidos, pulsando alto com o último do Justice – o duo dance francês mais legal desde o Air –, e não é que a realidade tomou aspectos psicodélicos enquanto eu passava por um engarrafamento, no justo momento que começava Let There Be Light, que incrivelmente resolveu dialogar com as buzinas aborrecidas dos carros estancados ao lado, criando uma loucura tamanha nos meus tímpanos e cérebro, que eu devo ter ficado olhando para os lados com cara de besta, tentando entender o que era e o que não era.


O quê é que tinha naquele café que acompanhou meu pão-de-queijo lá no Biscoitos JPereira eu ainda não descobri.


# # # Sei que deixei o engarrafamento pra trás e, no percurso dos próximos quinhentos metros, contei pelo menos umas oito pessoas isoladas do planeta por fones de ouvido, assim como eu. Continuei caminhando e dançando (agora a disco-teen D.A.N.C.E. explodia num coral infantil bem dentro da minha cabeça) e me deu uma baita curiosidade pra saber qual a trilha sonora do isolamento voluntário dessa gente que desfilava os mais diversos estereótipos urbanos naquela mesma manhã ensolarada. Fiquei bem curioso, mas não ia perder meu tempo e dignidade interpelando uma garota gordota e sorridente, pra descobrir que o motivo de tanta felicidade era o último sucesso do César Menotti e Fabiano, ou interromper a caminhada do tiozão grisalho e perceber que, na realidade, o coroa escutava comentários esportivos sobre o PAN na AM, enquanto malhava a pança. Preferi imaginar todo mundo ouvindo Justice e disfarçando o movimento, assim como eu.



# Nessa última semana, desses tempos de velocidade instantânea, desenterrei algumas bandas novas-velhas, que eu já não escutava há uns, vá lá, dois meses. O Gotham, quarto disco da novaiorquina Radio 4, é um dos mais incríveis exemplos de como uma banda pode beber no passado para soar moderninha sem parecer oportunista e/ou débil mental. O rock de estrobo e luz negra do quinteto é cheio de intenções noturnas, elaboradas num cenário de onirismo chapado, auto-destrutivo e muito dançante, perfeito para pistas bêbadas, roqueiros não-ortodoxos e química pesada. A incrível Dance to the Underground está aí embaixo e não me deixa mentir. Play and dance!


# O MqN está completando dez anos de garagem e, para celebrar, embarcou suas guitarras para a Argentina, onde entre um sarro e outro com nossos vizinhos vice-campeões, faz uma pequena série de shows em Buenos Aires e arredores, ao lado da parceira local Satan Dealers e do Los Lótus. E para registrar a data festiva, lançam lá uma coletânea preparada exclusivamente para o público argentino. Na volta, passam por Porto Alegre, onde se acompanham dos compadres do Walverdes e do Sonic Volt para mais uma extreme-stoner-night, antes de retornarem à terrinha.



# Se tudo o que estão falando à boca miúda por aí for verdade, o segundo semestre de shows internacionais em Goiânia vai ser dos melhores. Já confirmadas, dia vinte e quatro de agosto, o garage-punk de arena das californianas The Donnas, e dia quatorze de setembro o Nashville pussy, conjunto dono das peitudas mais roqueiras de todo o Tennessee.


# # Já no campo das especulações, há rumores que dão a entender que o Battles passará por palcos goianienses. Numa entrevista que concederam dia desses ao portal G1, da Globo, garantiram uma visita ao Brasil no fim do ano. Pra Quem tá boiando, o Battles é uma banda que está inserida naquilo que se convencionou chamar de math rock, ou rock matemático, e se você não está familiarizado com o tema, aperte o play aí embaixo e perceba o melodia:


# # # Se você viu a Debate (é, é o nome da banda) em ação no último Goiânia Noise e gostou, deve ter gostado do Battles também. Eu calculo que seria, no mínimo, muito divertido assistir a uma apresentação ao vivo do conjunto.


# # # # E ainda ocorreram boatos sobre umas insinuações misteriosas a respeito de uma possível vinda dos Dt’s, fantástica formação de Washington que combina blues tosco, garage-rock e soul music, mas a coisa parece não ter andado, o que é uma pena.




Por enquanto fico por aqui. Mas eu volto.

terça-feira, julho 24, 2007

Dia Internacional do Rock é o caralho!!

Don't Cry For Me Argentina!


# No último dia 14, a bandaça argentina Vudú se apresentou pela primeira vez em Goiânia. O show foi mesmo dos mais inspirados, cheio de poses e daquela potência guitarreira setentista que nunca envelhece. Começando o espetáculo com recordações do rock rural e lisérgico do Credence Clewater Revival (Born on a Bayou) e da versatilidade exuberante do Led Zeppelin (Moby Dick e Good Times, Bad Times), não tardou muito o quarteto de Rosário perfilou suas próprias preciosidades em pouco mais de uma hora de êxtase etílico.

