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domingo, dezembro 31, 2006

Os melhores (e o pior) de 2006!


Satanique Samba Trio


# Como prometido, poucas horas antes do óbito do ano velho, segue abaixo a lista de melhores discos de 2006, de inteira (ir)responsabilidade do blogueiro aqui. Foram repetidas (quase obsessivas) audições para conseguir rankear tanto disco bom. Com o tanto de lançamentos legais nesse ano que se vai, daria pra fazer uma lista honesta de pelo menos 50 discos, é claro que reservando para a segunda metade da classificação, aquela atenção esporádica, e mais curiosa que admiradora. Mas deixando o papo furado de lado, segue aí o inventário:

Melhores Discos de 2006

Internacional
1° - Light Grenades – Incubus
2º - Revelations – Audioslave
3º - The Eraser – Thom Yorke
4º - Black Holes and Revelations – Muse
5º - Amputechture – Mars Volta
6º - Stadium Arcadium – Red Hot Chili Peppers
7º - Pica Seso – Vudú
8º - Enemies Like This – Radio 4
9º - Riot City Blues – Primal Scream
10º - Tah Dah – Scissor Sisters

Honras ao mérito:The Information, do Beck; The Greatest, da Cat Power; Shine On, do Jet; First Impressions of Earth, do Strokes; Return To The Cookie Mountain, do TV On The Radio; Timeless, do grande Sérgio Mendes; Saturday Night Wrist, do Deftones; Dimensions, do Wolfmother; From Under the Cork Three, do Fall Out Boy; Steep Trails, do Ankla.

Nacional
1º - Carrossel – Skank
2º - Estado Natural – Casa Bizantina
3° - Luxúria – Luxúria
4º - – Caetano Veloso
5º - Superguidis – Superguidis

Honras ao mérito: Transfiguração, do Cordel do Fogo Encantado; Seu Minuto, Meu Segundo, do Gram; Meu Samba É Assim, do Marcelo D2;


Banda Revelação:
O poderoso trio instrumental cuiabano Macaco Bong, que já exibiu sua música única e maravilhosa duas vezes em Goiânia, mas foi impressionar o blog lá no Paraná, no festival Demo Sul, em Londrina. Melhor descoberta do ano!


Melhores Shows em Goiânia Rock City
1º - Ratos de Porão fechando o Goiânia Noise Festival.
2º - Pata de Elefante no teatro Zabriskie.
3º - Mundo Livre S/A no Caverna Rock Club.
4º - Violins no Bananada.
5º - Los Porongas no Bananada.
6º - Casa Bizantina no circo Laheto, lançando Estado Natural .
7º - Fossil no Goiânia Noise Festival.
8º - Rollin’ Chamas fechando o Bananada.
9º - MqN no Zabriskie, lançando o single Buzz In My Head.
10º - Pedra 70 no Omelete Rock Club

Honra ao mérito: Satanique Samba Trio no Bananada; Olhodepeixe no Bolshoi Pub; Patrulha do Espaço no Goiânia Noise; Snooze no Goiânia Noise Festival; O Bando do Velho Jack no Bananada; Debate no Goiânia Noise.

*

# Como o digitador aqui acabou sobrando em Goiânia, o jeito vai ser curtir o reveillon por aqui mesmo. O DJ Öric, senhor dos black beats e distinto amigo do blog, promove hoje o Reveillon dos Amigos, festinha gastronômica esperta e que vai contar com sets refinados, dele próprio, do Fred Valle (Ex-Vícios da Era) e do Ivan (Ex-NEM). Este colega que vos digita também vai se ocupar das picapes e botar uns rocks dos bons pra dançar.


*


Em meio às festividades de final de ano, uma notícia pra lá de triste pegou muita gente boa de surpresa. O grande Ari Rosa, músico talentoso e compositor surpreendente, que empunhava seu violão na Umbando – ótima banda que combina a tradição dos ritmos brasileiros com a doçura e o azedume do rock n’ roll –, faleceu na sexta feira, dia 29. O blog não está completamente a par dos acontecimentos, mas o que corre é que o querido Ari foi assassinado. Chocado pela nota funérea, o blogueiro se despede sem a alegria costumeira, desejando profundamente que o amigo Ari esteja em paz.

*

De qualquer forma, feliz ano que vem procês.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

O frenético movimento dos rabos!


Marcelo Maia e seu contra-baixo na terça jazzy do Glória,
onde o blogueiro celebrou mais um aniversário.

Foto: Vivian Collichio

# Como você deve ter percebido, já vai uma semana desde a última atualização deste recinto negro com letras brancas que você ora lê. Mas a seqüência frenética de acontecimentos festivos dos últimos sete dias impossibilitou o blogueiro aqui de se sentar em frente ao computador para anotar o que quer que fosse. E olha que ainda temos um final de semana recheado de reveillon pela frente: os dois dedinhos pra cima em movimentos ritmados e contrários ao das pernas desnudas, vamolá...

# # Um dia depois da festa de lançamento da revista Decibélica nº 5 (que o blog incrivelmente perdeu) na quarta feira, a Cine Capri se apresentou no palco da Jump Alternative Club para quase ninguém. Menos de 15 humanos (o blogueiro incluso) faziam as vezes de platéia. Como reflexo disso o show foi desanimado, burocrático e ansioso pelo fim.

# # # Para a sexta feira, dia 22, o MqN havia reservado o teatro Zabriskie para o lançamento das Fuck CD Sessions, que em sua primeira edição revelou o single Buzz In My Head. Para a festa, os anfitriões convidaram a Black Drawing Chalks e a Bang Bang Babies. Com apenas duzentos ingressos disponibilizados, o pequeno teatro se enchia de gente ansiosa pela prometida noitada. A Black Drawing Chalks abriu os trabalhos, mas foi durante o pequeno intervalo que se seguiu à apresentação do grupo que o blog aqui se fez presente no lugar. Cerveja na mão, amigos cumprimentados e a Bang Bang Babies sobe no tablado para cometer seu divertido sobe e desce garageiro. Apesar de mais do mesmo, o quarteto goiano consegue chamar a atenção pela simplicidade e honestidade das canções, fortemente guiadas pelo rock de guitarras, com um pé no passado, mas com os dois ouvidos grudados no que acontece agora.

# # # # Apoteose da noite, o MqN ocupou o palco sob ovação de um grupo de fãs, que de tanta entrega já faz parte do show do quarteto em Goiânia. Hinos locais como Cold Queen, Baby Burn e Red Pills foram festejados com reverência, entre muitos moshs e banhos de cerveja. O esporrento single Buzz In My Head, motivo da festa, não desvenda nenhuma grande novidade, mas funciona muito bem ao vivo e garantiu o frenético movimento dos rabos, tão solicitado pelo nobre e arredondado vocalista. Completamente ensopada de cerveja, a banda deixou o palco ainda sob a aclamação de um cento de moleques suados, ofegantes e satisfeitos, prontos para festejar o natal.

# No natal em família do blog, tudo na mais perfeita ordem: reunião do clã Coutinho para beber litros de cerveja, tirar centenas de fotos, rir em doses cavalares, sacanear e ser sacaneado, ingerir quilos de carne mal passada de cadáveres animais frescos, e, no meu caso, responder dezenas de vezes que já cresci sim, mas não vou cortar o cabelo não... enfim, todas essas adoráveis coisas que só passamos na companhia dos nossos. E o seu natal, como foi?

# # Dia 26, logo depois da ressaca do natal, este amigo que vos tecla celebrou mais um ano de vida, completando assim a preocupante marca de vinte e sete carnavais, sete copas do mundo e milhares de shows de rock guardados na memória. Para comemorar a data, o blogueiro se reuniu com os amigos lá no Glória, pra tomar o melhor chopp da cidade, fumar charutos indígenas e assistir ao poderoso jazz trio que é residente da casa e todas as terças feiras promove a recriação improvisada do melhor que o gênero já produziu. Um beijo pra Vivis, pra Sol, pra Érika e pra Isabella, companheiras da farra aniversária e que presentearam o amigo aqui com um belo medidor de cachaça, daqueles de pendurar na parede. Muito agradecido pelo mimo!

# # # Ainda em ritmo de festa (né Sílvio?), o blogueiro se despede prometendo desovar aqui uma porção de informações supimpas, assim que janeiro chegar. Bota fé?

# # # # Reveillon? Pois é, não sei. Tinha decidido ir pra São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, pra ver os shows das ótimas Olhodepeixe e Pedra 70, mas desisti hoje de manhã. E você, o que vai fazer? Faz aí um convite super pro blog aqui, rola não?

# Antes de 2006 suspirar pela última vez, o blogueiro publica a lista dos melhores do ano, que este espaço negro com letras brancas elaborou com tanta cautela, sensibilidade e encanto (2006 foi um ano farto em vários quesitos). No próximo post tá tudo aqui, beleza?



# # Então é isso, se não nos vermos antes, um feliz 2007 procê, com muitos decibéis de respeito, ótimos filmes e livros legais ao seu redor. Feito?




P.S.: Por falar em livro, comprei esses dias o quase clássico Pinball (cuja primeira edição data de 1982), romance onde o polonês-americano amigo do George Harrisson, Jerzy Kosinski, põe na mão de Patrick Domostroy – o protagonista da trama – a quase impossível tarefa de descobrir a identidade de Goddard, um astro do rock que mantém tudo sobre si – exceto sua música – em rigoroso sigilo. Ainda tô no primeiro terço, mas do jeito que a leitura anda saborosa aposto que essas trezentas e tantas páginas vão pro saco rapidinho. Depois te falo.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Sete, Catorze, Vinte e Um!




Pois então, chegando o natal né? Fartura gastronômica e boa vontade pra dar e vender, não é isso?

# Sábado passado aconteceu no pátio da Redrum, ali em frente ao bosque do Goiânia Shopping, o mini-festival Decibélica Rock n’ Rum, parceria da revista com a loja de moda rock para promover tardes de muito barulho. A primeira a se apresentar foi a Cine Capri, grupo que cativou o blogueiro ainda no seu nascedouro, mas que passou por modificações e agora revela as cicatrizes do renascimento. Se por um lado as músicas perderam um tanto daquele peso - que contrastava adoravelmente com a delicadeza dos teclados e vocais -, por outro lado ganharam nos detalhes, na costura sutil mas eficiente da guitarra de Thiago Calegari, o novo componente do conjunto. Com três músicas novas no repertório, a banda precisa agora de um disco, virtual ou não, para alimentar sua relação com o público.

# # Logo depois deles, Diego Moraes, o vencedor do concurso Tacabocanocd, se apresentou sem o acompanhamento de sua irmã de treze anos na bateria. Escoltado apenas por seu violão, o rapaz não se intimidou e exorcizou qualquer tensão cumprimentando a platéia aos gritos, perfilando logo depois sua farta carta de ironias e pilhérias em forma de canção. Num primeiro momento pode-se fazer uma associação do mancebo com o afamado Raul Seixas, mas o blog sugere uma referência mais próxima: comentava-se ao lado do palco – numa roda de amigos que, debaixo do sol causticante, bebiam a cerveja em grandes goles – que o garoto parecia uma versão mirim do legendário Carlão, vocalista e performer do Vó Delmira. Aparentemente imune às comparações, o moçoilo palhetou seu instrumento com a desenvoltura que poucos conseguem ter, e conquistou a molecada que se escondia do sol em qualquer sombra disponível para melhor assistir sua apresentação. Depois do show, Fabrício Nobre da Monstro Discos perguntava sorrindo: “ Cadê aquele moleque doente mental que acabou de tocar?”. Terá o garoto cativado o nobre monstro?

# # # Depois de toda essa sandice voz e violão, a Goldfish Memories plugou suas guitarras e despejou sua massa sonora compacta e acelerada ladeira abaixo, seguidos pelo noise guitar do Motherfish.

