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quarta-feira, outubro 31, 2007

Bratislava!

Zach Condon, do Beirut
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# O Sigur Rós entrega oficialmente ao mundo, dia cinco de novembro, o sucessor do magnífico Takk, de dois mil e cinco. Hvarf-Heim já percorre a web, para vosso download, e será lançado simultaneamente com Heima, filme que ganha os cinemas da Inglaterra também em novembro e exibe a desenvoltura do grupo em território islandês. No resto do planeta, o documentário chega mesmo através do devedê.


# # Hvarf-Heim não é exatamente um álbum de inéditas, ainda que as tenha. Trata-se de um disco duplo, onde na primeira parte constam canções nunca antes gravadas – mas que já eram executadas ao vivo há tempos, enquanto a segunda parte dispensa um tratamento acústico para clássicos dos álbuns anteriores.


# # # Ainda estou em fase de aclimatação, acolhendo, escolhendo e permitindo que o perfeccionismo detalhista e minimal das atmosferas agudas e solenes se instalem no meu conhecimento. As tessituras de sonho e ambiências espaciais grandiosas de Hvarf disputam espaço com o intimismo acústico e delicado de Heim, que consegue, em arranjos mais contidos que os originais, imprimir ainda mais intensidade sentimental em espoletas emocionais geladas, da categoria de StarÃiflur e Agäetis Byrjun.


# # # # O Sigur Rós é o mestre nessa de construir ambientações, justapor camadas melódicas e espalhar texturas glaciais, adornando esse tramado faustoso com as mais nobres minúcias instrumentais, criando um painel de onirismo idílico entorpecido que arranca qualquer par-de-ouvidos decente da realidade consensual, e o mergulha num incrível experimento de prazer sensorial.

Pelo menos enquanto durar a canção.


# # # # # Segue o trailer de Heima, o filme dirigido pelo Dean Deblois (aquele mesmo que, em parceria com o Chris Sanders, fez Lilo e Stitch – longa de animação da Dysney, em dois mil e dois). Just Push Play:






# Zach Condon é mesmo um sujeito esperto. Não tem mais do que vinte e um anos, e lançou outro dia um dos discos mais legais do ano, o Flying Club Cup , do Beirut – o nome que escolheu para acompanhar sua obra. Mais caprichosamente refinado que o incrível Gulag Orkestar – lançado ano passado, Condon estabelece um diálogo tímido entre seu gypsie-pop-folclórico e a tradição francesa, o que confere ares mais elegantes e menos mitológicos ao track-list.


# # Se em Gulag Orkestar a ordem do dia era o mergulho na tradição dos balcãs, percorrendo passionalmente a crueza histórica dos instrumentos tradicionais e lustrando tudo com a intensidade das melodias vocais, em Flying Club Cup tudo soa mais planejado, ponderado, e o resultado é cadente, tranqüilo e amável.

# # # Acompanha muito bem tanto um jantar pomposo com o seu sogro garotão, quanto um porre de vodka solitário e lamurioso, no sofá de casa.

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Vou ali botar o Love Gun do Kiss pra fazer barulho na vitrola. Tchau


segunda-feira, outubro 29, 2007

"Kill All Hippies"



# O cantador indie mais falado no momento por aqui, o “nosso” Diego de Moraes, matou mais uma. Levou a melhor no concurso de bandas da Trama Virtual e revista Capricho, foi convidado para receber o prêmio e se apresentar em São Paulo mas não foi


# # Mandou apenas sua banda de apoio, Os Imoraes, para representar suas canções. No dia da apresentação Diego tinha uma prova de mestrado, e não deixou que a empolgação da premiação o obrigasse a descumprir o compromisso acadêmico. Diego de Moraes – além de irritar muita gente do rock goianiense – cursa História na Universidade Federal de Goiás.

# # # A coisa toda está noticiada no blog da Capricho.


# No último sábado a revista Decibélica realizou a segunda edição local do Circuito Decibélica, festival que reuniu várias bandas e dj's, em mais uma noite de celebração roqueira nos palcos do Martim Cererê. Não foi, por assim dizer, um sucesso absoluto de público (como a primeira edição do festival, há um ano atrás), e apenas umas duas centenas e meia de humanos pagaram os quinze reais do ingresso e ocuparam as dependências do Martim.

# # A Plebe Rude (que veio como trio, sem o Clemente) nunca esteve entre as minhas preferências e o show daquela noite não mudou nada disso, ainda que tenha empolgado parte do público com o rock punk envernizado e automático de Philipe Seabra e cia. Curioso que a maioria esmagadora do pessoal que gritava, com reverência, o nome da Plebe depois de findo o show, estava nascendo quando o grupo ganhava os primeiros louros do sucesso, lá no meio dos anos oitenta


# # # Os Rollin Chamas até garantiram o quorum de sempre, mas não incendiaram a platéia sorridente e comportada, numa apresentação que não insuflou aquela interação insana dos melhores shows do grupo. O Violins também encheu o teatro de gente atenta e que sabia de cor a maioria das canções do set list, que misturou canções do último Tribunal Surdo, e dos anteriores Grandes Infiéis e Aurora Prisma, além das inéditas que, provavelmente, constarão em A Redenção dos Porcos, o prometido próximo álbum.


# # # # Enquanto as guitarras latiam alto no palco do teatro Pyguá, a arena do Yguá era reservada para os melhores dj sets do rock goiano. O blogueiro aqui gastou uma hora e meia botando o povo pra dançar – suportando “educadamente” os bicões que subiam no palco para exigir (entre outras): “Ô cara, toca um Abba aí!”.

A trilha de quem queria dançar e não estava a fim de conferir o show da Black Drawing Chalks e da Janice Doll (que se exibiam no palco ao lado), teve Radio 4, Primal Scream, Happy Mondays, Mika, Scissor Sisters, Cake, A-Ha, Muse, Gossip, Oingo Boingo, Justice, Jet, Rapture e etecetera, numa farra regada a muita fumaça e pouca cerveja (não achei nenhuma alma altruísta amiga que pudesse ir até o bar encher, novamente, a minha lata, enquanto apertava o play para a rapaziada rebolar).

# # # # Depois de abandonar o comando da pista de dança, passando a bola para a dj Marcelle Vaz e, posteriormente, para o Duo Elle – composto pela Carol Maia e pela Gabb Borgehtti, fui ver um pedaço do show da Valentina, que se apresentava para pouco mais de dez pessoas que se esforçavam para acompanhar a performance apagada e afetada do grupo que já foi “promessa do rock goiano”, para uns e outros.