# # Com o Ziggy Box Club completamente lotado, ali por volta de meia-noite, a local Black Drawing Chalks abriu os trabalhos da noite, numa das mais infelizes apresentações de sua curta carreira. Ainda não ouvi a sério o disco de estréia do quarteto (mais um que repousa paciente na pilha de espera), mas já vi shows que, se não me conquistaram o coração, até que agradaram. Nessa noite em especial a banda não convenceu, e a sensação que mais causava na audiência espremida, era vontade de passar à próxima atração da noite.

# # # A Johnny Suxxx & the Fucking Boys seguiu com o programa, numa apresentação discreta e eficiente, como cabe aos bons coadjuvantes.

# # # # Depois de lembrar Credence e Led Zep, os headliners argentinos ingenuamente comandaram a pré-festa da comemoração do nosso título de campeão da Copa América, com as pepitas de Sueños Elétricos e Picaseso, seus dois últimos álbuns. Empolgados pelo álcool e pela música excelente, este blogueiro aqui, acompanhado de uma dúzia de outros entusiastas repentinos do tema, esgoelávamos impropérios bem humorados para nossos então adversários na final da Copa América, arriscando, aos berros bêbados, um profético placar de três a zero (o jogo seria na tarde do dia seguinte).

# # # # # Depois de desplugadas as guitarras, o banda se recolheu ao camarim, seguida pela equipe do site do Tatoo Rock Fest (que os entrevistaria), e por um pequeno séqüito de curiosos que insistia com o assunto do futebol, e foi devidamente expulso depois que a câmera, enfim, foi ligada.

Da ressaca do dia seguinte eu não falo nada.

# O grupo gaúcho Superguidis finalmente apareceu com seu esperado segundo disco, intitulado curiosamente como A Amarga Sinfonia do Superstar. No Myspace do conjunto, quatro canções constantes do track list do disco estão disponíveis para audição. São elas: Mais Um Dia de Cão, O Cheiro de Óleo, Parte Boa e Mais do Que Isso. As melodias distorcidas, a espontaneidade lírica e o bom humor nerd ainda estão lá, mas dessa vez gravados bem mais decentemente que na estréia, de sonoridade beeeem amadora. A produção dessa Amarga Sinfonia ficou a cargo do Phillipe Seabra, da rediviva Plebe Rude, e chega ao mercado pelo selo mais cool da capital Federal, o Senhor F Discos.

# Dia treze passado, no tal Dia Internacional do Rock, aconteceu em Goiânia, a título de celebração, uma festa que reuniu bandas suspeitas, como a idosa Língua Solta, e a caricatura mal-feita auto-batizada Moni-K, ao lado nomes de respeito, como a Olhodepeixe e a Casa Bizantina. Da Língua Solta não esperava nada diferente, e o set-list cheio de anacronismo e rebeldia tardia, esboçado sobre covers de Pink Floyd e Barão Vermelho, se desenrolou tedioso e sem surpresas.

# # Depois, a Olhodepeixe subiu suas guitarras e se encarregou do barulho. Numa apresentação apenas correta, exibiu suas novas canções à avaliação do público e brindou alguns rostos satisfeitos com outras de Combustível, sua estréia em disco.

# # Na seqüência, a tal da Moni-k se ocupou do palco e expulsou qualquer par de ouvidos minimamente exigente de perto das caixas de som. Não sei precisar o tamanho do equívoco musical que foi a apresentação da senhorita de cabelos revoltos e cara de má, já que me assegurei uma boa distância da tenda, mas deu pra sacar que a coisa foi completamente sem noção.

# # # Pra fechar a noite a Casa Bizantina recolheu para si as atenções do lugar, mas não chegou a empolgar. Com músicas do último disco Estado Natural, misturadas aos discretos clássicos dos dois primeiros discos, a Casa fez um show apenas mediano, e para confirmar a meia-bomba da noite, cometeu uma cover bisonha de Ando Meio Desligado, d’ Os Mutantes.

E como diria, sabiamente, o sempre contraditório Lobão:

Dia Internacional do Rock é o caralho!!


domingo, julho 15, 2007

"Edifícios velhos sendo construídos..."

OAEOZ

# Passando de fato à ação, em bloco, o Compacto Rec - o coletivo dos comunicadores da Fora do Eixo - lança mais um single virtual, dessa vez dos curitibanos do OAEOZ, que oferecem duas pílulas de seu noise psicodélico para degustação dos leitores disso aqui, em fonogramas, intitulados singelamente Impossibilidades e Cittá Piu Bella. O download pode ser iniciado clicando bem aqui.



# # Ouve aí e depois me diz aí o que você achou.

# # # No fim do mês aparece mais um single surpresa aqui na tela do blog. é só ficar atento.


Vou num pé e volto n'outro.
Inté

sexta-feira, julho 13, 2007

Feliz sexta feira 13 Rock!

Fabiano Olinto, da Casa Bizantina

# Final de semana passado aconteceu em Goiânia mais uma edição do Miscelânea, festival que reúne a porção mais pesada (e com cara de mau) da cidade. Fui na sexta feira atrás da segunda, e concorridíssima, apresentação do Mugo, o mais novo grupo de metal que vale a pena, do centro-oeste nacional.