# # # # Pra fechar a bagaça, a Bella Utopia. Estava até curioso pra assistir, já que tinha ouvido comentários bem depreciativos, mas por outro lado havia escutado gente com “gosto confiável” defendendo a banda da moça. Mas a comprovação veio em forma de imitação pobre de quase tudo o quê de pior há no rock atual. Hora de tomar cerveja com os amigos, jogar conversa fora e assuntar sobre a noite de sábado.

# No domingo, a Pedra 70 se apresentou no Bolshoi Pub, logo depois da discotecagem do amigo aqui. A banda, como boa parte do povo que lê isso aqui já sabe, recria clássicos do rock brasileiro dos anos sessenta e setenta, imprimindo uma cara própria mas respeitando as gemas dos nossos gênios do período. Não completamente lotada, mas com um público numeroso, a casa ainda abrigou o set de black music e afins do amigo e dj, Matias, que se ocupou da pista após o fim do show. Noite feliz!

# Semana pré natal cheia de eventos rock. Amanhã a festa Decibélica Apresenta! leva para o palco do Bolshoi Pub (Av. T-2, setor Bueno) o sempre ensandecido show do Rollin’ Chamas, mais a discotecagem do DJ Spavieri (SP) e das Meninas do Rock. Na quinta feira a Cine Capri faz as honras na comemoração dos 10 anos da Jump Alternative Club (av. República do Líbano, 1742, setor Oeste), com entrada free até a meia noite. Já na sexta feira o MqN lança o single Buzz In My Head, estréia das Fuck CD Sessions, com um show que se promete devastador, ao lado das também locais Bang Bang Babies e Black Drawing Chalks, lá no teatro Zabriskie (rua 148, nº 248, setor Marista). E pra fechar, no sabadão, a estréia rock do novíssimo Club Fiction(av. 87, setor Marista), com a festa Turn It On, onde os DJs Tony Sedex, Outsider, Fabrício Nobre e Jhonny Suxxx se ocuparão de não deixar ninguém parado, com o melhor do Garage, New Wave, indie, Samba Rock, Soul e afins.

# # No domingão é só relaxar e aproveitar a refeição do ano, rindo das gafes que sua família adora cometer reunida. Programação rocker abundante nesses últimos suspiros de 2006. Vai perder?

*

# Conhece Toda Cura Para Todo Mal, disco que Pato Fu lançou ano passado? Pois é, além de ser um discaço, tem alguns pequenos tesouros do lirismo pop ali. Se você conhece Amendoim, sabe que tudo ali combina: letra e música copulam com apuro simétrico e o resultado é um perfect pop que emociona. A Introduçãozinha leva a memória diretamente a Wynton Marsalis e toda aquela fantasia gostosa do Snoopy, e o que se segue é diversão instrumental pura e simples, desenhada debaixo de uma despretensão poética geniosa e genial. Se você não conhece, vai lá no Emule, faça um download ishhperto e cante comigo:

Amendoim – Pato Fu
John Ulhôa


Acho que sou um cachorro sim
Acho que sou um cachorrim
Minha vida vai
Um ano contam sete
Rumo ao fim
Acho que ninguém tem dó de mim

Quase não me sobra tempo algum
Não conheço bem lugar nenhum
Fora do trabalho
Eu acho essa cidade
Tão ruim
Acho que ninguém tem dó de mim

Todo dia nasce um bebê
Pra dividir a vida com você
Todos os dias vão nascer
Bebês com meia vida pra viver

Todos os dias vão nascer

Ié ié ié!

Sou tão dedicado a ser comum
Anos vão passando um a um
E o tempo pela frente
Comigo é diferente
Conto assim:
Sete, catorze, vinte e um

*

Te vejo amanhã lá no Bolshoi, combinado?

sábado, dezembro 16, 2006

Acordar pra dormir de novo!


Rob Gordon e Laura, par romântico (?) de Alta Fidelidade


# Hoje, sabadão à tarde, acontece no pátio da Redrum, a festa Decibélica Rock n’ Rum, com presença das bandas Bella Utopia, Cine Capri, Adrenalina, Goldfish Memories e do vencedor do concurso Tacabocanocd. Além disso tudo, o blogueiro aqui comanda as picapes e bota o melhor do rock em vinil pra tocar. O detalhe esperto, é que toda essa programação vespertina aí é completamente free, você só precisa desembolsar o da birita. Levanta esse traseiro gordo daí e vai mexer o rabo lá!

# # Já amanhã, domingão a partir das 20 hs, o blogueiro bota um som pra dançar no Bolshoi Pub, antes do show da ótima Pedra 70, que ocupa o palco a partir das 22 horas com suas recriações saborosas do rock brasileiro dos sixties e seventies. Pra essa noitada dominical, qualquer humano de posse de míseros dez reais está mais que convidado. Vai lá ouvir um rock velhote, vai... ho ho ho

*
(...)

Acordei no meio da noite. Aliás é muito comum eu acordar no meio da noite, adoro emergir da inconsciência do sono, para tomar consciência de que ainda posso usufruir dela por horas. Enfim, adoro acordar pra dormir de novo, e quando ia subir no colo da modorra novamente, dei de cara com os contornos dela. Nua e bela, oculta somente pela penumbra carinhosa da madrugada. Preferi lutar contra a sonolência e não voltar a dormir, deixei-me envolver pelo isolamento confortável daquela antemanhã ao lado dela e num exercício estóico, pus-me a contemplá-la com o rigor dos religiosos.

(...)

***

Bêjo procês!

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Punk Rock Christmas


Johnny Suxx em Cuiabá
Foto:
Vini Mania


# E então, beleza pura?

# # Bom mesmo é o Riot City Blues, ‘novo’ do Primal Scream – lançado no meio do ano -, e que andava meio esquecido pelo blog. Esse álbum, que é a mescla perfeita das sonoridades do moderno rock britânico que bebe mais dos setenta que dos oitenta, pitadas de blues e r&b mais as eletronoquices de sempre (aqui usadas como condimento circunspecto) – é outro que vai ganhar uma boa colocação na lista de melhores discos de 2006 deste blog. As chacoalhantes e stoneanas Country Girl e Nitty Gritty, ou os garage blues The 99th Floor , e Dolls (Sweet Rock and Roll) arrasam qualquer pista de dança decente, tipo com todo mundo dançando batendo palminha e pá...

# # # Já Weekend In the City, novo do inglês Bloc Party não está dando conta do recado. Suas ambiências e colagens não convenceram o blogueiro, que até gosta de Silent Alarm, o debut do grupo, mas tem achado sua continuação cada vez mais chata.

# # # # Mas cá pra nós, bom meeeesmo é o Light Grenades, novo do Incubus. Já ouviu Anna Molly, e Rogue né?

# Mudando de assunto...

# # Pois é, o Hang the Superstars acabou. O blog aqui nunca foi fã do grupo, mas já assistiu algumas apresentações bem divertidas dessa que era uma das bandas mais toscas da região. A Eline, backing vocal da extinta, ventilou no Orkut a possibilidade de montar uma nova banda, dessa vez de psychobilly e ao lado de Léo Bigode, baterista dos Trissônicos e sócio da Monstro Discos.

# E então, assistiu ontem no Multishow Music Live, o show do Scissor Sister em Londres? Pois então, os novos ‘donos’ da disco music, adorados também pelos roqueiros mais curiosos e menos ortodoxos, são bons mesmo de palco e enumeraram vários hits de Tah Dah, seu ótimo último álbum, também concorrente na tal lista de melhores do ano. I Don’t Feel Like Dancin’, Paul McCartney e She’s My Man, além de outras de Filthy and Gorgeous, faziam tudo parecer uma imensa versão indie de um dos shows show da Glória Gaynor ou do Abba. Sensacional!

# # Viu que o Violins tem disponibilizado versões acústicas de algumas das canções do ainda não lançado Tribunal Surdo? Pois é, na comunidade da banda no Orkut, o Beto Cupertino está fazendo mais essa gentileza. Piloto Russo na Aldeia Suskir é excelente de qualquer jeito, até assim magrinha, só com violão e voz. Já pensou, Violins fazendo som de barzinho? Pra ouvir comendo um spetim... hehehe


# A Fósforo Records, novíssimo selo da cidade, apresenta seu estúdio próprio, onde as bandas do seu casting poderão realizar gravações com mais conforto. Além de estúdio, a intenção do selo é de que o lugar vire ponto de encontro dos humanos que movimentam a cena goianiense. O blogueiro aqui está mais que curioso para conhecer o tal estúdio, que fica ali na avenida Ricardo Paranhos. Em breve Bang Bang Babies, Technicolor e Diego de Moraes, vencedor do concurso Tacabocanocd, estréiam na casa.

# # O selo ainda informa que em brevíssimo disponibiliza a primeira gravação do novo estúdio, dos locais Johnny Suxxx and the Fuckin’ Boys tocando Punk Rock Christmas do Sex Pistols, canção que constará no track list da coletânea de natal da revista eletrônica Urbanaque ( http://www.urbanaque.com.br/ ).



*

É, acho que é isso! Até a volta.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme


Cine Capri

# Aconteceu ontem na praça Universitária a celebração dos 46 anos da Universidade Federal de Goiás. Para animar a festa foram convidados vários grupos da cidade, de rock ou não.

# # O NEM (que cogita fortemente uma mudança de nome), de baterista novo, transformou sua sonoridade e recria-se a partir de correspondências hermanas e wezzerianas. Apesar do praticamente imprestável equipamento de som, o trio conseguiu fazer com que os humanos prestassem atenção e descobrissem o evidente progresso do novo formato; canções bem resolvidas e covers espertos ganharam a simpatia do povo rock e de incautos de plantão. Depois do show o grupo contou para o blog que acaba de gravar quatro novas músicas. Logo logo mais notícias sobre todas elas aqui.

# # # Seguindo, a Olhodepeixe tomou o palco e tentou também superar a precariedade do equipamento com as músicas de seu primeiro disco, algumas ótimas canções novas e releituras de Milton Nascimento (O Que Foi Feito Devera) e Faith No More (Diggin’ The Grave e Ashes to Ashes). Para dia 04 de janeiro, na primeira apresentação de 2007 em Goiânia Rock City, a banda promete reeditar o show tributo ao Faith No More, realizado com um sucesso retumbante em novembro, lá no Bolshoi Pub, que abriga também essa segunda edição.

# Light Grenades, o novo do Incubus, parece que vai mesmo ganhar o topo da lista de melhor disco de rock do ano. Ainda que o From Under The Cork Tree do Fall Out Boy, o Tah Dah do Scissor Sisters e o A Weekend In the City do Bloc Party também tenham frequentado os players do blogueiro essa semana, o titular absoluto foi mesmo o grupo de Brandon Boyd. Já era completamente viciado no A Crow Left Of The Murder, e achava que seria difícil superarem tamanha concentração de ótimas canções num único álbum, mas parece que se não superaram, pelo menos conseguiram um resultado tão brilhante quanto o anterior.

# # Bandas na prateleira à espera de um espaço na tela de Goiânia Rock News e que em breve aparecem por aqui: de Belém, Garagem 32 (ídem) e Stereoscope (O Grande Passeio do Stereoscope). De Londrina, Droogies (Street Striper) e Ouvidos Calados (Seres Super Sensíveis). De Maringá, o Stoned Sensation (Yellow Monkey) e a A VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia. De São Paulo, Debate (idem).