# # # # # Já o Zefirina Bomba, que eu estava curioso para saber como se comporta em cima de um palco, eu deixei para a próxima, uma vez que o avançado da hora (às quatro da matina meu humor já oscilava perigosamente) e a fome que apertava meu estômago, me levaram de volta para casa.


O Super Hi-Fi protagonizou o W.O. da vez e não apareceu, aparentemente, por causa de problemas na viagem para Goiânia. Houve quem sentiu falta, mas não eu.



Foi isso.



quinta-feira, outubro 25, 2007

On videotape

  1. Dá uma mãozinha pro rapaz, ele é carente...




Mephistopheles is just beneath
And he's reaching up to grab me

‘Videotape’ – Radiohead



O Radiohead não é indie; o Radiohead não é rock; O Radiohead não é nem pop. In Rainbows, finalmente na praça desde dez de outubro último, incorpora de vez o conceito de canções eletrônicas, tão bem perscrutado e erigido em The Eraser, o genial disco solo de Thom Yorke, lançado no fim de dois mil e seis. Ainda ecoa, dissolvido no fluido sonoro, aquele experimentalismo misterioso e anti-musical radicalizado em Kid A e Amnesiac, mas In Rainbows também guarda conexões melódicas com seu antecessor, Hail to the Thief, no preciosismo decorativo das guitarras de Jonny Greenwood.


Os blips e tóins ornamentais de 15 Step abrem o álbum escancarando um intimismo mortiço, preenchido com texturas e loops maquinais, que contrariam a candura dolorida da voz frágil de Thom Yorke. Junto com Nude e All I need, descrevem um arco teso de onde se desprende mais daquela lisergia transparente e diáfana, que afasta o grupo cada vez mais dos seus milhares de imitadores.


Apesar da aparente artificialidade, os arranjos, filigranas e intenções se impõem com tanta força em meio à paisagem eletrônica, que o discurso sonoro do disco ganha uma universalidade orgânica tão grande que transcende rótulos moderninhos e deixa pouco – ou nenhum – espaço para etiquetas.




Weird Fishes/Arpeggi espalha uma indulgência oceânica por entre camadas de éter, enquanto Reckoner, talvez a melhor do álbum, enche um rio de angústia mal-calculada:


Because we separate
it ripples our reflections
Because we separate
it ripples our reflections




A “edificação” avaliada, elemento por elemento, que acaba por completar-se a si própria como canção, empresta ao disco um quê de arte concreta, onde o somatório medido de pequenas partes aparentemente desconexas, resulta num todo absolutamente particularizado, vivo e único.

Videotape se despede com a languidez anêmica dos vocais suplicantes de Thom Yorke, que mergulham numa fantasia apocalíptica, evocando até Mefistófeles (aquele que odeia a luz) em sua agonia onírica, fleumática e comovida.


Desde a explosão pop de OK Computer, as canções do Radiohead vem se tornando mais “líquidas”, e os arranjos cada vez mais diluídos por entre divisões cada vez mais etéreas. Não há nenhum hit blockbuster em In Rainbows, nada que vá seduzir nossas rádios – nem nossas mães, mas a intensidade e o poder de um disco como esse estão no tempo. É um álbum que pede tempo para se explicar, já que sua maior beleza está caprichosamente oculta na sutileza arranjada entre placidez, lirismo acurado e uma intrincada rede de ressonâncias eletrônicas.
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Aí embaixo o nobre leitor pode assitir a uma pré-versão de 15 Step, ao vivo em Copenhagen, em maio de dois mil e seis, mais de um ano antes do anúncio de In Rainbows. Naquela época muita gente ainda tinha esperanças de ver o grupo em palcos brasileiros.


Bem, a coisa não mudou tanto. Ainda hoje há milhares com essa expectativa. Play!


terça-feira, outubro 23, 2007

Multi-Cor/Ultra-Som

Jeff Beck
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# Ouvindo aqui o novo do Hives, The Black and White Album, sucessor de Tyrannosaurus Hives, de dois mil e quatro. Ainda é aquela mesma molecada sueca que cresceu ouvindo Ramones e The Clash, e agora tenta se divertir de um jeito parecido. A essência é punk, mas as guitarras venturosas e o climão de festa não conseguem disfarçar a despreocupação divertida que os afasta da ortodoxia niilista de seus “ancestrais” ingleses (dos Ramones eles estão sempre próximos).

# # Não é o melhor disco nem dessa semana, mas com certeza diverte um churrasco bêbado no sábado à tarde, e ainda tem fôlego para embalar uma pista de dança esperta e deixar humanos ensopados de suor, depois das baladeiras Well Allright e T.H.E. H.I.V.E.S., ou das aceleradas Hey Little World e It Won’t Be Long. É um disco para baixar e levar de “presente casual” para a namorada, numa quarta-feira-qualquer, depois de descobrir que você realmente gostou dessas mesmas musiquinhas novas que eles lançam de três em três anos. Novidade nenhuma, originalidade quase zero, mas você gostou. Fazer o quê? Tick Tick Boom:



# # # O rock é mesmo uma coisa estranha.


# As últimas três vagas a serem preenchidas para completar o impressionante line-up do Goiânia Noise dois mil e sete, já tem dono. Ou pelo menos uma lista de proprietários potenciais. A Trama Virtual – responsável pelas seletivas, divulga hoje a tabela com os dez nomes que disputarão uma das chances de ocupar o palco do festival. Segue aí:

- Biônica

- Diego de Moraes

- Las Dirces

- Mopho

- Romulo Fróes

- Stuart-

The Name-

The River Raid

- Tolerância Zero

- Zé Cafofinho e Suas Correntes



# # Assim, de supetão, votaria fácil no Mopho (lisergia alagoana de grosso calibre), no Tolerância Zero (o mais apurado lirismo pop contemporâneo – hehehe) e no Diego de Moraes, que abandonou suas raízes interioranas e, agora morando no setor Sul, virou meu vizinho. Vota lá!



# Com um pouco mais de de um ano de atividades na blogosfera roqueira nacional, o Hell City, blog cuiabano editado pelo colega de textos e opiniões Dewis Caldas, completa a impressionante marca de trinta mil acessos. Reportando o que de melhor (e de pior também) acontece no movimentadíssimo circuito da música independente brasileira, o Hell City demarcou um território essencial dentro do jornalismo cultural espontâneo, e é partidário firme do faça-você-mesmo. Integrado ao coletivo Espaço Cubo, que tem ajudado o gueto indie a se aproveitar da descomunal transformação do mercado fonográfico, o blog ainda serve de guia no enorme fervilhar musical da atualidade, apresentando, endossando ou desabonando os tantos destaques que a inquietação artística - proporcionada também pela popularização tecnológica desses tempos ficcionais, tem despejado nos nossos music-players. Vida longa e milhões de acessos, são os votos do vizinho aqui.