# # O palco foi inaugurado pelo Vodrock, seguido por Deco Nunes (SP), depois Cicuta, e por fim a candanga Disforme, e toda a sua feminina tosquidão hardcore. Quando o Mugo ocupou o tablado do teatro Yguá, a arena ficou lotada pela primeira vez, e entre saudações massivas da molecada, o quarteto mais neo-metaleiro das redondezas comandou a pequena massa centrifugada. Abrindo o set list com o pequeno hit precoce Screams, que lembra de soslaio a ótima e sumida Spineshank, a banda novata fez de sua meia hora no festival, os trinta minutos mais concorridos da noite.

# # # Depois da destruição, o Diego Moraes cumpriu tabela para uma ou duas dúzias de amigos, antes da Voz do Silêncio prestar seu tributo adolescente ao Metallica.

# # # # No sábado se apresentaram Death From Above, Ímpeto, Eternal Devastation, o lendário CFC, a candanga Scumbag, além de Señores, Warlike e Sociofobia.

# Porém, minha noite de sábado já estava reservada para a celebração do aniversário de duas amigas, a Karen Costa e a Grace Carvalho. A Grace é a vocalista poderosa do Pedra 70, e a melhor cantora de samba de Goiânia.

# # Na festa, como não poderia deixar de ser, rolaram umas jams sessions inacreditáveis, protagonizadas por um baterista anônimo, pelos vocalizes derretidos da Grace e pela fábrica de riffs maravilhosos que é o Fridinho, guitarrista da Olhodepeixe. Sempre incrível!

# Por falar em Olhodepeixe, daqui a pouco abandono este teclado em que digito, guardo os controles remotos e isqueiros e rumo em direção a mais um show da Olhodepeixe, que se acompanha da Casa Bizantina para comemorar o dia internacional do Rock. Lá no antigo Caverna, para os interessados.

# A Monstro Discos é a melhor gravadora independente do ano, segundo a apuração dos resultados do Prêmio Toddy. Arrancando o laurel da mão de gravadoras importantes como a Deck Discs e a Trama Virtual, o selo mais bem sucedido da cidade se impõe à força no cenário nacional, e traz para Goiânia ainda mais atenção do povo rock do país.

# # Confere aí a lista completa

MELHOR ÁLBUM ROCK
Matanza - "A arte do insulto" (RJ / Deckdisc)

MELHOR ÁLBUM INDIE ROCK
Gram - "Seu minuto, meu segundo" (SP / Deckdisc)

MELHOR ÁLBUM POP
Arnaldo Antunes - "Qualquer" (SP / Biscoito Fino)

MELHOR ÁLBUM HEAVY METAL
Sepultura - "Dante XXI" (MG / Krako Records)

MELHOR ÁLBUM PUNK / HARDCORE
Dead Fish - "Um Homem Só" (ES / Deckdisc)

MELHOR ÁLBUM MPB
Tom Zé - "Danç-êh-sá" (BA / Yrará Discos)

MELHOR ÁLBUM INSTRUMENTAL
Alex Martinho e Sidney Carvalho - "Intuition" (SP / Independente)

MELHOR ÁLBUM RAP / HIP HOP / BLACK
Racionais MCs - "1000 Trutas 1000 Tretas" (SP / Unimar Music)

MELHOR ÁLBUM MÚSICA ELETRÔNICA
DJ Patife - "Na Estrada" (SP / Trama)

MELHOR ÁLBUM REGGAE / SKA
Tribo de Jah - "The Babylon Inside" (MA / Independente)

DESTAQUE REGIONAL
Monobloco (RJ)

REVELAÇÃO
Acidogroove - "O Anti-Herói" (MG / Independente)

MELHOR ÁLBUM INTERNACIONAL
Arctic Monkeys - "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" (Inglaterra / Trama)

MELHOR SELO / GRAVADORA
Monstro Discos (GO)

MELHOR VEÍCULO ONLINE
TramaVirtual (SP)

MELHOR VEÍCULO IMPRESSO
Roadie Crew (SP)

MELHOR PROGRAMA DE TV
Alto Falante (MG / TV Cultura/Redeminas)

MELHOR PROGRAMA DE RÁDIO
Alto-Falante (MG / Rádio 98FM)

MELHOR CASA DE SHOWS
Hangar 110 (SP)

MELHOR EVENTO
Abril Pro Rock (PE)

PERSONALIDADE
Cansei de Ser Sexy (SP)

# Domingo agora, depois de amanhã, a banda brasiliense OAEOZ lança um single virtual, inaugurando de fato o projeto Compacto ReC (esse aí do banner ao lado). A cada quinze dias a rede que conta com quase quarenta sites espalhados pelo Brasil vai lançar singles das bandas mais representativas dessa nova safra da nossa música. Fique atento.

# Tô indo nessa, mas lembrando que amanhã a argentina Vudú deve ferver o Ziggy Box Club, devidamente acompanhada das locais Black Drawing Chalks e Johnny Suxxx & the Fucking Boys. A Vudú, quem acompanha isso aqui já sabe, é algo como uma versão latina do Black Crowes, com umas borrifadas daquele hard rock oitentista do Van Halen.

# # Eu vou. E você, vai?

segunda-feira, julho 09, 2007

Enquanto isso, em Senador Canedo...