# # # Do selo goiano Allegro Discos, logo o blog exibe comentários sobre Reino Fungi (E o Clube do Chá Dançante), banda lá de Joinville, e sobre a pretensão da gravadora de lançar num disco as canções de Yon Lú, compositor adolescente suicida lá do Rio Grande do Sul. Além de Eu Não Sou Cachorro Mesmo, disco tributo aos cantores cafonas da nossa mbpbb (música bem popular e bem brasileira) dos anos setenta. Confere aí o line up dessa compilação:

1) Clã - Tortura de Amor (Waldick Soriano)
2) A Euterpia - Você gosta de mim (Raimundo Soldado)
3) Silvério Pessoa & Reginaldo Rossi - Borogodá (Deixa de Banca)
4) Rádio de Outono - De que vale ter tudo na vida (José Augusto)
5) Móveis Coloniais de Acaju - Sorria, Sorria (Evaldo Braga)
6) Érika e as Telecats - Ainda queima a esperança (Diana)
7) The Darma Lóvers - Retalhos de Cetim (Benito Di Paula)
8) Laranja Freak - Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme (Reginaldo Rossi)
9) Los Diaños - Você é doida demais (Lindomar Castilho)
10) Wado - Moça (Wando)
11) Fino Coletivo - Eu te amo meu Brasil (Dom & Ravel)
12) Frank Jorge - A dama de vermelho (Waldick Soriano)
13) Lula Quiroga - Aparências (Márcio Greyck)
14) Clube do Balanço - Porta Aberta (Luiz Ayrão)
15) Colúmbia & Polar - Porto Solidão (Jessé)
16) Ramirez - Meu pequeno amigo (Fernando Mendes)

* Parece que o Wado teve que abandonar a canção do Wando, pois o cantor de Deixa Eu Te Amar não permitiu alterações na letra de Moça, música escolhida pelo alagoano.

# # # # Matéria completa sobre os lançamentos da Allegro Discos na primeira edição de 2007 da revista Decibélica. Combinado?


# Sábado que vem, dia 16, a revista Decibélica promove uma tarde de muito rock no pátio da Redrum, ali la T-5 em frente ao bosque do Goiânia Shooping, com apresentações da bandas Bella Utopia, Goldfish Memories, Adrenalina, Cine Capri e da vencedora do concurso TacabocanoCD, além da discotecagem rocker do blogueiro aqui. E tudo isso na faixa, totalmente free. Programão prum sábado à tarde hã?

# # A gente vai se falando, mas de qualquer forma espero você lá, beleza?


* Então falô!

domingo, dezembro 03, 2006

Um papo com a Pata!



# E então, já escutou Light Grenades, novo do magnífico Incubus? Pois é, desde o começo da semana que ele roda sem parar no player aqui. Anna Molly - o ótimo primeiro single -, e a desconcertante Rogue, dão uma pista de continuação estética do esplêndido A Crow Left Of the Murder, de 2002. Ainda é difícil dizer, mas essa bolachinha é forte concorrente nas listinhas de melhores do ano, que já já dão as caras cá no blog (e no resto do planeta também). Dá uma olhada no clipe arrepiante de Anna Molly: http://www.youtube.com/watch?v=vCI6qXOEHPM

# # Pra essa tabela dos melhores ainda tem muita, mas muita coisa boa. Uma panorâmica nos lançamentos do ano, destacam de pronto os novos de Chili Peppers, Mars Volta, Radio 4, Audioslave, Muse, Vudú, Scissor Sisters, Cat Power, Deftones, Jet, Thom Yorke, etecetera, etecetera, etecetera...

# # # Quem quiser manifestar sua própria arrumação de preferidos do ano, sinta-se à vontade. Gosto é mesmo que nem bunda: uns tem, outros não!

# # # # Hehehehe. Brincadeira.

# Por falar em melhores do ano, um dos concorrentes citados lá em cima, o argentino Vudú, impressionou muito o blog num show lá em Londrina, norte do Paraná, durante o festival Demo Sul. Saí de lá com dois álbuns do grupo, Sueños Elétricos, de 2003 e PicaSeso, de 2006. Sueños Elétricos é um arranjo de riffs ganchudos e suíngue bailarino, cheio de miudezas instrumentais saborosíssimas. Uma mistura dos melhores momentos do Black Crowes, com roqueirices dos anos dourados do Deep Purple.

# # Pica Seso, lançado no meio do ano, é a síntese aperfeiçoada do hard rock de arena de Van Halen e seus coleguinhas, com toda a sensualidade e apelo setentista do grande Grandfunk. Guitarras abrasivas, solos melodiosos e cozinha cardíaca, sem masturbações, mas com uma capacidade instrumental impressionante. Tudo muito bem cantado em castelhano. A identidade gráfica da banda, tanto nos charmosos cedês em digipack, como no site, também é de uma elegância de dar gosto. Dá uma sacada lá: www.vudurock.com.ar

# A Weekend in the City é o nome do novo do Bloc Party (pelo menos tudo indica que sim), que será lançado oficialmente somente em fevereiro, mas já circula fartamente na net. O segundo álbum do grupo de Kele Orekeke soa bem diferente do festivo e oitentista Silent Alarm, do ano passado. A Weekend in the City é repleto de camadas, atmosferas e colagens, texturas eletrônicas e ares intimistas. Pode desagradar os fãs da dancefloor frenética do debut, mas com certeza vai puxar umas sardinhas novas pro seu lado. O produtor convidado para lapidar a bolachinha foi Jacknife Lee, que já trabalhou com o U2 e Snow Patrol.

# Mudando de assunto. Vou reproduzir aqui um recado que o Frederico Mika, baterista da Sunroad, mandou para o blog:

Saca essa: Sunroad reconhecido na Itália como uma das principais bandas de rock brasileiras de todos os tempos: http://www.rock-impressions.com/sunroad1.htm

Um abraço


# # E aí, concorda?

*

Velha conhecida do público roqueiro goiano, a Pata de Elefante devastou o que pôde em meia hora de esporro instrumental, durante a última edição do Goiânia Noise Festival. Após a explosiva apresentação, dispensando atenção para a imprensa televisiva e autografando discos para os fãs, o grupo gaúcho – que é chapa do blogueiro de outros carnavais – fez questão de atender a audiência sempre exigente de Goiânia Rock News, e conversou com o blog exibindo a simpatia de sempre. Um resumão do papo está aí embaixo, vai lendo.


A Pata lançou seu primeiro disco em 2004, qual a avaliação que vocês fazem da repercussão dessa estréia?
Gustavo Prego –
Excelente cara, muito boa mesmo! Antes do disco a gente já vinha conseguindo aparecer no cenário brasileiro, mas com ele eu acho que isso se firmou de uma outra maneira, com uma receptividade excelente. E acho que ainda vai repercutir muito.

Disco novo pra 2007?
Prego –
Previsão de lançamento pra março ou abril do ano que vem. Preparem-se...
Gabriel – Está quase pronto, estamos terminando de gravar.

E esse envolvimento da Pata com trilhas sonoras para cinema?
Prego –
É, a gente vem fazendo algumas coisas, e o mais importante é que queremos continuar fazendo. Soltaram vai entrar num longa de um cineasta gaúcho, o Gustavo Spolidoro, que já foi premiado no exterior e é de uma produtora lá de Porto Alegre, chamada Clube Silêncio, que fez o último filme do Beto Brant que é baseado num livro chamado Até o Dia em que o Cão Morreu [N. do E.: de autoria de Daniel Galera]. Tem um curta dele em que entrou Soltaram também, ele é fã dessa música.

E fizemos também uma trilha específica também para O Gabinete do Doutor Caligari, que é um filme expressionista alemão, dos anos 20... executamos a trilha ao vivo, lá em Porto Alegre. Tem a estória do Surf Adventures II, que tá pra rolar uma música nossa.
Gabriel – Já fizemos trilha pra teatro também...
Prego – Vai rolar um curta metragem sobre a Pata, com uns quinze minutos de duração, que parte de um show nosso lá em Porto Alegre, mais umas entrevistas com a banda.

Vocês também fizeram a trilha para um comercial da Mormaii né?
Gabriel –
É, a gente compôs especificamente pro comercial mesmo. Não é um jingle, é um BG mesmo, sem letra.

E a agenda de shows?
Gabriel –
Ontem estávamos em Curitiba, hoje aqui e amanhã em São Paulo, se os aeroportos ajudarem (risos)

E como foi se apresentar mais uma vez no Goiânia Noise?
Daniel –
Bah, demais! Como sempre. Quinta ou sexta vez em Goiânia, já estamos em casa. São um ou dois shows aqui por ano, que são pra lavar a alma!

E essa estória do Expresso do Rock?
Prego –
É um ônibus que saiu lá de Porto Alegre, com quatro bandas, Pata de Elefante, Locomotores, Identidade e Jeans. A gente está na estrada com eles e se encontra de novo lá em São Paulo, pra tocar no vale do Anhangabaú. E isso aí vai virar documentário também. Acessem http://expressodorock.blogspot.com

* * *

Então inté!

quarta-feira, novembro 29, 2006

Assembléia hardcore.


BNegão e os Seletores de Freqüência
Foto:
r0cket.multiply.com


* Goiânia Noise Festival

# Domingo, terceiro e último dia de farra, cansaço acumulado e muitos shows ainda pela frente. Atrasado por causa da chuva, o blog se viu presente no Oscar Niemeyer a tempo de matar a enorme curiosidade a respeito dos cearenses da Fossil. Post rock instrumental intenso, sobrecarregado e repleto de minúcias, extendido em temas longuíssimos que conduziam, sempre, ao transe hipnótico. Climatizações e atmosferas geladas, encadeadas de uma forma tão bonita que inspiravam as mais diversas sensações em quem se deixava envolver. Espetacular!

# # Já haviam se apresentado, Obesos, Mersault e a Máquina de Escrever, Johnny Suxx n’ the Fucking Boys, Supergalo e Crazy Legs.

# No palco Noise o Carbona consumia energia adolescente com seu hardcore cheirando chiclé de bola, enquanto os cariocas da Maldita preparavam terreno para seu show de horrores. Numa salada que envolve Marylin Manson, Sepultura, Metallica, Portishead, Tolerância Zero e um tanto mais de bizarrices, o grupo prendeu a atenção de centenas, cometendo sua performance insana regada a sangue de groselha e solo de bateria incandescente. Marcante, pra dizer o mínimo!

# # Mais uma vez voltando ao palco Noise e aos problemas com o som, a Valentina tentava derrotar a distância e aquecer o menor público dos três dias. A banda lançou no festival o seu disco de estréia, mas sem conseguir inflamar seu pequeno público cativo, ficou mesmo no zero a zero.

# # # Entrando no apogeu do fim da farra, BNegão e Os Seletores de Freqüência fizeram as honras, com suas melodias impregnadas de setentismo black power, rimas urbanas e requinte de gafieira. Nova Visão, Dorobô, Prioridades e A Verdadeira Dança do Patinho, entre algumas novas e outras pepitas de Enxugando o Gelo, mostraram que o caldo do Planet Hemp rendeu bem mais que a prolífica e talentosa carreira solo de Marcelo D2.

# Fechando a tampa dessa décima segunda – e bombada – edição do Goiânia Noise, o Ratos de Porão levou novos e velhos fãs ao júbilo. Aglomerada e espremida no gargalo do palco Noise, a caravana agacê confraternizava entre adolescidos rapazotes, e (quase) respeitáveis senhores, que ao longo dos anos aprenderam a amar os sons coléricos e estúpidos de João Gordo e companhia. Para essa parte mais velha da turma, o RDP reservou canções como Pobreza, Cucificados pelo Sistema, Caos, Agressão/Repressão e Não Me Importo, todas de Crucificados Pelo Sistema, primeiro e clássico álbum do grupo. Mas não faltaram os esporros de Homem Inimigo do Homem, disco mais recente, e motivo dessa turnê.

# # Relembraram com a violência devida, pérolas de Descanse em Paz e Anarkophobia mas, como era de se esperar, não incluíram nenhuma do magnífico Just Another Crime... In Massacreland, único registro da banda em inglês, e talvez por isso ignorado.

# # # João Gordo ainda encontrou energia para discutir com um dos milhares de moleques que insistem, sabe-se lá por quê, em detratá-lo e chegou a atirar o microfone no rumo da criança, que não sei se sobreviveu... ao vexame. Felicitou pessoalmente e com bom humor uma das seguranças, que corria com rigor atrás daqueles ultrapassassem a área permitida para os moshs e invadissem o espaço reservado para a banda e manuseou a assembléia hardcore como quis. Vinte e cinco anos de palco servem pra alguma coisa, afinal!