# Ainda que Nação Zumbi tenha levado a sério demais essa história de autofagia, e a repetição patológica de sua fórmula etno-psicodélica de guitarras tenha enchido o saco, nesse novo álbum, Fome de Tudo, o grupo já conseguiu o mais difícil: uma audição completa, e sem interrupções do tipo mas essa merda é igualzinha ao disco passado?.


# # Não que o grupo tenha se reinventado, longe disso, continua com os mesmos maneirismos detalhistas da guitarra de Lúcio Maia, os mesmos graves absurdos das alfaias, e a mesmíssima voz monocórdia de Jorge Du Peixe. A cozinha ainda consegue alguma variação dentro do próprio universo criativo – que é fundamentalmente percussivo.


# # # Mas ainda que os elementos sejam quase que exatamente os mesmos, Fome de Tudo produz um efeito diferente daquela atmosfera preto-e-branca de Futura, de dois mil e cinco. Aqui o grupo soa mais festivo, flerta com a melodia corporal e bailarina do samba, e é ainda mais exibido na sua brasilidade - sem abandonar o cosmopolitismo caleidoscópico de praxe.


# # # # Vou ouvindo aqui. Depois continuo esse papo.



# Nesses últimos dias, numa Resurrection Jukebox (salve Mark Lindquist – aka Peter Tyler), desenterrei meu velho vinil do primeiro álbum do Jeff Beck Group, o Truth, de mil novecentos e sessenta e oito. A formação da banda que escoltou o guitarrista recém saído dos Yardbirds, ainda que não abrigasse nenhum nome realmente famoso à época, é de impressionar: Rod Stewart (que depois montou o Faces) nos vocais, Ron Wood (futuro Faces e depois Rolling Stones) no contra-baixo, o lendário Nick Hopkins (que quase entrou para os Stones quando da morte de Brian Jones) ao piano em Morning Dew e Blues Deluxe, além do baterista Mick Waller e da participação do futuro baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones, tocando Hammond em Ol Man River e tímpano em You Know Who.


# # De Truth, caminhei fácil até Beck-Ola, disco seguinte – lançado em mil novecentos e sessenta e nove, que incorpora o primitivismo pesado das raízes do blues e a sensualidade negra do soul à clássicos de Elvis, como All Shook Up e Jailhouse Rock, não sem, é claro, exibir toda a sanha sonora de própria lavra, nas estrepitosas Rice Pudding e Plynt (Water Don’t the Drain).


# # # Ninguém fez a conexão do blues com o rock de uma forma tão poderosa e arriscada, ousando até o limite da genialidade (e não me falem em Rolling Stones). Essa arrojo rendeu muito mais que a paternidade bastarda dos maiores grupos da primeira metade dos anos setenta, ainda que no auge dos desdobramentos desse rock que “mais parecia metal pesado caindo do céu”, Jeff Beck tenha abandonado os riffs azedos e a grandiloqüência das arenas e, surpreendentemente, tenha voltado sua atenção para o hermetismo do incipiente jazz-rock que, fundido sob a alcunha de fusion, celebrava o instrumental intelectivo e a intimidade solitária das viagens progressivas. Mil novecentos e setenta e cinco, marcava o calendário, e Beck paria mais um clássico do rock, dessa vez intitulado Blow By Blow.


# # # # Mas dele eu falo em um outro dia, por que agora vou-me embora pra Pasárgada (ou Pasalaqua, ou Kalil Uga, tanto faz), pois lá sou amigo do rei, lá tenho a mulher que quero, na cama que escolherei.


Entendido seu ZeroUm?



P.S.: Durante a viagem vou tentar decidir, junto com os meus fones-de-ouvido, se eu gostei muito ou pouco do In Rainbows, o novo do Radiohead.



Dispensado!

sábado, outubro 20, 2007

"Você Parece Um Invertebrado, Cara."

