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quinta-feira, janeiro 25, 2007

"A intenção é fazer música bizarra!"

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Como apalavrado por aqui no último post, segue agora mais um trecho do entrevistão com o Violins – que virá completo na próxima edição da revista Decibélica – onde, entre tantos outros assuntos legais, o vocalista Beto Cupertino e sua trupe dissertam sobre os conceitos atribuídos a cada uma de suas obras. Puxa uma cadeira, senta e segue o papo aí:





Hígor – O Grandes Infiéis seguia um conceito, o da infildelidade. O Tribunal Surdo também tem um conceito fechado?
Beto Cupertino –
(Pensativo) Tem uma diferença de letras, que é clara com relação aos outros discos. As letras desse disco estão menos abstratas, menos elucubrativas, mais diretas e narrativas, contando histórias até um pouco bizarras. Então o próprio fato dessas letras serem um pouco mais despojadas, marca uma diferença grande com relação aos outros discos. Acho que essa diferença lírica, e também o fato de a banda agora ser um quarteto, enfim, todo esse contingente de coisas aí já modifica bastante a sonoridade. Como o próprio nome do disco já diz, é uma série de narrativas, contando uma série de estórias que, às vezes, até acontecem freqüentemente e a gente não se dá conta. Mas é justamente pra mostrar como essas estórias podem ser, apesar de comuns, até um pouco patéticas. A gente estava gravando e tentando definir o disco em uma expressão, aí saiu: ‘A arte do patético’!

Hígor - E o Aurora Prisma e o Grandes Infiéis, como você definiria em uma expressão?
Beto –
Nossa! Agora você vai ter que me dar um tempo pra pensar sobre isso... não sei cara... fala aí Pierre, você que é um livre pensador. O Aurora Prisma é um disco romântico, é uma espécie de poesia romântica, até um pouco... como é o termo que a gente usa para o sonho?
Thiago Ricco – Onírico.
Beto – Onírico, exatamente! É um disco muito onírico. Até um pouco progressivo em algumas partes, na construção. Tem músicas lá com dez mudanças de andamento, era a maior confusão pra gravar. É mais ‘firulento’, no sentido instrumental, tinha as cordas, os metais. Acabei que não defini numa palavra né? É difícil...
Pierre Alcanfor - Romântico!
Beto – É! É um disco onírico-romântico (risos). Agora o Grandes Infiéis é um disco mais de rock. Mais direto que o Aurora Prisma e menos que O Tribunal Surdo. É um meio termo, uma ponte, entre esses dois. O Thiago teria uma expressão pro Grandes Infiéis.
Thiago – Não, não tenho (risos).
Beto – Você também não tem né? Então é um disco que não tem a expressão pra defini-lo. Mas é um disco muito sincero, a gente gosta muito ainda. até estava conversando sobre isso. Desde o primeiro disco até esse, eu acho que foi ficando cada vez mais confortável pra gente, pra mostrar para os outros, como coisa que a gente fez. Do Aurora Prisma a gente já tem um pouco mais de orgulho do que do Wake Up and Dream, do Grandes Infiéis mais do que do Aurora..., e eu acho que desse agora mais do que o Grandes Infiéis. Sem nenhuma forçação de barra, sinceramente mesmo. Pelo menos pra mim é assim, acho que pra banda também é.


Hígor – No Aurora Prisma, o Violins soava calmo, triste e fleumático; no Grandes Infiéis tudo ficou mais pesado e cínico. E agora?
Beto –
Cara, eu acho que esse disco é uma extensão do Grandes Infiéis. É um disco calcado em guitarras, bem cru, muito mais visceral do que os anteriores. Porquê muda a composição também. Antes a gente compunha pra duas guitarras, é diferente, eu fazia a guitarra pensando também no que o Léo ia fazer. Fazer as guitarras conversarem e tal. Agora o modo de compor com uma guitarra só é diferente, porquê é mais simples, mais cru mesmo, então a sonoridade reflete isso também. Assim como as letras, a sonoridade está bem mais direta. Acho que é direto e cru, não tem muito adjetivo pra usar nesse caso não.

Hígor – Então o Violins segue uma “linha evolutiva”?
Beto –
É... é sempre meio clichezão dizer isso, mas talvez seja...
Pierre – Mais no sentido de timbres de guitarra, de pegada.
Beto – É, por que você vai aprendendo né?
Pierre – Pegada de bateria, timbre de guitarra, isso tudo foi uma evolução. Agora não digo evolução no sentido da concepção da música. Aí eu acho que não! Eu gosto muito do Aurora... . Acho que nesse disco a gente chegou no auge do que conseguimos fazer em termos de beleza, de melodia. Mas de lá pra cá a gente cresceu como músicos mesmo. O Beto já aprendeu muito de lá pra cá, timbrar guitarra, tirar sons mais pesados, então por isso a gente foi fazendo álbuns diferentes, mas não melhores... quer dizer, melhores tecnicamente eles são, mas não em termos de concepção.
Beto – No Aurora Prisma a preocupação principal era a beleza, o objetivo era fazer música bonita. Acho que no Grandes Infiéis, o objetivo era fazer música intensa. E talvez no Tribunal Surdo a intenção seja fazer música bizarra.

Hígor – E no Wake Up and Dream?
Beto –
Acho que a preocupação também era a beleza.
Pierre – Mesmo sem condição nenhuma de gravar...
Beto – É, o Wake Up... é uma tosqueira né? Eu morro de vergonha da gravação, é muito horrível!
Pierre – Guitarra Jackson com pedaleira (risos).
Beto – É, o Léo tinha uma guitarra Jackson, com uma pedaleirinha ‘Boss ME8’, com uns timbres de plástico...
Pierre – Como é o nome daquele setor cara? Do estúdio que a gente gravou o Wake Up...?
Beto – Parque Amazônia? É meio que lá no fundo da Serrinha, numa chácara...
Pierre – Acho que a gente devia tomar todas as cópias que estão circulando (risos).
Beto – Ainda bem que está esgotado né?
Pierre – Aqui no nosso estudiozinho a gente grava melhor.
Beto – É, a pré-produção que a gente gravou pra o Tribunal Surdo aqui no nosso estúdio, com dois microfones, ficou melhor que o Wake Up and Dream.
Pedro Saddi – Gravada em trinta minutos.
Beto – Se a gente gravasse hoje de novo, o Wake Up... ia ficar bem mais legal de ouvir.


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Te vejo lá no Bolshoi Pub hoje à noite, no show do Olhodepeixe?

Inté...



6 comentários:

Anônimo disse...

massa!

Sophya disse...

Esse Hello Crazy People parece Cansei de ser Sexy.. Gostei não.

Aurora disse...

Ai, ai, ai... Violins...

Gabriel Ruiz disse...

Resposta errada!
Qual das duas escolher? Fico com o rage against!
legal o blogue, gostei dos temas.
abração, boa semana ae.

Gabriel Ruiz disse...

em tempo: como faz pra ouvir o HCP?
e vou avisar os brothers de londrina, parece que vai ser pegada o festival..
abs

guilherme disse...

hum!!gosto muito do wake up!!e apoio o pierre o aurora é o melhor em belezA!!