.
.
Diego Moraes não faz folk nem mpb, apesar da voz e do violão, mas até que gosta de uma emepebice ou outra, misturada àquela eterna vontade de ter uma banda de rock.



Ele apareceu nos palcos de Goiânia em 2006, com apenas 21 anos de idade, vindo lá do interior, de Senador Canedo. Quando chegou para esta entrevista – que sai na íntegra na próxima edição da revista Decibélica – seu acanhamento era uma mistura de nervosismo e vontade de contar sua história. Falando muito rápido, me explica qualquer coisa sobre como havia entrado na casa errada que, curiosamente, era de um conhecido. Me pergunta se a entrevista vai demorar muito, apontando para o relógio do computador que marcava quase nove da noite, exclamando desanimado que ainda teria que “viajar” de volta para Senador Canedo, depois de mais um dia de trabalho duro em Goiânia.




Hígor – Existe uma movimentação rock acontecendo em Senador Canedo?

Diego de Moraes – Cinco anos atrás existiam bandas fazendo trabalho autoral lá, mas o pessoal foi desanimando, agora que está voltando. Infelizmente as bandas estão presas no cover. É mais fácil agradar com coisa que todo mundo gosta, Ultraje a Rigor, Engenheiros do Hawaii, agora, se arriscar, colocar a cara a tapa, tocar o que ninguém nunca ouviu...

Hígor – Mas você freqüentava a cena de Goiânia?

Diego Moraes – Aham! Por gostar muito de gibi, comecei a ir na Hocus Pocus [Tradicional loja do underground goianiense]. Uma vez, conversando com o Júnior [proprietário do lugar], conheci o Maurício da Hang [the Superstars] e falei do Joy Division.

Nessa época eu não sabia nada de nada, e tinha lido uma entrevista com o Renato Russo falando do Joy Division, e fiquei curioso para saber daquilo. Aí quando encontrei o Maurício de novo, ele tinha gravado os dois primeiros do Joy Division e me deu de presente uma fita cassete da Hang, que hoje eu guardo na minha estante, quase ninguém tem! Depois, num aniversário da Hocus Pocus, vi a Hang the Superstars tocando e pirei. Pôxa, aquele cara com quem eu tinha conversado no bar, estava tocando ali!

Só que depois parei de ir aos shows, não tinha dinheiro e tal. Assim acabei perdendo o contato com o Maurício. O mais engraçado e que no Decibélica Rock n’ Rum [evento/show da revista em parceria com a Redrum, moda rock] ele estava lá no meio do povo, mas só o vi no final. E eu acho que preparei meu repertório de forma equivocada, coloquei as minhas favoritas no começo, e as piores – pelo menos as que eu estou mais cansado de tocar – no final. E ele viu só o final. Pensei: nó, ele viu o pior!

Depois de muito tempo, os meninos (já tocando comigo) foram visitá-lo e perguntaram se ele tinha visto alguma novidade no rock goiano. E ele: “Não, novidade não vi nenhuma, só vi um moleque doido, gritando com um violão.!” (risos). Lá na frente, o cara foi ver um show meu, e eu fui conversar: Cara, não sei se você se lembra de mim, mas uns cinco anos atrás a gente conversou lá na Hocus Pocus. Daí ele: “Nó! Você não é de Goiânia não né? Tá explicado.” Todo mundo pode criticar, mas se um cara como o Maurício, que eu respeito, disse que achou legal pra mim tá valendo. Pôxa vida, Hang é uma banda foda, no Bananada toquei com uma camiseta deles.

E como foi que Goiânia te “descobriu”?

Diego Moraes – Foi devagarzinho. Depois que eu já estava grilado com as bandas, parando de tocar bateria (fiquei um ano sem tocar nada), já no final da The Cretinos. Então, comecei a tocar lá no pátio do FCHF (Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia da UFG)...

Hígor - Você faz o quê?

Diego Moraes – História, mas não precisa colocar isso não. (risos) É por que complicando minha situação. Quando digo que faço História, dizem: “Ah, explicado!” explicado o quê? O baixista do Vícios da Era é formado em história, o vocalista do Casa Bizantina também, a baixista do Demosonic estuda comigo. O Nars Chaul, compositor de mpb, é historiador, e o vocalista dos Garotos Podres também! No entanto, o que eu faço não tem nada a ver com Vícios da Era, Casa Bizantina, com Demosonic, não tem nada a ver com o que o Nars Chaul faz, e nem com Garotos Podres! O fato de eu cursar História não determina o que eu vou fazer, são momentos diferentes da minha vida, não preciso de referências bibliográficas para compor.

Hígor - Mas voltando, Goiânia...

Diego Moraes – Depois fui tocar no bar do Martim [Cererê, o “templo” do rock goiano]. O Pablo, um amigo meu, trabalhava lá, e me botou pra tocar num show do José Telles, um dos artistas da Maquinaria [selo goianiense]. Toquei, ele gostou e pediu pra tocar mais, e nisso chegou o Brandão [então administrador do Martim Cererê], que depois falou que eu tinha letras boas, mas tinha que desenvolver a harmonia.