* Abraços para os amigos da estrada, Coruja (ex baixista do La Pupuña) e Léo Rockassete (baterista dos Rockassetes), que entraram para a lista de bródis do blog ainda em Londrina, durante o Demo-Sul, e visitaram Goiânia Rock City durante o festival.

O mercado dos Bons Sons!


Pata de Elefante
Foto:
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* Goiânia Noise Festival

# Dando início às atividades da segunda noite, a goianiense Bang Bang Babies entornou seu rock sujo, cheio de adoráveis garagices britânicas moderninhas, e conseguiu reunir um bom número de humanos diante do palco Monstro, apesar do dia ainda claro. Depois deles, a também local WC Masculino mastigou seu hardcore raivoso e cheio de discurso para a mesma platéia, que agora rodopiava nas rodinhas de pogo.

# # O público do sábado anunciava-se beeem menor do que o do dia anterior (notícia que Fabrício Nobre deixara escapar durante o show do MqN), e nem a estratégia de botar uma banda com grande apelo popular como o Violins pra tocar mais cedo, fez com que o grosso da moçada também antecipasse sua chegada. Assim, Beto Cupertino e sua turma fizeram as honras de abertura do palco Noise para pouco mais de cem pessoas. Apresentando basicamente músicas de Tribunal Surdo, disco que deve ser lançado depois do carnaval, o grupo não conseguiu vencer o distanciamento, o pouco público, e o som que insistia em não colaborar. Na maioria do tempo, o contra-baixo e os teclados simplesmente se escondiam por entre a confusa massa sonora de guitarra, bateria e vocais, e isso num volume incrivelmente baixo. Já quase no final a coisa pareceu se ajeitar, mas a essa altura pouca coisa adiantou.

# # # Mesmo assim o conjunto empolgou os fãs mais devotados, com canções como Hans, Grupo de Extermínio de Aberrações e Campeão Mundial de Bater Carteira.

# De volta ao palco Monstro, lá fora, a banda com o nome mais estranho do festival, Debate, se revelou uma grata surpresa, num mix impensado de Zumbi do mato com Fugazi, arranjado entre lembranças de Mars Volta e At The Drive In. Vocais gritados (e às vezes irritantes), guitarra impaciente, baixo exagerado e bateria ultra-picotada e exata. Segundo o grupo, estão atrás da criação de uma sonoridade de centro esquerda, que não rompa com os conservadores e respeite as leis do mercado! Hã?

# # Para um público que começava a crescer, o Los Diaños adiantou sua receita de psychobilly, jazz e surf music, seguidos pelos brazilienses do Prot(o), que continuam cosendo seu rock com água, sal e açúcar.

# No primeiro grande, e esperadíssimo, momento da noite, os gaúchos da Pata de Elefante tomaram posse do imenso palco Noise e reuniram quase que a totalidade das almas presentes no festival, num desbunde instrumental espremido em meia hora de êxtase. Soltaram, Funkadelic e O Dia em Que a Casa Caiu, entre algumas poucas outras, não satisfizeram por completo o séqüito de adoradores que a banda mantém na cidade. Quem sabe um outro show, daqueles demorados e sem hora pra terminar?

# # Sucedendo a Pata, o hardcore duro e mal-passado do Ação Direta reclamou a atenção de quem estava por perto do palco Monstro, sucedidos pelo Mechanics, que se esforçaram para entreter a pequena multidão que começava a se aglomerar dentro do Palácio da Música, esperando pela Patrulha do Espaço, e pela grande Nação Zumbi.

# # #Os tiozões da Patrulha do Espaço são uma espécie de baluartes do rock independente nacional. Pra quem não conhece a estória, eu explico: numa época em que o mercado fonográfico era completamente dominado pelas grandes gravadoras, e que esquemas independentes de gravação e distribuição eram inexistentes, a Patrulha do Espaço (que nasceu com o guru Arnaldo Baptista, que menos de um ano e dois discos depois abandonou a banda) se viu obrigada a gravar, lançar e distribuir por conta própria seus discos, antecipando em décadas o modus operandi que, hoje, injeta sangue novo no mercado dos bons sons (como diria o reverendo) do novo milênio. E tudo isso, é justo lembrar, numa época em que internet era coisa inimaginável até nos filmes de ficção científica.

# # # # O show dos lendários não poderia ser de outra forma, senão impecável. É bem verdade que depois da saída do Arnaldo, ainda em 78, o grupo abandonou sua aventura psicodélica, redirecionando suas antenas para o hard-rock cru e dançante, e assim também foi sua apresentação em Goiânia. Ainda que homenageassem Arnaldo com Sexy Sua, do álbum Elo Perdido (1978), o que reinou no repertório foram as guitarras azedas, a cozinha cavalgante e os vocais agudos, que culminaram no clássico de arena Colúmbia, aplaudido com arrebatamento pela platéia satisfeita.

# A Nação Zumbi também é velha conhecida dos goianos, e se o público do dia anterior havia sido muito maior, aquele que esperava pelos pernambucanos não perdia nada em entusiasmo. O blogueiro aqui já se encontrava em frangalhos, de tanto correr de um lado para outro atrás de shows e entrevistas (que logo logo estarão aqui publicadas), e por isso perdeu metade da apresentação do ex-grupo de Chico Science. Aliás, o defunto aí foi relembrado mais de uma vez durante a apresentação, em versões de vários dos hits de Afrociberdelia e Da Lama Ao Caos, desgastados pela super-exposição, mas recriados com tanto frescor e intenção, que estimulou os sentidos como coisa nova. Antropofagia re-processada.

# # E, por falar nisso, dormir algumas horas também faz um bem danado.

A alegria da maioria.


MqN
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# Pois é, foi-se mais um Goiânia Noise, festival que nascia há treze anos e que chegou à sua décima segunda edição com cara de gente grande. A farra que começou em 1993 em plena praça Universitária (reduto de todas os estratos da fauna ‘intelectualizada’ e vagabunda da cidade), atingiu seu apogeu com a mega-estrutura da versão turbinada de 2006.

# # O palco principal, dentro do Palácio da Música do colossal Centro Cultural Oscar Niemeyer, sofreu com uma acústica não preparada para uma difusão tão descomunal de decibéis guitarreiros. Já o palco secundário, apesar de modesto no tamanho, vibrava em suas caixas sons de perfeição cristalina. Isso sem contar o charme e proximidade que um pequeno palco pode proporcionar.

# # #Entre os dois palcos, um imenso pátio. Logo na entrada havia a tradicional feirinha rocker, onde se podia adquirir, entre tantos outros fetiches pop, até uma raríssima edição em vinil do famoso Tim Maia Racional, de 1974 e com todos os seus grooves finos. Para isso bastava desembolsar a nada singela quantia de R$ 300,00!!

# A sexta-feira, primeira noite,parecia confirmar a aposta alta da Monstro Discos, com um público bem pra lá de satisfatório, beirando o preocupante. A abertura, perdida pelo blogueiro, ficou por conta dos goianos da Black Drawing Chalks, do Señores e do Trissônicos, seguidos de perto pelo eletro-macumbeiro e festivo dos cearenses da Montage. Na sequência, o gaúcho Tom Bloch não empolgou a ainda pequena platéia que se dispunha a encarar o gelado ar condicionado do teatro sem cadeiras. Aliás, é preciso pontuar: o que era uma pequena platéia dentro do imenso Palácio da Música, fazia um volume retumbante no seu vizinho, o palco secundário, apelidado de Palco Monstro. Daí a faca de dois gumes.

# # Já no meio da noite os sergipanos do Snooze se ocuparam do tal palco secundário e enterneceram a atmosfera fria com suas melodias derramadas, pesadas e cheias de beleza triste. Seguindo, a Karine Alexandrino cometeu suas esquisitices performáticas e pouco atraentes no palco Noise, o dito principal. Já no palco Monstro, o Cascadura surpreendeu. Em disco o grupo baiano soa bem mais pesado e roqueiro que ao vivo, o que decepcionou o blog, fã de Vivendo em Grande Estilo, discão do grupo.

# # # Como comentado lá no início, o Palácio da Música sofria com a falta de tratamento acústico, e até os donos da festa sofreram as conseqüências. O MqN fez o show de sempre, mas a imensidão do lugar – que distancia sobremaneira a banda do público –, o volume inacreditavelmente baixo dos P.A.s, e a confusão sonora que escondeu o som do contra-baixo por quase todo o tempo, impediram a banda de consumar aquela costumeira e incendiária celebração. Parte da molecada ainda se empolgou em moshs repetidos, mas dessa vez o som não ajudava.

# Entrando no clímax da noite, os cariocas do Matanza – adorados por aqui – manusearam o mar de gente como quiseram. Sua receita nada original de country-music e hardcore convence muito mais gente do que o blogueiro aqui poderia imaginar. Legal mesmo foi ver os seguranças correndo atrás da molecada pelo palco.

# # O momento mais esperado por milhares de almas cândidas e dilaceradas estava próximo. O Los Hermanos tem uma estória bem particular. Tiveram lá aquele início bombástico com o mega hit Anna Júlia. No segundo disco fizeram careta para a indústria fonográfica e caíram nas graças dos formadores de opinião. Com o lançamento de Ventura, a tinta mais adequada para pintar sua relação com os fãs é a da adoração. Já em Los Hermanos 4, a adoração dos fãs persiste, mas parte da crítica formadora de opinião passa a rechaçar o fenômeno etiquetando-o como uncool, resultado talvez do inesperado retorno à super-popularidade.

# # # # Pois bem, aparentemente distantes dessa discussão, os hermanos pareciam longe também daquele palco que ocupavam. Atuavam segundo o velho clichê do funcionário público perto da aposentadoria, que até cumpre com suas obrigações mas não move uma palha para além disso. Um show burocrático, pouco emocionado e com uma entrega aparente mínima (e olha que Rodrigo Amarante até ensaiou um mosh. Meio bundão, mas ainda assim um mosh). Muitas das milhares de histéricas mocinhas que esgoelavam atenção, não pareciam se importar com a apatia dos barbados, e perpetuavam sua tietagem besta, sem se preocupar com os ouvidos dos vizinhos. Olhando criaturas como essas quase dá pra entender o porquê de uma banda tão legal como Los Hermanos ganhar pecha de brega, ou o que o valha.

# Mas a multidão parecia longe de qualquer divagação, e entoava em uníssono mântrico todas as canções. Pois é, Último Romance e até Casa Pré-Fabricada e Azedume, entre todas as outras, fizeram, enfim, a alegria da maioria. Não é isso que importa?

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Já, já o resto dessa estória.

sexta-feira, novembro 24, 2006

E o Violins fala ou não fala???

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Como promessa é dívida, está aí embaixo um pequeno trecho do bate-papo do blogueiro com o Violins, numa aprazível tarde de sábado na chácara do vocalista, guitarrista e compositor Beto Cupertino, onde Tribunal Surdo – o novo álbum da banda – foi o tema principal. O papo inteiro você vai poder conferir no entrevistão da primeira edição de 2007 da revista Decibélica. Por enquanto, vai saboreando o aperitivo aí:


Da esq. pra dir.: o blogueiro aqui,
Beto Cupertino e Pedro Saddi.
Foto: LuiZ Antônio Passos




O quê dá pra dizer que influenciou a confecção do Tribunal Surdo, em termos de música, literatura, etc.?
Beto –
Cara, eu não leio um livro de literatura há uns cinco anos. E tenho ouvido muito pouca música. Eu ouvia muita música, mas ultimamente... eu entro no carro, vou para os lugares e nem ligo o som. Deve estar acontecendo alguma coisa comigo, não sei se é a velhice chegando...
Pedro – O que a gente mais ouviu ultimamente foi Nine Inch Nails, até bitolou um pouco.
Beto – É! Ouvi muito Nine Inch Nails, mas acho que não tem muita coisa a ver com o que a gente está fazendo.