DJ Diplo
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# Esbarrei com Trainspotting na tevê, ontem. A primeira vez que assisti a esse filme do Danny Boyle, há uns dez anos, fiquei com uma puta vontade de ser junkie pra sempre, mandar meus pais se foderem e engolir o mundo de uma vez só. Mas isso passou rápido. O que eu assisti hoje até me deu um pouco de vontade de ficar chapado, mas a ideia do “sempre” me abandonou logo na entrada dos vinte anos. O filme é de noventa e seis.
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# Fala rápido: qual é o melhor disco de rock lançado esse ano? Enquanto assistia os escoceses se entupirem de heroína, liquefazendo seus cérebros e veias com o sotaque mais engraçado do horário nobre, me assaltou uma vontade súbita de ouvir o Era Vulgaris, último do Queens of the Stone Age. Pensei que pudesse ser esse o melhor disco de dois mil e sete, mas a memória não me traiu nessa e, rapidamente, me recordei do recém lançado In Rainbows, do Radiohead, e do Young Modern, do Silverchair. Além de uma de outros que, pelo avançado da hora, eu não me lembrei de pronto.
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# # Mas Era Vulgaris é mesmo a redenção depois do anódino e insosso Lullabyes to Paralyze, que por sua vez, sucedeu o disco fundamental do conjunto de Josh Holmme, o Songs for the Deaf. O Queens of the Stone Age é uma dessas bandas que não acompanham a ocasião, e assim “quase-sem-querer” demonstram quão substancialmente bem pode soar um disco de rock pesado e agressivo.
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# In Rainbows é diluição caudalosa do jeito esquisitamente pop que o talento da turma do Radiohead conseguiu soldar na cara dos anos noventa/zerozero. Uma interface entre o experimentalismo egocêntrico de Amnesiac, o apelo popular de OK Computer, ainda que não se pareça com nenhum dos dois.
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# # Além disso, o único disco solo do Thom Yorke, o genial álbum de canções eletrônicas The Eraser – lançado ano passado, também deixou pistas fortes nesse que, provavelmente, foi o disco mais esperado de dois mil e sete. Mas confesso que a maior expectativa desse ano, para mim, era mesmo o disco novo do Silverchair.
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# O negócio é que, em dois mil e dois, o planeta ficou estarrecido com o superlativo sentimental de Diorama, obra-prima do trio australiano, e que confirmou Daniel Johns como um dos melhores compositores do rock pós-grunge. Escutei esse disco tantas milhares de vezes nesses últimos cinco anos, que sou capaz de relembrá-lo mentalmente, na ordem do track list e sem esquecer nenhum dos arranjos.
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# # E depois anos de espera ansiosa e curiosa, o Silverchair entrega Young Modern ao mercado. Despistando aquela auto comiseração grandiloquente que os fizeram adorados, e exibindo uma compleição mais dançante, numa paisagem mais cínica – ainda que embutida em recordações romanescas, surpreenderam novamente. Não ultrapassa a explosão genial de Diorama, mas mantém o padrão de qualidade. Pode tranquilamente ganhar o topo da lista dos melhores. Assim como qualquer um desses citados aí em cima.
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# Vou pensando aqui, tenho que re-escutar muita coisa antes do veredicto, depois te falo como ficou a coisa toda.
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# Tempos atrás meus fones de ouvido me lembraram de algumas bandas nacionais ótimas, mas que deixaram apenas um disco e se perderam em outras formações e/ou projetos “paralelos”.
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# # A extinta e baiana Nancyta e os Grazzers já ocupou palcos goianos pelo menos duas vezes, lá no Martim Cererê, e tem um único disco que entra fácil para o rol dos melhores do independente nacional dos últimos dez anos. O mistifório de pop, heavy metal, punk-rock, hip-hop e space-rock, amarrado pela voz doce, porém enérgica e segura da Nancyta, faz o humor muito bem sacado das letras fazer todo o sentido do mundo.
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# # # Capas de Celular, Esse Coqueiro e Minhocas Azul de Grude lembram – no conceito, não exatamente na estética – a receita misturadíssima de Mike Patton e o lado mais “comportado” do Faith No More. E isso é um elogio! [2]
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# A outra banda é a finada Diesel, que ainda teve uma sobre-vida digna e emigrante, rebatizada Udora e que lançou o decentíssimo Liberty Square, quando ainda estava em Los Angeles. Acontece que, sabe se lá por que, o grupo voltou ao Brasil com a formação desfigurada. E como aventura solo do vocalista Gustavo Drummond (que remendou o conjunto), cantada em português e remontada sob uma estética mais, hãn, “jovem”, se revelou uma merda colossal.
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# # Mas quero falar aqui é do primeiro registro da criatividade genuína dessa moçada, quando ainda assavam seus pãos de queijo em Belo Horizonte, mantinham dreads vermelhos no alto da cabeça e ostentavam orgulhosos imensas tatuagens. Quero falar daquele Diesel do início do milênio.
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# # # Com pelo menos uns três clássicos absolutos do rock brasileiro recente – Drain, Burn My Hand e 4D – a estreia em disco dos mineiros foi qualquer coisa de espetacular. Até hoje não me perdôo por ter perdido o único show que fizeram na cidade, no Goiânia Noise de dois mil e dois. Depois do show, o Thiago Ricco (atualmente baixista do Violins) e o Bruno Batata (baixista do Olhodepeixe) me falaram dessa apresentação com uma empolgação tão pura que o arrependimento corroeu minhas vísceras durante muito tempo.
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# # # # Meses atrás, durante o Bananada, assisti a uma apresentação desse novo Udora radiofonizado – que ainda tocou alguns dos clássicos do Diesel. O contraste entre as canções dessa première, com os embustes nacionalizados de agora, encarados de frente e em cima de um palco fizeram a coisa toda ficar ainda mais bizarra.
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# Quinta passada teve Porcas Borboletas no Bolshoi Pub, mas infelizmente não deu para este blogueiro seguir os passos dos discípulos mineiros dos irmãos Barnabé, paranaenses que ajudaram a dirigir a vanguarda paulistana, nos anos oitenta. Disneyland.
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# # Amanhã, domingo dia vinte e um, tem o pancadão internacionalista do DJ Diplo - que produziu o desnecessário e curitibano Bonde do Rolê -, e a eletrônica de guitarras punk do Lucy and the PopSonics no club Fiction, na segunda das pré-festas do décimo terceiro Goiânia Noise Festival. Vai lá?
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Tchau




terça-feira, outubro 16, 2007

A estética guitarreiro-cabeluda




O segundo disco do Velvet Revolver, o super-grupo do Slash, o último dos guitar-heroes, foi mesmo um grande passo desde Contraband, sua estréia. Libertad segue o modelo do hard rock ereto e espadaúdo de sempre, mas adiciona porções bem dosadas de um admirável traquejo sensual e até um discreto suíngue, o que o diferencia de sua premiére sisuda e azeda. E isso foi um elogio.


Let It Roll abre o track list ribombando veloz em adoráveis clichês, de uma fluidez tamanha que um ouvinte desavisado poderia pensar se tratar de uma dessas conjuntos com décadas de história. O que não é totalmente falso, já que (quase) todos os Velvets vem de mega-bandas que lançaram discos clássicos e excursionaram por todo o ocidente. She’s Mine arrancaria movimento até de um inchado Axl Rose, que insiste com a megalomania tardia de um Guns n’ Roses completamente desfigurado.


Get Out the Door fala diretamente às pistas de dança, e pulsa ritmada com o pé em cima do retorno e o cabelo cobrindo o rosto, deixando apenas o cigarro – filtro vermelho, enxergando a garrafa de Jack Daniel’s pela metade. She Builds Quick Machines é um road-rock acelerado, que amacia o refrão nas curvas antes de exibir um dos solos especializados de Slash.


The Last Night põe o pé no freio, passeando de raspão pelo passado grunge de Scott Weiland, ex-Stone Temple Pilots. Pills, Demons & Etc. faz alusão às drogas, escondendo chavões do rock hard por entre camadas de modernidade bailarina, mesmo artifício lançado em American Man.


Mary, Mary é a canção mais distante da estética guitarreiro-cabeluda, e se equilibra em melodias vocais que sugerem lembranças do lado mais melancólico dos anos oitenta, ainda que as guitarras se apressem em dissipar a impressão. Já Just Sixteen escancara a acrimônia pressurosa e pesada que atravessa o disco, antes de Cant’ Get it Out of my Head admitir toda a grandiloqüência emocional que o gênero pode assumir.


Perto do fim, For a Brother acumula mais do mesmo, logo atrás da celeridade-vento-na-cara de Spay, e da despedida contida, melodiosa e um tanto piegas de Gravedancer.


Não, Libertad não vai mudar a vida de ninguém, provavelmente não vai te motivar a montar uma banda no salão de festas do prédio e nem vai te convencer a deixar o cabelo crescer (a não ser que você tenha menos de vinte anos). Mas que é um disco bem decente de grandes figuras com um passado glorioso, isso sem dúvida é.