No final de agosto [de 2006] inscrevi Todo dia no festival do Sesi, por incentivo do Fernando. Ele até falou que essa música era meio complicada, que eu tinha música melhor pra esse evento. Mas eu acho que exatamente por ser inesperado é que chamou a atenção, não sei. Não fui para ganhar, fui pra encher o saco. Mas o tiro saiu pela culatra, que bom né?

Em novembro fiz minha inscrição pro Tacaboca [TacabocanoCD, festival da capital que premia o vencedor com a gravação de um disco]. Dos R$ 500 que eu tinha ganhado no festival do Sesi, tirei 70 pra fazer uma gravação de 2 horas. Toquei uma hora e meia, o Pafa [proprietário do Loop Studio e baterista do Seven] mixou em meia hora, e era minha demo. Gravei dez músicas, horrível. Mas foi bom por que foi o registro de um momento, voz e violão, sem produção nenhuma.

Quando fui fazer minha inscrição no Tacaboca, o cara perguntou: “Qual o nome da banda” e eu: Não, não é banda não, sou só eu e um violão. Daí o cara: “Aí é complicado, por que só vai ter banda concorrendo... talvez você não fique nem entre os dez que vão concorrer à gravação do cd.”, fiquei grilado: pôxa vida, tô perdendo tempo, vinte reais a inscrição...

Logo em seguida teve o Goiânia Noise, e na sexta feira estava lá com um amigo e perguntei: será que algum dia eu vou tocar num evento da Monstro? Daí ele disse: “Não Diego, se você aparecesse aqui com o violão, ia ser vaiado.” No sábado o João Lucas [um dos chefões da Fósforo Records e vocalista do Johnny Suxxx & Fucking Boys] chegou pra mim e disse: “De todas as inscrições do Tacaboca, a sua foi a mais legal. Se você quiser participar da Fósforo, a gente grava o disco independente do resultado do festival.” E eu: Não, eu quero é tocar. Não me interessa se eu vou ser desclassificado. Toquei dentro do show do Rollin Chamas. Surreal minha vida né? (risos) Por que o vencedor seria a última banda, mas como era só eu e o violão, acharam melhor me colocar pra tocar duas músicas dentro do show do Rollin Chamas.


To be continued...





No próximo post: Miscelânea Rock Festival e Monstro Discos no Prêmio Toddy.


Hasta La Vista!




segunda-feira, julho 02, 2007

Celebration!




# A turma que não gosta e/ou não entende é monstruosamente enorme, mas eu ainda gosto bastante de algumas coisas de rock progressivo, principalmente das velharias nacionais. Acho o Tudo Foi Feito Pelo Sol um dos melhores discos dos Mutantes (melhor, inclusive, que O A e o Z), e amo o último disco da Barca do Sol, intitulado singelamente de Pirata.


# # Do progressivo europeu, mais precisamente da Itália setentista, ressurgiu nos meus players o grandioso e psicodélico Premiata Forneria Marconi, que tanto honra o rock romano. Passei o final de semana debruçado sobre as tramas instrumentais intrincadas, arranjos vocais solenes e atmosferas lisérgicas e do The World Became The World. Até forcei uma barra e vi umas semelhanças distantes com o indie-prog novato do The Decemberists, mas isso é papo pra depois.

# # # Apertando o play aí embaixo, dá pra assitir a um trecho de uma apresentação do Premiata em 74. O nome da sonata é Celebration. Divirta-se (se puder):





*Logo mais eu volto e boto aqui na tela um aperitivo da entrevista que fiz com o Diego Moraes, e que sai na íntegra na próxima edição da revista Decibélica. Combinado?

quinta-feira, junho 28, 2007

"I Did It!"




# Notícia bem estranha circulando na internet. É um papo esquisitíssimo sobre uma possível volta do... Led Zeppelin (!)!! Segundo o boato, Plant, Page e Jones se reuniriam com Jason Bonham, o filho de John Bonham, e partiriam para uma turnê iniciada com um show em homenagem ao fundador da Atlantic Records, o defunto Ahmet Ertegun.

# # Tudo bem que estamos no “ano da volta” e que o Asia, o Genesis, o Jesus & Mary Chain, o Police, o Rage Against the Machine, o Slint e até os Mutantes (tá, foi ano passado), o Spinal Tap e as Spice Girls (?) retornaram às atividades, mas será mesmo que as tias velhas se juntam de novo?

Eu ainda não acredito, por assim dizer, mas bem que torço. Gostaria bastante de ver How Many More Times, Dazed and Confused e No Quarter num show do... Led Zep(!). Só não sei se o herdeiro do Bonham original seria a melhor escolha para o cargo de baterista, hã, substituto. Assim de cabeça, de sopetão, consigo pensar numa meia dúzia de nomes mais bem cotados, lista essa encabeçada pelo Dave Grohl.