Mas agora que o disco já está quase pronto, ouvindo vocês não conseguem identificar nenhuma referência?
Thiago –
Eu não!
Beto – Cara, deve ter alguma coisa né? Para a gente que está de dentro é difícil falar sobre isso.
Thiago – Influência do disco anterior. Ou de alguma coisa que a gente tenha escutado aqui, num final de semana, mas eu não tenho percebido isso não.
Beto – Acho que pelo fato da gente estar ouvindo pouca música né?
Pedro – Acho que o que a gente ouve não tem muito a ver com o que a gente faz não. No meu caso, pelo menos. O que eu ouço não tem muito a ver com o que eu faço.
Thiago – Eu também não.


Há alguns anos, no show de lançamento do Aurora Prisma lá no teatro Goiânia, após uma das canções você fez uma piadinha do tipo “É tudo mentira, viu!”. Quanto de auto-biografia tem nas letras do Violins?
Beto –
Cara, no disco atual acho que não tem nada (risos)! Se eu falar que tem, eu vou ser preso (risos gerais).
Pedro – É, espero que não tenha!
Beto – Acho que o disco mais auto-biográfico é o Wake Up and Dream. O Aurora Prisma ainda tem um pouco disso, mas muita coisa também de ficção. O Grandes Infiéis já é quase todo ficcional, e O Tribunal Surdo é todo ficcional. Acho que tudo que você escreve tem um pouco de auto-biografia, por quê é você que está escrevendo né? Aquilo que você escreve, mesmo que seja uma ficção, tem algo seu... mas não quer dizer que aconteceu comigo. Quer dizer que tem uma influência do que eu sou, do que eu vivi, do que eu li, dos filmes que eu assisti, das músicas que eu ouvi, tudo tem uma influência. Nesse sentido, tudo o que eu escrevo tem alguma coisa de auto-biográfico, mas não que as músicas reflitam o que eu fiz, o que eu sou... aí não, aí é ficção total! Se fosse, podia internar (risos).


E aquelas músicas, postadas quinzenalmente no site?
Beto –
Aquele lá já é outro projeto né? Só músicas para o site. E a gente gravou em casa, no laptop do Pedro, usando um microfone e ligando as coisas direto na placa de som, enquanto ensaiava para fazer o disco. Por que gostamos de deixar a banda bem viva, quase todo ano a gente lança um disco, e gostamos que visitem o site, a comunidade [do Orkut], vejam ação rolando lá. Então temos esse cuidado de sempre oferecer alguma coisa pra quem que gosta da banda. Disponibilizar gravações simples e caseiras, meio que lado B, sem pretensão de ir pra disco nenhum. Gravamos umas seis ou sete músicas, postadas semanalmente no site. Aí quando começamos a gravar o disco, paramos porquê não dava mais tempo. Talvez num futuro próximo voltemos a fazer isso, de duas em duas semanas. Por que no início prometemos uma música por semana, mas como eu trabalho à noite, e o Pedro só pode nesse horário, era difícil encontrar pra gravar e demorava um pouco mais, e a galera já começava a cobrar. Depois vamos voltar com esse projeto, mas com uma ou duas músicas por mês. Por que às vezes você gosta de uma banda e ela demora três anos pra lançar um disco. Por exemplo, eu estou esperando disco novo do Silverchair desde o Diorama [lançado em 2001], que eu gosto pra caralho. E a banda nunca mais lança nada cara, eu fico puto (risos)! Querendo ouvir música nova, e eles vão lançar só em 2007! As vezes o cara nem tem culpa né? Mas ir colocando umas musiquinhas para o pessoal ouvir, vai agradando. É um aperitivo.


E sobre aquela associação que faziam do som do Violins com Clube da Esquina, na época do Aurora Prisma e do Grandes Infiéis, procede?
Beto –
Pra você ver que coisa mais inusitada! A gente é um grupo de jovens que nunca tinha ouvido esse povo antigão e de repente aparecem com essa, de que a gente é Clube da Esquina! Isso pra mim é a mesma coisa de falar que é virose. A gente nunca ouviu isso... somos [eram] uma banda com duas guitarras, formação de rock... e aí, Clube da Esquina? Que é uma emepebê mais diferente e tal...
Pedro – Até comprou o cedê pra ouvir né?
Beto – Depois eu comprei. Comprei Lô Borges, Beto Guedes...

Músicos, geralmente, são avessos à rótulos, mas qual deles mais se aproxima do som do Violins de Tribunal Surdo?
Beto –
Humm... (pensativo) aí eu já não sei cara... passo pro Thiaguinho, ele sabe.
Pierre – Pegou pesado.
Beto – Eu não tenho a pretensão de dizer que não tem rótulo, mas é que eu não sei mesmo!

Pra facilitar, numa loja de discos em qual prateleira o disco do Violins estaria hoje?
Thiago –
Acho que na de rock!
Beto – É, rock! Mas na de rock cabe tanta coisa né?
Pierre – Talvez estaria naquela de rock alternativo!
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quarta-feira, novembro 22, 2006

O Acre Não Existe, Pôrra!


Vudu
Foto: Talyta Singer (Espaço Cubo)




* No próximo post entra o prometido trecho do bate-papo com o Violins, que sai na íntegra na primeira edição de 2007 da revista Decibélica.

# Demo Sul:
Último dia de festival, gostão de fim de feira. Mas a VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia conseguiu afastar o bafo de realidade da segunda feira à espreita. Rock com pitadas de punk, e muito bom humor serviram para abrir de fato os trabalhos de domingo. Destaque para 'Acre!Que Pôrra É Essa?', cujo refrão afirma: "O Acre Não Existe, Pôrra!". Uma bela canção de amor, que desacredita as aulas de geografia e mapas do Brasil em geral.

# # Outra apresentação insana foi a dos catarinenses do Ambervisions, que ao final da introdução, se apresentaram solenemente: “Boa Noite, nós somos os Forgotten Boys!”. Surf-core acelerado e gritado com doses generosas de bom humor e ironia. Zimmer, o gigante e rotundo vocalista, desfilava de máscara e percorria freneticamente todos os cantos do palco, jogando água em todo mundo e girando o microfone pelo fio. Não satisfeito, arremessou seu imenso corpanzil palco abaixo, descendo de um pulo para a platéia, onde continuou o ritual de esquizofrenia. Depois do fim do festival, lanchando com a turma no Habib’s, fico sabendo que o cara tinha ido parar no hospital, com o joelho estourado. Também...

# # # O Jhonny Suxx n’ the Fucking Boys, que na noite anterior havia tocado na vizinha Maringá ao lado dos Ambervisions e do Forgotten Boys, fez seu belo show de guitarras e poses, mas não conseguiu levantar o ânimo da platéia mais apática dos três dias.

# # # # Pra terminar a noite, depois dos locais precisos do Mudcracks, os Forgotten Boys assumiram seu posto de atração principal e reuniram o menor público dos três dias de festival para ouvir, sem muito entusiasmo, o excelente resultado de sua prolífica discografia. Começando com Stand By the D.A.N.C.E., e preferindo a versão em inglês para ‘5 Mentiras’, os garotos esquecidos não empolgaram o povo rock presente, mas mesmo assim fizeram um show redondo e profissa. Bobo do povo que não aproveitou para dançar!


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* Textão largo e completo sobre o festival? Só na primeira Decibélica de 2007.

* * Fica assim então, guentaê que um pedaço razoável
do entrevistão com o Violins já já entra aqui!

terça-feira, novembro 21, 2006

Vudu argentino!


Bruno Cayapi - Macaco Bong
Foto: Bruno Dias - www.urbanaque.com.br

* De volta à Goiânia



# O Demo Sul acabou e o blogueiro desavisado, que foi pensando em passar um friozinho no sul, se fodeu já que Londrina estava ainda mais quente que a terrinha.

# # Lá embaixo você lê uma curta entrevista com os gaúchos do Superguidis, que fizeram um dos melhores shows da primeira noite.

# # # No segundo dia, o maior destaque ficou por conta dos nossos hermanos argentinos do Vudu, que com uma verdadeira aula de genuíno rock n’ roll arrancaram entusiasmo até dos mais distraídos. O quarteto perfilou os clássicos de seus três discos, conseguindo reunir o já grande público em frente ao palco e prender-lhes a atenção por todo o set. Guitarras azedas e suingadas, vocais irretocáveis e cozinha absurdamente requebrável, num misto personal de Grandfunk e Led Zeppelin, garantiram aos compañeros de mercosul o laurel de melhor show da noite. Simplesmente Acachapante!

# # # # Seguindo, os Rockassetes teriam a ingrata tarefa de suceder o conjunto argentino, que a essa altura atendia os fãs e jornalistas na lateral do palco. Apesar de concentrar um público menor, os sergipanos teceram sua malha pop-roqueira sessentista com classe, costurando suas melodias doces e assobiáveis com letras divertidas e despretensiosas. Não é por acaso que andaram freqüentando o espaço mais nobre da última edição da Decibélica.

# # # # # O grande Porcas Borboletas fez um dos melhores shows de todo o festival. A salada de emepebê esquisita com outras roqueirices estrangeiras ganha um sabor especial ao vivo, onde as performances irrequietas de Danislau e Enzo Banzo tomam as rédeas do espetáculo. Referências aos irmãos Barnabé são bem vindas entre os mineiros, que re-processam a Vanguarda Paulistana, acrescentando, é claro, seus próprios venenos.

# Com muitas horas de festival pela frente ainda e com o almoço já devidamente digerido, a única opção era mastigar alguns dos modestos espetinhos, vendidos a R$ 1, 50 na barraca da cerveja. Nenhuma alternativa havia. Bruno Dias, colega lá do Urbanaque e também colaborador da revista Bizz, tentava burlar essa falha trazendo pãezinhos surrupiados no café da manhã do hotel, para envolver os nacos de carne do espeto num sanduíche improvisado. O problema é que ele nunca acordava para o café, e quando acordava nunca se lembrava da manobra.

# # Sábado também foi o dia da (in)esperada baixa do Finatti. Discutindo, sabe-se lá por que, com a prestativa Jôse, da produção do festival, o distinto proprietário da Zap, saiu às pressas bufando e quando encontrou a van que levava e trazia o pessoal das bandas, esbravejou que queria a porta aberta e pôs-se a lutar com a maçaneta do veículo. Não deu outra: antes que o condutor pudesse dar a volta e ver o que acontecia, freak Finas sai com a maçaneta do automóvel nas mãos, exibindo um certo constrangimento alcoólico perante o olhar de reprovação e raiva do, até então simpático, motorista. Não demorou os seguranças foram envolvidos e a baixaria quase reina. Contudo, logo chegou o Marcelo Domingues (diretor executivo e pai do festival) para deitar panos quentes na estória. Ê Finatti...

# # # Falando em Finatti... Logo que cheguei no hotel, na sexta feira pela manhã, recebi um kit: credenciais, fichas de cerveja, um cedê compilação com as bandas do Demo Sul 2005 e uma folha com instruções sobre horários das refeições, dos shows e de saída das vans. Como penalidade para os que descumprissem o cronograma e atrasassem todo os demais, estava previsto (e impresso) o castigo cruel de dividir quarto com quem?? Hã? Isso, adivinhou!

# # # # Pra quem não conhece, o Finatti é uma lenda do jornalismo musical brasileiro, assina a coluna semanal Zap n’ Roll, no portal Dynamite e também é colaborador da edição nacional da revista Rolling Stone. Sempre que vai cobrir um festival, deixa muuuitas estórias pra trás...


# Os Locais do Trilobit, todos de macacão azul, também fizeram uma apresentação digna de nota, ainda na primeira noite. Rock com eletroniquices diversas, feito para as pistas descoladas, e com um gorila maluco como baixista. Rock caipira bruto!