Um destino muito mais digno que o de Axl Rose, que até hoje tenta, enumerando fracassos, conceber algo tão revolucionário e grandioso quanto o Appetite for Destruction. A certa altura, humildade e pé-no-chão valem tanto quanto uma boa porção de talento, mas William ‘Rose’ Bailey continua imerso numa fantasia megalômana anacrônica, e mesmo que não tenha percebido, sua credibilidade já toca as canelas, enquanto Slash e sua turma – que parecem ter aprendido a lição, estão novamente caminhando, senão rumo ao topo, pelo menos rumo a uma regularidade artística respeitável.


E, alguém avise ao Axl, o cume daqueles tempos já não existe mais.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Farra dos Gêneros*

Tony Parsons


Por que as mulheres não deveriam beber (muito)
Arena, novembro de 1993
Por: Tony Parsons
Tradução: Alyne Azuma


Por que uma mulher nunca deveria ficar bêbada? Porque beber faz as pessoas falarem alto, as torna repugnantes, sentimentais, autocomiserativas e burras. E é claro que a maioria das mulheres já é assim completamente sóbria.


Existem algumas coisas neste mundo que as mulheres fazem melhor que os homens. Fazer compras, chorar histericamente, e limpar a casa – as mulheres fazem isso brilhantemente e nós deveríamos ir para o bar e deixa-las continuar fazendo. Mas uma das coisas que as mulheres deveriam deixar para os homens é a bebida. Ficar bêbado é como ter um bigode. Fica bem num homem e horrível numa mulher.

A bebedeira não cai bem em todos os homens, obviamente. Depois de duas doses, algumas cervejas e meia garrafa de chardonnay, a maioria dos homens não se torna uma pessoa melhor. Aliás, eles estão mais propensos a se tornar trogloditas que prometem amizade eterna num minuto e ameaçam quebrar sua cara no minuto seguinte. Mas, enquanto alguns homens são bêbados ruins, todas as mulheres são bêbadas ruins.

O lado negro da embriaguez é a voz elevada, a violência acidental, as risadas loucas e o sexo imprudente – ela faz o homem fazer papel de idiota. E faz a mulher fazer papel de louca. Existem alguns homens – urbanos sofisticados, amantes da vida – que conseguem lidar com a bebedeira. Depois de um dia difícil no trabalho, um pouco de excesso etílico realmente tem o poder de melhorar alguns de nós. Depois da pressão e do estresse no mundo do trabalho, com algumas doses, ficamos mais relaxados, mais abertos e mais falantes.

Mas você já conheceu alguma mulher que precisasse ficar mais falante? Muita bebida tende a tirar a dignidade, o orgulho e a calcinha de uma mulher – geralmente nessa ordem.


O álcool é uma coisa poderosa. Ele pode deixá-lo mal. Às vezes você toma algumas taças de vinho e rapidamente começa a questionar o sentido da existência. Este tipo de introspecção temperamental e filosófica não cai bem numa mulher. Porque elas são criaturas mais intuitivas que cerebrais, e ficam tristes e amargas. Isso as faz pensar demais – e essa não é sua especialidade.

Depois de alguns drinques, um homem pode dizer algo como: “Se Deus realmente existe, por que Ele permite tanto sofrimento no mundo?”. Mas é mais provável uma mulher bêbada dizer: “Minha mãe me avisou sobre você, e ela estava absolutamente certa, seu canalha!”.

A bebida tende a enfatizar tudo o que é desagradável numa mulher. Se ela é um pouco vulgar, o álcool vai fazer com que ofereça um boquete ao garçom. Se ela for supersensível, a bebida vai fazer com que vire mesas, jogue pratos e corte suas roupas com uma tesoura. Se ela tem uma personalidade mais melancólica, beber vai torná-la suicida.

A bebida é o veneno do coração feminino. Não importa qual seja sua personalidade, ela vai ficar muito pior ao beber.

Alguns homens parecem maravilhosos quando bebem. Tenho um amigo que, quando está muito chapado, inclina-se na cadeira, adquire um olhar distante e fica com um sorriso secreto nos cantos da boca. Cerca de dois minutos depois ele literalmente cai da cadeira, mas, no curto período que antecede a queda, é uma companhia encantadora e fascinante.

Mas a namorada dele bebe praticamente a mesma quantidade e nada acontece com ela. Ela subitamente desenvolve um desejo incontrolável de discutir o cinema francês. Como é de se imaginar, isso acaba totalmente com a noite.

Existem aproximadamente dez milhões de mulheres maravilhosas no mundo. Mas nenhuma delas se torna mais interessante, mais atraente ou mais adorável quando bêbada. Não importa se ela é uma profissional bem-sucedida com um diploma ou uma Hasfrau de bairro com uma corrente de ouro no tornozelo, o álcool revela seu pior lado. Há uma certa vulgaridade numa mulher bêbada. Uma mulher bêbada parece – e tende a agir – como uma prostituta barata. E eu não tenho interesse em discutir cinema francês com ela. Tenho vontade de vendê-la aos marinheiros.


E apesar de alguns homens se tornarem mais charmosos, extrovertidos e falantes por causa da bebida, com toda honestidade, o álcool geralmente faz com que a gente se comporte mal também. Tentamos convencer completas estranhas a ir para cama conosco, entramos em discussão com seus namorados, urinamos pelas janelas dos trens. Ok, já fizemos isso. Mas não existe nenhuma mulher na face da terra que fique bem tentando urinar pela janela de um trem.

Existem homens que bebem e ficam sentimentais, deprimidos e incoerentes. Isso certamente não fica bem neles. Mas fica ainda pior numa mulher. E se um homem quer uma mulher sentimental, deprimida e incoerente, ele pode simplesmente ficar em casa com a esposa.

Beber é departamento dos homens. Pubs, bares e boates – são o habitat natural da espécie masculina. É bom que as mulheres estejam lá, mas se estiverem falando muito alto, fazendo papel de idiotas, contando piadas estúpidas – se estiverem bêbadas – acaba a graça. Quem quer uma mulher que se comporte exatamente como um homem? Quem usa as calças aqui? Quem paga as bebidas?

Ok, ok – a mulher moderna paga suas contas. Mas a heterossexualidade é a celebração das diferenças. Uma mulher bêbada age como uma imitação barata de um homem.