# # # Mas nem vou começar a opinar, a cara de alarme falso é grande demais.
.
# # # # Tomara que eu esteja errado.


# O dj Guga de Castro, domingo lá na Farra na Casa Alheia, me deu uma compilação chamada Ceará Sound Fashion, que reúne duas dezenas de bandas e músicos de Fortaleza e do interior, numa amostra do saudável caleidoscópio musical que é o estado. Já já boto alguma coisa aqui sobre o disco, que, pra adiantar, tem coisas legais como Fóssil e Cidadão Instigado.



Vou ali assistir Heroes.
Té,

terça-feira, junho 26, 2007

Goiânia é assim:


# O Violins disponibilizou mais uma música (em versão demo) de A Redenção dos Porcos, prometido sucessor de Tribunal Surdo. A canção, gravada só com voz e violão, atende por Guerra Santa e, como auto-anuncia, trata de temas religiosos com aquele conhecido sarcasmo, elegante e mordaz:

Quanta concorrência por um nome
Tantos porta-vozes sob véus, em conflito por um deus
Em conflitos que não honram o seu nome

# # Ouça você também, clicando aqui, e depois me diga o que achou.


# # # Por falar em Violins, já viu a versão que a curitibana Terminal Guadalupe fez para Grupo de Extermínio de Aberrações, uma das mais fodonas do Tribunal Surdo?




# Domingão passado foi dia de Farra na Casa Alheia. A festa cearense, capitaneada pelo dj Guga de Castro, aterrissou em Goiânia numa bela noitada, que deixou nosso colega nordestino pra lá de impressionado com a quantidade de belas senhoritas se acabando na pista de dança.

# # Depois do comando sônico do Fabrício Nobre e do amigo aqui, nos cd-js, os residentes do Criolina (festão da segunda feira candanga) Lucho e Barata se ocuparam dos rebolados, e convidaram o dj Guga de Castro para entrar na roda. A pista comandada a seis mãos e repleta dos mais belos espécimes femininos da cidade estava mesmo de comover “estrangeiros”, se é que você me entende.

# # # Depois de tudo, o Guga ainda se deixou impressionar também pela típica gastronomia fast goianiense, num desses pit-dogs de toda madrugada.
.
# # # # É, Goiânia é assim...
.

domingo, junho 24, 2007

Sonhando Acordado



# Estava ali assistindo um devedê do Silverchair, da turnê do Diorama, aquela obra-prima. Young Modern, o disco novo, é dos melhores também, mas não passou nem perto de superar a lista de canções incrivelmente maravilhosas que compõe o track list do Diorama. E não consigo entender o discurso de quem prefere a banda no começo, naquela época do Frogstomp, quando sonhavam morar em Seatle e usar camisas de flanela xadrex...


# Passei aqui meio rápido, só pra te convidar (você, amigo leitor que está em Goiânia) pra dar uma chegadinha lá no Bolshoi Pub daqui a pouco, pra participar da Farra na Casa Alheia, festaça do dj Guga de Castro, importada lá de Fortaleza, e que desembarca na cidade turbinada pelos dj sets caprichados dos amigos Barata e Lucho (djs residentes da Criolina, festa semanal brasiliense) além do Fabrício Nobre (Monstro Discos/MqN) e deste amigo aqui, que vos digita estas palavras.

# # A Farra começa ali pelas oito da noite (garotas não pagam até as dez) e mergulha noite adentro debaixo dos melhores sons do ocidente. Te espero lá?



# Nunca fui fã de blues – apesar de pinçar uma coisa aqui e outra ali, dos mestres, é claro –, mas respeitava o The Not Yet Blues Band pela honestidade musical e entrega dos ótimos músicos. Acontece que, vai entender por que, o trio parece ter apelado feio e kikou justamente a tal da reverenciada honestidade pro alto, apareceu enxuto (sem aquela tonelada de solos tediosos), popíssimo e com uma roupagem emo (!!) pra lá de tardia.

# # Dá até pra enxergar a mesma fórmula furada que o Gustavo Drummond aplicou impiedosamente no seu Udora, que com dois maravilhosos discos gravados, deu as costas para os fãs e “renasceu” na estética pasteurizada da geração Malhação. A mesma coisa parece estar acontecendo com o TNYFBB (que agora atende singelamente por TNY)... tirando a parte do “dois maravilhosos discos gravados”.

# # # Quer conferir você mesmo? Vai lá.



# A mais nova banda boa de Goiânia atende pela alcunha misteriosa de Mugo, e é pura explosão neo-metaleira. O grupo, que tem como guitarrista o Léo Alcanfor, ex-Violins, disponibilizou três coágulos sonoros brutais na grande rede e também toca hoje lá no palco do Ziggy Box Club.

# # Screams, Dreamin Awake e Insane Path são os nomes das “canções”, que exalam ódio e bestialidade contemporânea como poucas conseguem. Escute aqui, e depois me diga o que achou.




Vou ali botar uns rocks pro povo dançar e já volto.



quinta-feira, junho 21, 2007

Blues Is the Teacher, Punk Is the Preacher!