# # Rogério Skylab ajuntou a pequena multidão em frente ao palco para fechar a segunda noite. Banda profissa, público cativo e presença de palco, taí uma receita que costuma dar certo, e não foi diferente em Londrina. Mas o mito carioca nunca tocou fundo o coração do blogueiro aqui, que aproveitou as várias cadeiras vazias, deixadas pela massa compactada no gargalo, e assistiu o encerramento da noite de longe e devidamente sentado.


* Como avisado no post anterior, a cobertura completa da festa poderá ser conferida na primeira edição de 2007 da revista Decibélica.

* * * * * * * * *


A Superguidis veio ao mundo no inverno de 2002, influenciada pelos fortes odores do rock inglês sessentista, muito popular no sul do país. Até que descobriram o Crooked Rain, Crooked Rain do Pavement e outras pérolas do Guided By Voices, e então aposentaram os ternos e lhe caíram as cuecas! Aí embaixo você confere um papo rápido com o grupo, logo depois de descerem do palco do Demo-Sul 2006.


Hígor - O que vocês ouviram essa semana?
Andrio –
Vou ter que pensar um pouco... Queens of the Stone Age, que é quase sagrado. My Bloody Valentine… o Incesticide do Nirvana, e uma banda de uns camaradas meus lá de Guaíba, que são Os Empíricos.
Lucas – Eu estou apaixonado pela Cat Power! Quero me casar com ela a qualquer custo. Muito Cat Power... ouvi Sparklehorse, que é uma banda que me dilacera o coração, é lindo! Também ouvi Queens of the Stone Age, o primeiro do Foo Fighters.
Andrio – Uma banda legal também é Trail Of Dead.
Lucas - Emo!
Diogo – Eu ouvi Prozac, Nada Surf, e estou ouvindo muito o Los Hermanos número 4. Ando viciado nessas três bandas.
Marco – Yeah Yeah Yeahs, qualquer coisa do Queens of the Stone Age, The Cure sempre, e Evan Dando de vez em quando, pra dar uma relaxada.
Lucas – Vai dando de vez em quando pra dar uma relaxada?? (risos)

Hígor – E o show no Demo-Sul 2006?
Lucas –
Pô, foi do caralho! Tinha um monte de gente que conhecia as músicas, a gente ficou impressionado. É sempre assim, a gente chega nos lugares e pensa que vão atirar coisas, ou mandar a gente embora, mas sempre tem uns cabeças que conhecem as músicas... de onde??

Hígor – E o disco novo, que será gravado em Brasília e vai sair pelo Senhor F Discos?
Andrio –
Nosso primeiro disco foi gravado em Guaíba mesmo, na casa de um camarada nosso lá, o Sonic, e rendeu bons frutos como esse show aqui hoje no Demo-Sul. O próximo álbum a gente vai gravar em janeiro de 2007, lá na casa do Philipe Seabra e vai ser o segundo disco pelo Senhor F Discos. Como o Philipe dá bastante atenção pra bateria, acho que vai ser um disco bem pesado, vai soar bem Foo Fighters.
Lucas – O bumbo vai ficar parecido com um morteiro.

Hígor – E você Lucas, como é essa história de ser seu próprio luthier? Fez sua própria guitarra, pedais...
Lucas –
Pois é, eu não tenho dinheiro pra comprar uma Mustang, daí tive que fazer uma! Sempre quis ter, gostei dela desde o início, aí vi uma reportagem na tevê de um cara fazendo guitarras. Aí eu olhei para a cara do cara e pensei, se esse idiota consegue, eu não posso não conseguir! Aí comprei a madeira, o Coró me ajudou com umas ferramentas, com uma furadeira de bancada... eu não sei como eu vivia antes sem uma furadeira de bancada. Aí fiquei dois meses fazendo, entre aula, trabalho e fins de semana, até conseguir, aliás eu faço engenharia elétrica pra quê né? E ficou bacana, ficou como eu queria mais ou menos. Diversão total!

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* Substituição de última hora no Goiânia Noise Festival: sai Mundo Livre S/A, entra Bnegão.

* Muito material pra desovar aqui, nessa semana pré Noise: Novidades da Allegro Discos, trechos saborosos do entrevistão com o Violins, e mais umas coisas do Demo (Sul). Vai prestando atenção aí que a coisa vai ser cheia nos próximos dias.

* Agradecimentos mil ao Bruno, pelas fotos. Valeu!

Témais.

sábado, novembro 18, 2006

A avalanche instrumental mato-grossense!!



* De Londrina

# Começou ontem o Demo-Sul, auto-proclamado o maior festival de música independente do interior do Brasil. O blogueiro chegou em Londrina pela manhã, trocou impressões com o pessoal das bandas e jornalistas no hotel e no restaurante durante o almoço, e no começo da noite fomos todos levados para a chácara Lima, onde se realizaria a festa.

# # A cobertura completa e detalhada do festival poderá ser conferida na primeira edição de 2007 da revista Decibélica. Por enquanto adianto que o trio cuiabano Macaco Bong fez, de longe, a melhor apresentação da noite de abertura. Transitando com desembaraço por vias próximas do post rock europeu, mas fazendo curvas arriscadas – porém perfeitas – e se embrenhando firme nos ângulos finos do jazz rock de um Jeff Beck da vida, a avalanche instrumental mato-grossense roubou a cena.

# # # Ocupando um honroso segundo lugar, a gaúcha Superguidis também foi aplaudida com empolgação por algumas centenas de humanos. Com um improvável e bem humorado lirismo urbano, muito bem acomodado entre guitarras ardidas e cozinha dançante, a banda – que lança seu segundo disco em 2007 pelo Senhor F Discos, de Brasília - segue como destaque festivais Brasil afora.


* O Blog deve estar de volta à Goiânia na terça feira, e então dá maiores detalhes do Demo Sul 2006. Se tudo der certo, posto algo aqui antes da volta.

* * Prometo ainda pra essa semana um trecho do entrevistão com o Violins, falando sobre o disco novo, que será integralmente publicado também na primeira edição de 2007 da Decibélica.


Então até mais pra você.
Vou ali no hotel ver se ainda tem alguém zoando o Finatti. Deve ter.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Caipira Way Of Life


Foto por Marisol

# Na quinta feira passada (como indica o post anterior), a Olhodepeixe prestou homenagem ao Faith No More, banda amada por oito, entre cada dez roqueiros de respeito. O Bolshoi Pub, clube que abrigava a festa, ficou completamente lotado de pares de ouvidos curiosos.

Com uma discotecagem ‘esquenta turbinas’ pra lá de bizarra (onde canções, no mínimo, improváveis para uma pista de dança, como Speak To Me do Floyd, e Child In Time do Purple, se encontraram), a turma queria mesmo era ver a banda em cima do palco.

# # Por volta de meia-noite, o quarteto – mais a convidada especial Vivis, da Cine Capri, nos teclados – ocupa o tablado, pluga seus instrumentos e sem muito alarde Evidence escapa elegante das caixas de som. A essa altura a pista já se encontrava intransitável, tamanha a quantidade de seres humanos amontoados.

Numa espécie de delírio rocker coletivo, a Olhodepeixe comandou um pesado transe dançarino, com clássicos de Patton e cia: Get Out, Edge of the World e Diggin’ the Grave eram comemoradas pela pequena multidão, que não economizava gritos empolgados e satisfeitos nos intervalos das músicas.

# # # Já perto do fim, sob pedidos desesperados e em côro de Falling To Pieces, Ricochet e Epic, a Olhodepeixe ainda emocionou com Gentle Art of Making Enemies, Colision e Midlife Crisis.

Em meio às pérolas do Faith No More, como não poderia deixar de ser, o grupo encaixou algumas de suas ótimas composições, presentes em seu álbum de estréia, como Hoje Meu Mundo é Bom, e músicas novas como Cheese 41, Plasmando, Sabe e Ponto de Cruz.

# # # # O sucesso da empreitada foi tamanho que em a banda promete repeteco para breve, no início de dezembro, no mesmo bat local, o Bolshoi Pub. E dessa vez, provavelmente, atenderão os pedidos desesperados por Epic e Falling To Pieces!

Se você não foi, é sua última chance! Se estava presente, você vai voltar. Ah vai!



# No sábado, o blog foi recebido por Beto Cupertino em sua aprazível residência, no Parque das Laranjeiras, para um bate papo com sua banda, o Violins, que tem um novo álbum, intitulado Tribunal Surdo, quase pronto. Em uma tarde pra lá de agradável, o grupo falou sobre tudo: disco novo, discos antigos, literatura, Britney Spears, Caipira Way Of Life, coisas de ‘velho’ e muito mais. Mais pra frente você confere a íntegra desse papo, na revista Decibélica, e uns aperitivos saborosos aqui no blog.

## Já ouviu as músicas desse Tribunal Surdo, que estão disponíveis no site do Violins? Não?!
Então corre lá, escute e se assuste!



# Começa na próxima sexta-feira o maior festival de rock independente do interior do País, o Demo-Sul, lá em Londrina, no Paraná. São três dias de muita farra, em alto e bom som. Dá uma conferida na programação supimpa da festança:

Bidê ou Balde)
The Brown Vampire Cats
VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia
Forgotten Boys
Superguidis
BúfalosD’Água
Hocus Pocus
Grenade
José Prazeres
Stoned Sensation
Lamborguines,
Jhonny Suxxx’n The Fucking Boys,
La Pupuña,
Trilobita
Junkie Bozo
Matanza
Ouvidos Calados
Trissônicos
Silêncio
Macaco
Bong Vudu
Ambervisions
Mudcracks
Rogério Skylab
Porcas Borboletas

# # Depois o blogueiro manda mais notícias sobre o festival paranaense.



# E o Goiânia Noise Festival tá chegando. Eu tô ansioso, e você?


*


Então, até mais procê, a gente tromba por aí.

quinta-feira, novembro 09, 2006

"Sangrar é próprio de quem adivinha lâminas"

.
.



As Virtudes do Vício

(...)

III

O vício em mim
se fez no cansaço
quando no fígado
o fogo já era fátuo.

As virtudes do vício
no vinho que sangro
pelo cálice de Alice
desfigurada.

A nódoa do vício
na uva passa:
veneno que se alastra
na decomposição da boca
para a virtude do pecado
presa na língua do lasso.


IV

Sangrar é próprio
de quem adivinha lâminas.
Sangrar no próximo
é acender amoras
em lantejoulas e jogá-las
nos olhos de quem chora.

Migrar em sangue
a mortalha da penhora.


V

Pecar, pecar,
pecar até arder em chamas.

Pecar pelo que chamas
e nunca chega.

Pecar ao ponto
do carbono original
que a carne nutre
no paraíso das delícias.

A ser vício da serpente
desfruto da árvore da volúpia
cabelos, cabides, perfume e ócio.

Pecar é meu divórcio.



Gilson Cavalcanti

quarta-feira, novembro 08, 2006

Novo do Violins quase pronto!

# Amanhã, (quinta feira) a Olhodepeixe, banda das melhores do rock goiano, vai prestar tributo ao grande Faith No More, lá no Bolshoi Pub, ali na T-2, setor Bueno.

# # É o seguinte: o grupo, formado por amigos do blog, sempre gastou muita onda escutando a banda mais famosa do Mike Patton, daí resolveram produzir um show onde se divertiriam desfilando grandes clássicos dela.

# # # Até às onze da noite humanos só pagam 10 legais para entrar, depois o preço sobe pra inatingíveis 15 legais por cabeça pensante. Uma vez lá dentro, garanto emoções fortes, com versões para ternas canções como ‘Get Out’, ‘Midlife Crisis’, ‘Gentle Art of Making Enemies’, ‘Edge of The World’ e uma pá de outras. Bora?

* Te espero lá então, vai ser PHoda!