O álcool é uma droga poderosa e ninguém pode realmente prever os seus efeitos. Depois da terceira garrafa de Tokay, é impossível dizer como você vai se sentir. A roda da intoxicação – nunca se sabe onde ela vai dar. Você não sabe se vai passar a noite inteira rindo, se vai entrar numa briga com um policial ou se vai acordar sem roupas num beco, amarrado a um poste a apenas alguns bairros de distância de onde seus amigos esconderam suas roupas. E nenhuma mulher deveria ficar tão fora de controle. Eu concordo com a Camille Paglia neste assunto – é perigoso demais para uma mulher. Somos iguais, mas diferentes.


Não estou pregando que as mulheres deveriam se abster do álcool. Longe disso! As mulheres deveriam beber um pouco. Assim como fazer massagens, pregar botões e trocar pneus, é uma das habilidades que toda mulher deveria ter – assim como todo homem deveria saber cozinhar, cuidar de bebês e operar a máquina de lavar sem precisar ligar para sua mãe.

As mulheres deveriam poder dar um gole de spritzer ou até – em ocasiões muito especiais – uma pequena taça de vinho branco. Porque não existe nada pior que sair pra jantar com uma mulher, pedir uma garrafa de vinho e ter que bebê-la sozinho. Quando um homem sai com uma mulher que não bebe nada, ele sempre acaba mais bêbado do que pretendia.


Mas o problema é que as mulheres ou bebem muito pouco, ou bebem demais. Ou elas são incapazes de sentir o cheiro do avental de um barman sem ficar completamente bêbadas, ou não sabem quando parar. Quando uma mulher começa a pedir um aperitivo, uma segunda garrafa de vinho e um conhaque, você imediatamente deveria jogar o telefone dela fora. Ela vai ser ruim de papo e igualmente ruim de cama.

A bebida não é um afrodisíaco para nenhum de nós. A bebida não é como tomar um spanish fly – é mais como colocar um pijama hermeticamente fechado.


Apesar de tentarmos embebedar as garotas do bairro quando somos adolescentes para que possamos fazer aquilo com elas, na verdade, existe pouco prazer em fazer amor com uma mulher bêbada. Só fizemos na adolescência porque não havia outra possibilidade. Mas na cama uma mulher bêbada ou é totalmente inerte, deitada lá como um peixe morto, ou vai para o extremo oposto e imagina que está num remake de Atração Fatal e fica se balançando em cima da pia até ficar verde e perguntar: “Rápido, onde é o banheiro?”. De qualquer forma, você não está realmente transando com ela. Você está apenas comendo uma bêbada.


Mas, se existe uma coisa pior que uma mulher bêbada, é uma mulher de ressaca. Uma ressaca – boca seca, olhos doloridos, estômago revirado cabeça latejando e uma autodepreciação de doer – é ruim o bastante quando acontece com você. Quando acontece com uma mulher que acorda ao seu lado, é ainda pior. Quem quer acordar ao lado de alguém que está tão mal quanto você?

Então por que elas fazem isso? Por que as mulheres modernas – amigas, colegas, amantes – tentam beber como homens? Por que não conseguem se contentar com algumas taças de vinho espumante e uma porção de amendoim? Porque elas cresceram ouvindo as megeras escandalosas do feminismo dizendo que homens e mulheres são iguais. Tudo que podemos fazer, elas também podem. Nem fodendo. Homens e mulheres são iguais, mas definitivamente não são a mesma coisa. Quando as mulheres ficarem bem de bigode e mijando das janelas dos trens, eu estarei pronto para beber pra valer com elas.

Chegou a hora de todos os homens admitirem que não aprovam mulheres bêbadas. Lá no fundo, nenhum homem quer estar ao lado de uma mulher cambaleando, enrolando a língua, rindo alto, falando alto, flertando com qualquer coisa que se mova, vomitando no táxi a caminho de casa, e que em seguida mergulha numa depressão profunda. Nenhum homem quer sair com uma chata ou ir para a cama com um peixe morto. Nenhum homem quer uma mulher bêbada.

Elas nos constrangem, enojam e envergonham. E, mais importante, elas nos fazem derramar nossa bebida.

***** **** *** ** *

* Retirado do livro Disparos no Front da Cultura Pop - editora barracuda

quarta-feira, outubro 10, 2007

Comoção intelectual


Olá, há quanto tempo.


# Conforme antecipado pelo blogueiro aqui dia desses, saiu no meio da semana passada o line-up semi-completo da esperadíssima décima-terceira do Goiânia Noise Festival. Semi-completo por que, como dito posts atrás, a Trama Virtual está encarregada de selecionar e indicar dez bandas para votação, de onde sairão os últimos três nomes que faltam para tornar a lista completa. O festival acontecerá novamente nas distintas e superlativas dependências do Centro Cultural Oscar Niemeyer, mesmo espaço que abrigou com o charme e o conforto devidos, o festim do ano passado.


# # Um cedê comemorativo compilando vinte das principais atrações do festival será encartado na revista Outracoisa de novembro e celebra a chegada à adolescência da festa que começou em noventa e cinco.


Sexta-feira – 23/11/2007
Mugo (GO)
Seven (GO)
Barfly (GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Superguidis (RS)
Cooper Cobras (RJ)
Violins (GO)
Os Haxixins (SP)
MQN (GO)
Sick Sick Sinners (PR)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)
Rubín & Los Subtitulados (Argentina)
The Dts (EUA)
Pato Fu (MG)

Sábado – 24/11/2007
Woolloongabbas (GO)
Control Z (GO)
Valentina (GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Pelvs (RJ)
Sangue Seco (GO)
Kassin + 2 (RJ)
Perrosky (Chile)
Mechanics (GO)
Mukeka de Rato (ES)
Korzus (SP)
The Legendary Tigerman (Portugal)
Jupiter Maçã (RS)
Cordel Do Fogo Encantado (PE)

Domingo – 25/11/2007
Perfect Violence (GO)
Black Drawing Chalks (GO)
Rollin’ Chamas (GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Ecos Falsos (SP)
Damn Laser Vampires (RS)
Macaco Bong (MT)
Motherfish (GO)
Pata de Elefante (RS)
Spiritual Carnage (GO)
The Battles (EUA)
Motosierra (Uruguai)
Mundo Livre SA (PE)
Sepultura (MG)


# Do Mugo eu tenho falado com certa constância, os leitores disso aqui já devem ter percebido. A banda é uma feliz junção de despretensão e competência, estampada numa combinação de guitarras grossas, moshs violentos e doçura pop, que se não põe a originalidade em primeiro plano, ganha em carisma e honestidade artística.