Lisa Kekaula e seu Bellrays: a hora e meia mais concorrida do festival
Fotos deste post: Porão do Rock


No começo do mês o Porão do Rock, festival dos mais saudáveis do novo rock brasileiro, tomou de assalto os holofotes do nosso circuito independente. Com atrações do porte do Bellrays, Sepultura e Mudhoney – além de alguns dos filhos mais interessantes dessa efervescência musical toda, como Macaco Bong e Superguidis –, comemorou seus primeiros dez anos de existência tirando onda de gente grande. Vem comigo que eu te conto:


We Feel Like A Bullet



Debaixo do emaranhado de barras de ferro que davam sustentação à enorme estrutura situada entre os dois palcos e que, piso acima, abrigava a área vip da décima edição do Porão do Rock, uma dúzia de pessoas falavam alto, empolgadas pela cerveja e por papos que tentavam investigar os caminhos do rock independente nacional. Procuravam descobrir, entre um gole e outro, como as coisas vão estar daqui alguns poucos anos. O Ulisses Xavier, da produção do festival e vocalista da Plástika distribuía cartõezinhos Coolnex, que continham uma raspadinha que dava direito à downloads gratuitos, tanto da Plástika quanto de bandas do line-up do festival.

Lá em cima na área vip – games de guitarra, bar bombado e arquibancadas nas laterais dos palcos –, a fauna esquisita do pop nacional desfilava orgulhosa. Do lado de lá, milhares de humanos fantasiados percorriam incansáveis o asfalto frio do estacionamento do estádio Mané Garrincha, indo dos palcos para a praça de alimentação e chegando, por fim, na tenda, que exibia uma escalação com DJs de todos os tipos: quase tudo escapava das caixas de som, de Slayer à Amy Winehouse, sem constrangimentos.

Nos palcos, uma penca de bandas já havia se apresentado, começando pelo punk operário e comunista dos Garotos Podres, seguidos pelo Allface. Perdi o Linha de Frente, banda local de hardcore Vegan (aqueles radicais do No flesh, No Drugs...) malvadão, que tocou antes do Galinha Preta (um dos melhores shows do último Bananada) e dos Mechanics.




Dance of Days: Bizarrice emo


O Dance of Days é uma piada bizarra pra lá de longeva, deve-se admitir, e como era de se esperar, a molecada comprou satisfeita a exibição de Nenê Altro e companhia. Após o show, adolescentes maquiados disputavam poses ao lado do, err, “ídolo”, diante dos flashes dos amigos.

Depois de uma visita à barraca da pizza e uma esticada no quiosque da pepsi (!), fui espiar os argentinos do Satan Dealers, que são bem melhores do que os portugueses incensados do Born a Lion, que ocupariam o palco daí a pouco. O Satan Dealers já dividiu um vinilzinho colorido de 7” com o MqN, intitulado We Feel Like A Bullet, e sua receita bem temperada de MC5 com Motorhead funciona muito bem, daqui a pouco até a Ana Maria Braga copia.

O Zamaster, a despeito de ser uma das bandas fundadoras do Porão do Rock, é uma anedota teen, tardia e desnecessária, e a também brasiliense Harllequin enumera arrogante todos aqueles clichês caricatos do heavy metal, magistralmente representados pelo Massacration.

Anunciados como a sensação do folk metal mineiro (!!!), o Tuatha de Danann apareceu com uma mistura inusitada de heavy metal comportado, fundido sob performance hippie. Flautas e batas coloridas em “harmonia” com guitarras e climas épicos, cheios de pretensão celta. Incrivelmente a multidão disforme gostou bastante. Eu não entendo mais nada...

Depois de tamanha demonstração de paciência e tolerância, me concedi o direito de não me aproximar da arena durante o show do Angra, e fui encontrar os amigos para a última pepsi da noite.


“I Dont Care Where You Come From”




Havíamos acabado de chegar à Brasília, eu e o Ulisses Henrique, e paramos num dos milhares de shoppings da cidade para comer. Entramos e de pronto encontramos, por acaso, o Bruno Kayapi, guitarrista do Macaco Bong e bróder desde o último Demo-Sul, festival que acontece sempre no segundo semestre lá em Londrina, no Paraná.

Na saída do shopping o carro do Ulisses apaga e resolve não mais responder, e eis que sobra pra mim e pro Kayapi a ingrata tarefa de empurrar a Parati morta até o mecânico mais próximo, coisa que não tínhamos a mínima idéia de onde seria. Eram quase quatro da tarde e o sol ainda ardia seco no horizonte da capital.

Vinte e quatro horas depois, estávamos todos no mesmíssimo shopping, dessa vez sem preocupações imprevistas e almoçando com voracidade. Era o intervalo das reuniões da ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes), e muita gente boa devorava fast food como se fosse a comida da mamãe: Anderson Foca (DoSol - RN), Fabrício Nobre (Monstro/MqN – GO ), Pablo Kossa (Fósforo Rec - GO), Gustavo Sá (Porão do Rock - DF), Ney Hugo (Espaço Cubo/Macaco Bong - MT), Dewis Caldas e Ahmad (Volume/Espaço Cubo -MT), além de alguns jornalistas e blogueiros. Daí a pouco a maratona final dos debates nesse aniversário de 10 anos do Porão iria recomeçar.