# E não é que o From Under the Cork Tree, do Fall Out Boy é bom mesmo? Gostei do clipe de ‘Dance, Dance’ (aquele do bailinho de formatura), fui atrás do disco e me surpreendi. Os caras são rock! Não é atôa que o Gustavo Drummond, dono do Udora, tem recomendado esse álbum aos amigos.

# # Ah, e antes que eu me esqueça da azia: EMO: Som de Fruta!

# E o Violins está prestes a terminar o processo de gravação e pós produção do novo disco, Tribunal Surdo, mas como lançamento só mesmo ano que vem, preparam um aperitivo para os fãs. Quem conta a novidade é o próprio Beto Cupertino, num comunicado postado na comunidade da banda no Orkut. Acompanha aí:

“Estamos chegando à parte final da mixagem do "Tribunal Surdo", e nós definimos então 4 músicas para colocar pra vocês no site, assim que chegarmos ao fim do processo.

Serão elas:

Anti-herói (parte 1)
Grupo de Extermínio de Aberrações
Campeão Mundial de Bater Carteira
Piloto Russo na Aldeia Suskir”

# # O blog adianta que a ótima, violenta e dançante ‘Grupo de Extermínio de Aberrações’ pode gerar polêmica, por causa de sua ironia fina; a bela e fleumática ‘Piloto Russo na Aldeia Suskir’ tem algo do antigo Violins, da época do Aurora Prisma, mas sem a mesma inocência; ‘Campeão Mundial de Bater Carteira’ aposta em guitarras azedas, pianos grandiosos e letra reveladora: “A vida é uma ‘disgrama’ quando nela falta grana!/ Cada um convive com o peso da sua fama”; e ‘Anti-herói (parte 1)’ é uma ode cínica ao macho dominante.

# # # É bem possível que o Violins lance seu melhor disco em 2007.

# A poesia do Gilson Cavalcante, ‘As Virtudes do Vício’, prometida no post anterior, sai assim que o próprio me mandar o mail com a própria. Espera aí que compensa.

*

Então tchau, até amanhã lá no Bolshoi.

domingo, novembro 05, 2006

"(...) Cabelos, cabides, perfume e ócio: pecar é meu divórcio!"

.

# É, esse Goiânia Noise vai entrar pra História, pode anotar aí.


# # Na sexta, estou curioso pra ver o Montage. Já ouvi comentários bem positivos sobre os shows dos cearenses. Mas também já ouvi uns bem depreciativos, daí a curiosidade. Será que eles bombam o Noise com seu electro-funk macumbeiro? Quero ver também o Cascadura, que tem pelo menos um discão, o Vivendo em Grande Estilo. Além do Tom Bloch e da Karine Alexandrino.


# # # Já no sábado, não perco por nada a Patrulha do Espaço, banda clássica dos nossos seventies, e que foi fundada por ninguém menos que nosso guru psicodélico nacional, o Arnaldo Baptista. Na verdade não sei o que esperar. Gosto da fase inicial com o Arnaldo, dos discos ‘Elo Perdido’ e ‘Faremos Uma Noitada Excelente’ – esse gravado ao vivo –, mas a etapa seguinte do grupo, anos oitenta adentro, não me agrada tanto. Só vendo pra saber! E, ainda no sábado, a Pata de Elefante deve mais uma vez roubar a cena (como sempre acontece) com suas, sempre impressionantes, costuras lisérgicas instrumentais.


# # # # Domingão. A curiosidade do blog se volta para o post rock instrumental e noturno do Fossil, para os topetes brilhantes – e contra-baixo acústico – do Crazy Legs, e para a ‘vanguarda’ pop-poética da Maldita.

# # # # # Tudo isso sem contar, é claro, os santos de casa (que no nosso caso, fazem sim os milagres), as surpresas e as atrações principais. Aliás, e a ‘prometida’ dobradinha de Mundo Livre S/A e Ratos de Porão no mesmo palco? Essa eu quero ver!


# Estou nas primeiras audições do Transfiguração, disco novo do Cordel do Fogo Encantado. Gosto muito dos primeiros discos, e já vi ótimos shows deles. Esse agora parece mais voltado para as canções, relegando a poderosa percussão – outrora protagonista – à condição de coadjuvante. O Conjunto soa mais polifônico e menos experimental (ainda que alguns poucos momentos de esporro percussivo estejam lá), e não abandonou sua fortíssima veia poético-teatral.


# # Outro que comecei a ouvir por esses dias é o Saturday Night Wrist, do Deftones. Já, já posto uma nota sobre ele aqui.


# O amigo do blogueiro e poeta incorrigível, Gilson Cavalcante, comemorou seu aniversário no sábado, e para animar a festa uma imensa jam com o pessoal de bandas legais como Cine Capri, NEM, Olhodepeixe e Triêro (lançando disco), além de uma porção de músicos e amigos. O Gilson é um poeta orgânico, daqueles que respiram e vivem como poetas (lembra como são?). Boêmio, sensível e atento, apreende a poesia até onde menos se espera. Parabéns Gilsin! A festa foi das melhores!


# # Próximo post, entra no blog um texto inspiradíssimo do Gilson, intitulado ‘As Virtudes do Vício’ (do qual saíram os versos do título deste post), presente verbo-hepático para os distintos leitores disso aqui.

* Show do ótimo Pedra 70 em Brasília, nesta segunda-feira (06/11), no Bar do Calaf, dentro do projeto Criolina, com produção do bróder Diogo Barros, que transferiu sua base de atuação para a capital federal recentemente.

* * Na quinta feira, show da também ótima Olhodepeixe no Bolshoi Pub. Nessa apresentação em especial, a banda vai homenagear o grande Faith No More, baseando o set list em clássicos do grupo mais famoso de Mike Patton. Claro que também tocarão músicas de seu primeiro disco, Combustível, além de novas composições. Vai lá? Eu vou!


Até a volta então.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Goiânia Noise Party

#Sexta feira de inauguração rocker do Palácio da Música, no complexo cultural Oscar Niemeyer, aquele “pedacinho de Brasília” encravado numa das entradas de Goiânia.

# # O espaço gigantesco ao ar livre deu pistas fortes de que o público – esse ano ampliado consideravelmente por causa da promoção da rádio 97 FM – vai ter mais conforto do que no clássico e charmoso, porém miúdo, Martim Cererê (a chuva, muito provavelmente, foi considerada pela produção).

# # # Pensei num tapete vermelho – já que o lugar é um palácio -, mas depois de entrar na cúpula de concreto, dei de cara com ar condicionado e carpete. Logo pensei em cigarros. Calculei por cima: perto de mil humanos. Pelo menos a metade fumante (sendo otimista), e disposta a se embriagar.

# # # # # A Casa Bizantina distribuía seus versos romanescos e melodias bonitas, enquanto o bar borbulhava quente, de tanta gente nas filas. Não esperavam um sucesso de público tão retumbante. O Rollin’ Chamas já havia feito sua esquete e a Casa não conseguia empolgar a massa, que aplaudia e assobiava, mas não parecia disposta a suar a camisa. Ainda.

# # # # # # Logo depois, o nobre anfitrião fez os agradecimentos de praxe e solicitou aos presentes, entre sorrisos de incredulidade, que cuidassem do lugar com carinho e não jogassem bitucas de cigarro no ‘tapetche’. Então tá.

# # # # # # # O Móveis Coloniais de Acajú logo ocupou o espaçoso ‘picadeiro’, sob os olhares atentos e gritos histéricos da massa, agora compactada em frente ao tablado. Os vizinhos candangos colocaram a molecada pra rodopiar, com seu mix de rock, emepebê, ska, folclore europeu e latinidades, mas não impressionou o blogueiro, que já assistiu apresentações do grupo beeem melhores do que esta. Quase decepcionante, apesar de uns poucos bons momentos instrumentais.

# # # # # # # # Quando a Cachorro Grande tomou conta do palco, a pequena multidão entoou um ensurdecedor e caótico boas vindas. Estava curioso pra ver os gaúchos depois da consagração nacional via emitiví. Deu pra constatar o esperado: eles perderam – ou deixaram de lado – um tanto daquele vigor esporrento e alcoólico, tão característicos de outros tempos. Mas se perderam aí, ganharam em profissionalismo e concordância com sua crescente audiência. Não que uma coisa exclua, necessariamente, a outra, mas com eles a coisa parece ter acontecido assim.

O show tem um roteiro bem definido, mescla novos hits com os do passado recente, e está mais polido e menos espontâneo. Inspirados climas instrumentais, psicodélicos e longuíssimos, levantaram dúvidas sobre o quê o vocalista Beto Bruno estaria fazendo no backstage.

# # # # # # # # # Os bares – sim os bares, no plural, porquê no meio da imensa confusão das filas, sabiamente abriram um novo ponto de vendas – já estavam mais acessíveis, porém a cerveja continuava quente.

O Cachorro Grande ainda não abandonara o palco, mas o blog já assistia tudo de longe, conversando com os amigos e amigas e administrando um leve e doce pileque.

Temporada de caça ao ‘noise perfeito’ aberta. Afine seus ouvidos.

#*#*#*

# Lembra da maravilha mineira Udora? Pois é a banda voltou para o Brasil (com o rabinho entre as pernas, será?), se desmantelou e agora quem responde por ela, é somente o vocalista e guitarrista Gustavo Drummond. Drummond vai reformular o grupo, que se prepara para gravar ‘A Volta dos Que Não Foram’ (sugestivo o título), álbum totalmente articulado em português e que segue a mesma linha musical adotada até então. Gustavo disponibilizou a gravação da pré-produção de todas as músicas dessa nova fase na sua página na Trama Virtual. Nas primeiras audições, é de se confessar que a língua pátria causa uma certa estranheza inicial. Automaticamente você vai ter a impressão de que as sílabas em inglês, dançam melhor as melodias do conjunto mineiro. Eu meio que ainda estou nessa. Vou escutando aqui pra ver no que dá.
Escute você também: www.tramavirtual.com.br/udora

# # O motivo da insistência é o ‘Liberty Square’, disco que a banda lançou nos EUA e que, na opinião do blog, está entre os cinco melhores discos de rock lançados em 2005, ao lado de gente como Mars Volta e Franz Ferdinand.

# # # Falando nisso, o fim do ano se aproxima e com ele as famosas listinhas dos melhores. Numa prévia, assim de supetão e sem pensar muito, eu colocaria – no quesito melhor disco de rock internacional -, o ‘Black Holes and Revelations’ do Muse, o ‘Revelations’ do Audioslave, o ‘Enemies Like This’ do Radio 4, o ‘Stadium Arcadium’ dos Chili Peppers, o ‘First Impressions of Earth’ dos Strokes, o ‘Plans’ do Death Cab for Cutie (que foi lançado no fim de 2005), o ‘Road to Rouen’ do Supergrass (também do fim de 2005), o ‘Amputechture’ do Mars Volta, o... o... o... tem uma pá de disquinhos para colocar aí ainda, mas a peneira vai afinando...

*

Então fica assim: nem eu te ligo, nem você me telefona.
Falô procê!

segunda-feira, outubro 30, 2006

"O amor é o efeito colateral do sexo!"

"essa vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem "

Paulo Leminski


As conversas pelo msn sempre o fascinaram – ele que adorava manusear e manipular a palavra escrita. Mas dessa vez a coisa parecia ter escapulido do seu governo. Não conseguira, como de costume, se abster da sinceridade e nem manejar as situações a seu favor. Pelo contrário, tinha se deixado trair (trair?) por uma inesperada e inexplicável lisura. Tinha se revelado muito mais do quê, agora, gostaria, e não tinha a mínima idéia em quê resultaria essa ‘aventura sentimental’ não calculada. Estava jogando alto, e sem cartas na mão (ou na manga)...

** *

Despertara com a escandalosa campainha do celular, que avisava a chegada de uma nova mensagem de texto. Sobressaltado – como os que são acordados bruscamente sempre são – levantou-se da cama e, ainda no escuro, tateou à procura do telefone:

“Boa Noite!
Beijos de morango!”