O Superguidis lançou seu segundo disco meses atrás, A Amarga Sinfonia do Superstar, e a espontaneidade-juvenil-de-guitarras dos gaúchos promete muito mais diversão que o espetáculo estrambótico e saltitante do Móveis Coloniais de Acaju, que há uns cinco shows não aguça, nem deleita meu par de ouvidos, como fazia antigamente.


Os DT’s, magnífica banda de Bellinghan, são a cópula perfeita entre o pau-duro do hard-rock e a lascívia lubrificada da soul-music. Os fãs xiitas do Bellrays – que passou recentemente pelo Brasil e fez um show maravilhoso no último Porão do Rock –, que me perdoem, mas Diana Young e Dave Crider são uma dupla ainda melhor que Lisa Kekaula e Tony Fate.


E os mineiros abençoados do Pato Fu, desembarcam a turnê de divulgação do disco novo, Daqui pro Futuro – já devidamente investigado em texto aqui mesmo, alguns poucos posts atrás. Gosto de muita coisa da discografia do Pato Fu, sempre achei a música do casal mais simpático do pop nacional de uma franqueza e substância incríveis, e seu ápice genial, o imediatamente anterior Toda Cura Para Todo Mal, impressiona tanto pelo talento melódico quanto pelo detalhismo semântico. Esse é realmente imperdível.


# # No sábado, a lendária e longeva Pelvs vai ganhar minhas atenções e responder minhas enormes expectativas acerca do ótimo Anotherspot, disco que os cariocas lançaram no apagar das luzes de 2006, e que, com certeza, vai ganhar um lugar privilegiado na minha lista de melhores discos de rock de 2007.


Nas apresentações do Perrosky e do Kassin+2 eu também vou concentrar atenções, ainda que a receita João Donatiana moderninha de Futurismo, último disco do músico e produtor Kassin, não seja lá um grande sucesso nos meus music players. O grande lance é que o show promete impressionar, e quem sabe muda meu conceito em relação ao disco e me faz entendê-lo com outros ouvidos?



Korzus



O Korzus nunca foi realmente grande, mas é uma das bandas de metal mais respeitadas do país. A alcunha de Slayer brasileiro os acompanha há quase duas décadas (e isso é um elogio), e tamanha reverência faz muito sentido quando se tem obras-primas do cancioneiro extremo nacional como o matador KZS - de mil novecentos e noventa e cinco - na discografia. Desde dois mil e quatro divulgando Ties to Blood, primeiro disco de inéditas em nove anos, os paulistanos asseguram a velocidade e a grosseria que devem desenterrar thrashers há muito escondidos nos esgotos da cidade.


O blues toscamente cool do lusitano Legendary Tigerman e o espalhafato sofisticado e lisérgico do Júpiter Maçã também hão de divertir e deleitar esse par-de-ouvidos que vos escreve, antes do Cordel do Fogo Encantado, surpreendentemente, bancar o headliner de sábado.


# # # No domingo a farra instrumental de duas das melhores bandas da atualidade, a cuiabana Macaco Bong e a porto-alegrense Pata de Elefante, vão alegrar minha mente ventilada. Não vejo a grande Pata em ação desde o Goiânia Noise do ano passado, e rogo para que o recém-papai-deslumbrado Fabrício Nobre, garanta um pouco mais do que a meia-hora regulamentar para o trio gaúcho, já que em dois mil e seis trinta minutos não foram, nem de longe, suficientes para saciar as lombrigas sedentas do farto público que a banda mantém na cidade.


Já o Macaco Bong eu vi no Paraná – no Demo-Sul, em Brasília – no Porão do Rock, em Cuiabá, no festival Calango, e em Goiânia – na falecida Ziggy Box Club, e em todas as ocasiões a performance do trio me impressionou muito. É, ao lado da Pata, uma das maiores promessas do instrumental não-erudito tupiniquim.


Do line-up do décimo terceiro GNF, o Battles talvez seja o grupo que mais desperta minha curiosidade, em relação à performance ao-vivo. A precisão aparentemente caótica de suas “canções” é de uma elaboração intrincada e cerebral, dispensa grooves e andamentos convencionais e emociona pelo inesperado. Provoca uma espécie de comoção intelectual mesmo, coisa de mentes maníacas.


No Noise do ano passado, a paulistana Debate – que está com sua segunda turnê norte-americana agendada (mais sobre isso lá embaixo) – cumpriu maravilhosamente e com louvores esse papel esquisito e pouco digerível.


O Mundo Livre S/A, que eu não vejo em cima de um palco desde o primeiro semestre do ano passado, dificilmente decepciona de posse das atenções da massa. O grupo pernambucano é dono de uma das melhores fatias do pop brasileiro dos anos noventa, e anos dois mil adentro continua com o mesmo vigor estilístico, ainda que o discurso "esquerdizante" de Fred Zero-Quatro tenha ganhado muito em anacronismo e decepção.


E o Sepultura desfigurado de hoje em dia ainda dá um caldo grosso, mas o tesão de ver o conjunto sem nenhum dos Cavalera não é, nem de longe, o mesmo. Vi esse show meses atrás, em Brasília, e gostei bastante, ainda que a expectativa acerca da re-união musical dos irmãos Max e Ig(g)or Cavalera seja maior que qualquer notícia sobre esse Sepultura aí (apesar daquela Inflikted, música fraquinha que soltaram na internet, em agosto)





# Outro festival que divulgou seu line-up foi o Beradeiros, lá de Porto Velho – Rondônia. A Bruna, simpática produtora da festa, gentilmente convidou este blog para viajar até lá e acompanhar o festival in-loco. Portanto, a partir do dia dezessete de novembro este blog passa a reportar diretamente do norte do país, ali logo abaixo da floresta amazônica.


# # A lista do rega-bofe:


Sábado dia 17
18:00 Incinerador
18:30 Miss Jane
19:00 Emmou (Vilhena)
19:30 Guerrilha S/A
20:00 DHC
20:30 Celula'tiva
21:00 Made in Marte
21:30 HellFire
22:00 Recato
22:30 The Melt (MT)
23:00 Ultimato
23:30 Somos (SP)

Domingo Dia 18
18:00 Habeas Corpus
18:30 Innocence
19:00 One Weak
19:30 Di marco (Ji Paraná)
20:00 Leão Do Norte
20:30 Odisséia
21:00 Rádio ao vivo
21:30 Ferrovia Rock
22:00 Bicho Du lodo
22:30 Survive (AC)
23:00 A Fabrica
23:30 Veludo Branco (RR)



# há alguns dias o Sandoval, front-man do Shakemakers, entregou ao blog uma pré-master de seu primeiro disco, intitulado Rock n’ Roll é Bom Pra Mim. Trata-se daquele mesmo classic-rock atento aos clichês e com um quê de caricatura que tempera o resultado com muito bom-humor guitarreiro. Já me diverti horrores em shows do Shakemakers, mas quero ver como ficou a versão final e acabada do álbum, depois falo aqui se é, ou não, sucesso no Brasil.