Pouco depois que o sol se escondeu no horizonte plano e azul de Brasília, a Lafusa plugou sua bossa-pop para quase ninguém, antes de o Macaco Bong ocupar o palco ao lado e, apesar do pouco público, ostentar sua música poderosa e envolvente, ajuntando no gargalo da área vip, opiniões importantes do jornalismo nacional. Jamari França, crítico d’O Globo e editor do Jam Sessions – Blog do Jama, assistiu tudo, e depois, na coletiva de imprensa do trio instrumental, fez questão de sacar seu bloquinho de anotações e ir falar com o pessoal.

Aproveitei o show do Rock Rocket para jogar meia hora de conversa fora, antes de voltar à arena para acompanhar o Superguidis, que lança o segundo disco ainda esse ano, pelo selo candango Senhor F. Cheios de fãs na cidade, o grupo gaúcho é mesmo um daqueles fenômenos discretos que começam a pulular nos quatro cantos do país. No caso deles, dá pra pensar que antecipam o vindouro revival dos anos 90, que já deve estar se remexendo e pronto para romper a superfície frágil dessa febre anos 80 que nos assombra já há alguns anos.

Depois do Cromonato (que fez sucesso com sua igrejinha) e da Vamoz! (ainda não arranjaram um baixista?), o Moptop colheu mais uma vez os louros de banda “grande”. Menininhas lascivas se aglomerando na grade, garotos cantando junto, e alguma histeria. É impressão minha, ou eles estão mesmo cada vez menos parecidos com os Strokes? Os cariocas tem show marcado ao lado do Hurtmold e da britânica Magic Numbers, no Rio e em São Paulo, dentro da programação do Conexão Indie-Rock Festival.

Depois da indecisão estilística do Supergalo, o Móveis Coloniais de Acajú injetou delírio na massa compactada e saltitante. A big-band brasiliense também compõe o line up do Conexão Indie e tem show marcado ao lado do Mombojó e dos ingleses do The Rakes, dia 26/06 no Rio e 27 em São Paulo.

Chegando à apoteose da noite, o quarteto mais cool do festival subiu no palco e num desfile louco, Lisa Kekaula (que já foi vocal de apoio do Basement Jaxx) e seu Bellrays fizeram a apresentação mais impressionante de toda a festa. Priorizando as flechadas certeiras do último e ótimo Have A Little Faith, a negra gorda e dona do maior black power que já eu vi, se transformou em musa da multidão, que estampava um sorrisão no rosto e movimento frenético e ritmado nos quadris. O êxtase foi tamanho que Lisa desceu do palco e confraternizou com o pessoal de cima da base dos fotógrafos, num flagrante captado pelo bróder e companheiro de viagem Ulisses Henrique. Aperte o play:


A Nação Zumbi teve a tarefa de suceder o combo punk/soul californiano e, como era de se esperar, não decepcionou. Que a cozinha do grupo pernambucano descobriu um jeito único de groovear, todo mundo já sabe, mas a cada apresentação que vejo do septeto pernambucano, me convenço ainda mais de que eles vivem seu auge artístico agora, ao contrário do que sugere o lugar comum de maioria da crítica, que relega esse título ao passado de explosão midiática da era Chico Science. Talvez por que até hoje os momentos de maior comoção sejam em Maracatu Atômico e Da Lama ao Caos, clássicos absolutos, e um tanto desgastados, do pop noventista brasileiro.



So, shake your head, sucker!

Seguindo, o Sepultura apresentou seu novo baterista para o público do meio oeste brasileiro. Jean Dolabella, que abandonou as baquetas do Udora na véspera do fim vergonhoso a que parece estar fadado o grupo mineiro, não deveu nada à performance superlativa de Iggor Cavalera, mesmo por que se manteve fidelíssimo ao que o antigo titular do posto que agora ocupa fazia. Aparentemente não quis correr o risco de bater de frente com os fãs xiitas da banda.

Hinos remotos como Troops of Doom e Inner Self, dividiram atenções com clássicos como Refuse/Resist e com o cover de Bullet the Blue Sky, do U2, presente no track list de Revolusongs, mas o arrebatamento se deu mesmo foi na matadora seqüência final, que enfileirou Territory, Arise e Roots, Bloody Roots. Não sobrou pedra sobre pedra, nem costelas no lugar.


Ninguém se importa Mark, ninguém!

Depois da destruição do Sepultura, os “tios” do grunge ocuparam o palco ao lado. Mesmo na ingrata posição de headliner pós-Sepultura, o Mudhoney (foto) conseguiu arrebanhar as camisas xadrez, os tênis surrados e óculos de massinha, e os agrupar na frente do palco, o que não somou mais do que quinhentas almas atenciosas e regozijantes.

Ainda assim, Mark Arm e sua turma não não se intimidaram e perfilaram seus hits mais esporrentos. Suck Your Dry e Touch Me, I’m Sick foram comemoradas intensamente pelos indies de plantão, antes da banda cancelar a coletiva de imprensa marcada para depois do show.Pra terminar, Mark Arm soltou essa, em agradecimento:


Thank You Brasília... or Goiânia. I dont care where you come from!”.


É mole?

E depois ainda dizem por aí que Goiânia não é Rock City.