# # hehehe


# Quanto ao disco novo que a incrível Pata de Elefante vai lançar na cidade em novembro, no Goiânia Noise, eu garanto que está ali entre os três melhores discos de rock lançados em dois mil e sete. É pura intensidade instrumental fornida de guitarras moduladas e aparelhada com uma cozinha freneticamente cardíaca. Coisa de clássico do rock mesmo.


# Ainda não ouvi In Rainbows - o disco novo do Radiohead - as zilhões de vezes que ainda vou ouvir nas próximas semanas, mas daqui a pouco coloco aqui algumas linhas sobre o álbum mais esperado de dois mil e sete, e que já girou uma meia dúzia de vezes no meu player. Todas as faixas da obra estão disponíveis para download no site do grupo, e o preço é, como você já deve saber, o que você quiser. Isso mesmo, você decide a quantia que quer pagar pelo track list completo. "Bela" sacada.

# # Mesmo assim, o meu eu consegui num link grátis.

# # # E que me desculpe o Radiohead, mas essa de "quer pagar quanto?" não é exatamente novidade aqui no Brasil.


# A revista Decibélica, da qual este blogueiro é um humilde colaborador, realiza no próximo dia vinte e sete a segunda edição do Circuito Decibélica, numa noite que reúne no centro cultural Martim Cererê, oito bandas e sete djs. Plebe Rude, Violins e Zefirina Bomba comandam a palco do teatro Pyguá, enquanto o Fabrício Psicodelic, o Beto decibélica (editor-chefe da revista), o Gustavo Vasquez (MqN) e este amigo digitador aqui transformam o teatro Yguá em pista de dança, com dj rock sets especialmente preparados para a noite. O recado é esse aí:

A equipe DeciBélica tem o prazer de apresentar:
**II Circuito Decibélica**

O Centro cultural Martin Cererê será palco de uma grande festa. No palco Pyguá grandes bandas da cena independente dividirão palco com um dos ícones do rock brasileiro: a Plebe Rude. O palco Yguá servirá como lounge e pista de dança, contando com a apresentação de renomados djs convidados!

Palco Pyguá – Electric Rock Set
Plebe Rude(DF)
Zefirina Bomba(PB)
Super Hi-Fi(RJ)
Violins
Valentina
Rollin’ Chamas
Black Drawing Chalks
Janice Doll(DF)

Palco Yguá - DJ Rock Set
Fabrício Psicodelic

Hígor Coutinho (GOIÂNIA ROCK NEWS)

Gustavo Vasquez (MqN)
Carol Maia (Meninas do Rock)
Beto Decibélica
Marcelle Vaz
Renzo Nery

Além de todas as atrações convidadas o Circuito DeciBélica trará uma super novidade!! Aguarde...

Dia: 27/10
Local: C. C. Martin Cererê



# # Vai perder?





Deceivers


# No último sábado fui conferir mais uma apresentação dos brasilienses do Deceivers, que já há algum tempo não apareciam nos palcos da cidade. O evento foi concebido para o público da carioca Matanza, e isso significa que as dependências do tradicional Clube Social Feminino – ali em frente a Praça do Cruzeiro, no setor sul, ficaram completamente abarrotadas de adolescentes de camiseta-preta sustentando orgulhosos, aquele olhar perdido dos embriagados. Quando consegui atravessar o mar de garotos e garotas e chegar ao salão social do clube, a Grieve exibia em volumes altíssimos o lado mais furioso e nostálgico do grunge, numa apresentação que me surpreendeu, ainda que tenha acompanhado de longe.


# # Quando o Deceivers ocupou o palco e abriu os portões do sub-solo do inferno, a massa púbere ligou a centrífuga de carne e só desligou o rodopio insano depois de quarenta minutos de bestialidade ultra-rápida. Acompanho o Deceivers desde o primeiro show que fizeram em Goiânia, coisa de dez anos atrás, lá no DCE da universidade federal. Daquela época ainda guardo Redrum, demo-tape que é o primeiro registro fonográfico dos candangos, e que contém uma música que não existe em nenhuma outra gravação do grupo, Sentence of Fear. Alguns anos depois, lançaram Third Machine, que processava toda aquela efervescência multi-cultural a que se permitiu a música pesada no fim dos anos noventa e começo do novo milênio, e que controlava a cólera demente do hardcore com a cadência e a manha do hip-hop.


# # # Mais alguns anos e a banda presenteia seu público crescente com Everbreathe, o mais bem acabado disco de música pesada de um conjunto do meio-oeste brasileiro, e um dos melhores da história recente nacional. Ainda mais brutalizado, o disco brinca com a velocidade do black metal e tempera a massa sonora com moshs hardcore tão empolgantes que podem causar ereções nos mais aficcionados, e quebra a atmosfera selvagem com sutis passagens rap.


# # # # Na noite de sábado, antecedendo o delírio adolescente do show do Matanza, apresentaram músicas inéditas e satisfizeram os fãs, ora com ‘sucessos’ mais recentes como Unsure, Everbreathe e Lungus Bleeding, ora com as ótimas lembranças de D.I.R.T.Y. e Akko. Não dá pra não gostar, se você tem alguma testosterona no corpo, seu organismo vai responder a um show do Deceivers.


# Pra terminar: Como disse lá em cima, a Debate, banda paulistana das mais inventivas e ousadas, está de passagem marcada para mais uma pequena turnê pelos Estados Unidos. No primeiro semestre estiveram lá em sua primeira excursão e tocaram no já famoso South By Southwest, festival texano em Austin, e ainda conseguiam um trocado em todos os outros shows que fizeram pela costa.


# # Desta vez a banda se apresentará na 27º edição do tradicional festival nova-iorquino CMJ - Music Marathon & Film Festival, e em outras dez ocasiões, viajando pela Costa Leste. A primeira data da turnê é quatorze de outubro em Pittsburgh na Pensilvania, depois NY, Rhode Island, Massachusetts, New Jersey, Virginia, Carolina do Norte e termina em St. Petersburg – Flórida, em vinte e sete de outubro.



#A Debate terá como companheira, em todos os shows, a banda norte-americana We Versus The Shark!, de Athens – Georgia.



Tenho que ir. Depois nos falamos.


Tchau.