Meia dúzia de palavras que encheram aquele corpo tenso de euforia incontida e devolveram a paz, ainda que temporariamente, à sua mente perturbada e seu coração apertado. Demorou algumas horas até que conseguisse voltar a dormir, deitado quase imóvel e com um sorriso satisfeito gravado no rosto. Estava, por hora, muito feliz!

** *

domingo, outubro 29, 2006

“Não São Paulo”

(+) De volta à Goiânia.

# Sexta feira passada (22/10), recém chegado em sampa, desembarco no Ibirapuera, para passear pela Bienal de Arte Contemporânea.

# # Tenho uma relação meio tumultuada com essas coisas da tal ‘Arte Contemporânea’. Muitas vezes (na maioria delas, na verdade), parece ao amigo aqui que os tais membros dessa entidade abstrata e pouco compreensível, se valem da estética do choque ou do hermetismo para camuflar falta de talento ou pouca inspiração. Desculpem a ignorância do blogueiro, mas pouca coisa chamou realmente a atenção. Se pelo menos tivesse levado uns fones de ouvido com o ‘novo’ do Violins...

# # # Sábado fui ver a Patife Band, conjunto clássico formado em 1983 por Paulo Barnabé, irmão menos famoso do louco-alucinado Arrigo Barnabé – que juntamente com Itamar Assumpção liderou o movimento que viria a ser conhecido como Vanguarda Paulistana. O show aconteceu no Clube Berlin, na Barra-Funda, e arrecadou mais ou menos umas cem pessoas para servir de platéia para o experimento jazzístico, acomodado desconfortavelmente em angulosa linguagem punk, com andamento picotado, cordas dançando sobre um fio de navalha e vocalizações improváveis. Músicas como ‘O Pregador Maldito’, e a adaptação anárquico-musical de ‘Poema em Linha Reta’, do Fernando Pessoa, presentes na trilha sonora do filme Cidade Oculta (do Chico Botelho, com o Arrigo ajudando também no roteiro), ocuparam boa parte da apresentação e arrancaram aplausos frenéticos dos aficcionados presentes (o blog incluso).

# # # #No domingo, pra relaxar, foi a vez do bom samba percorrer os tímpanos do escrevente aqui. No Tom Jazz Club o blog assistiu à apresentação do Gafieira São Paulo, grupo que se devota ao samba de sabor jazzy, executado com baixo (elétrico), guitarra (semi-acústica), bateria, piano, percussão e naipe de metais, e já foi aplaudida por gente como Yamandú Costa e Thiago do Espírito Santo. Ora instrumental, ora recebendo cantores convidados, o conjunto esticou a noite de domingo até mais do que deveria, levando o blogueiro à doce embriaguez, proporcionada por suas sedutoras e dançarinas melodias, e pela saborosa cerveja Itaipava.

# # # # # Já na segunda-feira, a pedida era o Blen Blen Brasil, tradicional casa de shows da capital paulista, que apresenta no início da semana sua noite jazz, dividida em três partes: a primeira – perdida por este que vos digita – foi de responsabilidade do Cacique Jazz Combo; o meio da noitada foi reservado para a Soundscape Big Jazz Band, grupo composto por quase vinte membros e que elenca, numa seqüência anacrônica e adorável, gênios como Cole Porter, Charlie Parker e Miles Davis.

# # # # # # Para fechar a segunda-feira mais produtivamente ociosa dos últimos tempos, apresentava-se o grande guitarrista Michel Leme, acompanhado de alguns amigos. Na verdade, Leme monta um conjunto diferente toda segunda, e dessa vez o convidado mais ilustre era ninguém menos que o monstro Arismar do Espírito Santo (pai do também baixista Tiago do E.S., citado lá em cima), ao violão. Temas experimentados no descompromissado improviso da diversão, eram entrecortados por piadas e gracinhas, ditas entre eles, baixinho, como se público ali não houvesse.

O lugar - pequeno e charmoso porão de madeira, com mesas e poltronas espalhadas, rodeado por sofás - era habitado por cerca de cinqüenta pessoas, que deliravam alto em aplausos e assovios, depois de mergulharem fundo no radicais transes instrumentais, de vááários minutos.

Coisas de São Paulo...

# # # # # # Tô escutando muito o ‘Enemies Like This’ do Radio 4. 'This Is Not A Test' e ‘As Far As The Eye Can See’ são foda (o disco inteiro é legal, até os reggaes)!


*Beijaço pra amiga Luna Vargas (dileta bisneta do nosso ex-presidente Getúlio Vargas), que merece mais um agradecimento aqui, pela sua lisongeira hospitalidade e atenção. Outro beijo para as gêmeas brasilienses Amanda e Luisa, que também estavam ‘acampadas’ no apartamento da Luna e compartilharam momentos bem divertidos com o blog


# Então é isso.

# No próximo post, Cachorro Grande, Móveis Coloniais de Acaju e Casa Bizantina: Goiânia Noise Party.

segunda-feira, outubro 23, 2006

“Pro Mundo Inteiro Acordar, e a Gente Dormir...”

# Segunda-feira ensolarada, porém gelada, na capital paulista.

Fim de semana ‘quase’ glacial, recheado de punk cerebral, gafieira jazzy e delírios artísticos contemporâneos (ou qualquer coisa “perto” disso). O blogueiro aqui retorna a Goiânia na quarta-feira, e nela mesmo (na quarta-feira) relata o “roteiro turístico-cultural” percorrido na megalópolis.

# # Quais os versos mais cretinos da música pop nacional?

Há algum tempo atrás eu e a Vivis, tecladista da Cine Capri e distinta amiga deste blog, discutíamos sobre o tema. Aqui em São Paulo o assunto foi mais uma vez posto em pauta em plena avenida paulista, na noite de domingo – antes da turma encher a cabeça de Itaipava long neck no Tom Jazz –, e um top Five foi estabelecido. Segue aí:

1 – “Quando deus te desenhou, ele tava namorando”
Desenho de Deus - Armandinho

Comentário: Campeão absoluto. Essa simples elocução, acomodada entre trejeitos da pior espécie de pop-reggae (se é que tem alguma que preste), é capaz de provocar uma irritação tão profunda no ouvinte, que chega a insinuar pensamentos homicidas. Cuidado.

2 – “Nossa relação acaba assim, como um caramelo que chegasse ao fim”
Garoto de Aluguel – Zé Ramalho

Comentário: Sem comentários.

3 – “Tira essa bermuda que eu quero você sério”
Como Eu Quero – Kid Abelha

Comentário: Sério?

4 – “Mulher de amigo meu pra mim é homem. Por isso você é o homem da minha vida”
O Homem da Minha Vida – Língua de Trapo

Comentário: A cretinice redonda, sem arestas e de propósito! Alguém aí conhece os Dezessete Big Golden Hits Super-Quentes Mais Vendidos do Momento?

5 – “Veio a maior cornucópia de mulheres, todas mucosas pra mim. O mar se abriu pelo meio dos prazeres, dunas de ouro e marfim.”
Odeio – Caetano Veloso

Comentário: “Todas Mucosas pra mim”? “Dunas de ouro e marfim”? O Caetano ta se achando mesmo hein? Tudo bem que Cê tenha algumas boas canções (o que não é o caso de ‘Odeio’), mas esse versinho aí é de lascar.

** *

Então é isso, até a volta.

quarta-feira, outubro 18, 2006

"O Piloto Russo na Aldeia Suskir"

#Confirmado o show do The Who no Brasil em março de 2007, na praça da Apoteose no Rio de Janeiro. A formação que se apresentará no país conta com Pete Townshend e Roger Datrey (guitarra e voz), acompanhados, na bateria, por Zak Starkey, filho de Ringo Starr, Simon Townshend, irmão de Pete, na guitarra, e por mais dois músicos de apoio. Ainda para este ano, Thowshend e Daltrey, prometem o primeiro disco de inéditas em duas décadas (alguém se lembra do Who nos anos 80? Não precisa.).

# #Acompanhando os amigos, Roger Waters (que esteve no país em 2002) também desembarca sua nova turnê na Apoteose, ao lado do Who. Os shows dessa excursão são sempre divididos em 2 partes, de mais de uma hora cada. O segundo ato do espetáculo é nada menos que a íntegra do classicaço ‘Dark Side Of The Moon’. Brrrrrr...

#Saquei hoje que tô numas de rock latino. Mexicano, meio porto-riquenho, mais pro argentino. E dos mais diversos e diferentes panoramas: o Ankla ( metalcore malvadão e com cara de ‘new’, do Ramon Ortiz, antigo guitarrista do ótimo Puya, e com o Íkaro Stafford (de Goiânia, ex-Punch) nos vocais), que foi formada e atua nos EUA;o bom e velho Santana ( Caravanserai é sempre incrível); o Soda Stereo (são meio esquisitos, mas são legais); Los Alamos (buenos hermanos!); Bersuit Vergarabat (nunca achei o Bersuit grande coisa... e, tem jeito não, continuo sem achar); o poderoso A.N.I.M.A.L. (“Cada palabra como una granada de revolucion!!” ); Babasonicos; e Los Natas; ( esse último fez um show aqui na cidade que não me impressionou tanto, mas estou tentando aqui).Enfim, todos eles tem se encontrado bastante, nos últimos dias, aqui no player do pecê. Uns por curiosidade, outros por nostalgia e os demais porquê são mesmo umas sonzeiras.

# # Nesse link aí embaixo (só copiar e colar na sua barra de endereços) você vê o videoclip da música ‘Steep Trails’ do Ankla, o primeiro da listinha cucaracha aí em cima. Quem tem mais de 20 anos e freqüentava o mundo rock da Goiânia de meados dos anos 90, provavelmente vai se lembrar da cara do Íkaro, nos tempos em que ele ainda liderava o Punch, dividia estúdio com o MqN e cometia o lançamento do ingênuo Cesium 137, único disco da banda.

http://www.youtube.com/watch?v=08wjDbD5Xrs

#Não, não vou falar do Renato Russo.

#Parece que o Violins ‘perdeu’ uma parte das gravações do disco novo e vai registrar novamente algumas (ou alguma) das músicas que se foram. Por culpa disso, o lançamento do álbum foi adiado para o fim do ano, e não mais será realizado no Goiânia Noise, que acontecerá a partir do dia 24 de novembro, como dito no último post.‘Grupo de Extermínio de Aberrações’, um rock sisudo mas meio zoado, pesado e dançante, cínico e pra lá de bizarro, ganhará roupa nova devido ao acidente de percurso. Aliás, o track list desse esperado quarto trabalho do Violins é cheio de títulos, no mínimo, curiosos (as músicas que eles nomeiam então...). Olha só:

1.Delinqüentes Belos
2. Anti-Herói (parte 1)
3. Campeão Mundial de Bater Carteira
4. Grupo de Extermínio de Aberrações
5. Missão de Paz na África
6. Anti-Herói (parte 2)
7. O Interrogatório
8. A Lei Seca
9. Solitária
10. O Piloto Russo na Aldeia Suskir
11. 22
12. Ford
13. Saltos Ornamentais Árabes para Treinamento de Atiradores Americanos
14. O Manicômio


# #Goiânia Noise 2006.
É, Los Hermanos, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Ratos de Porão!? Fora o arroz de festa e as outras surpresas? No Centro Cultural Oscar Niemeyer? Então tá!

* Post novo agora só na sexta ou no sábado, direto de Sampalândia. Bienal de Arte Contemporânea e Festival de Cinema de São Paulo! Até lá.

sábado, outubro 14, 2006

Estado Natural, faixa a faixa

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Terceiro disco do Casa Bizantina, Estado Natural já foi investigado num texto que assinei no número 3 da revista Decibélica. Já o nº 4 (que ganhou as ruas semana passada - capa com os Rockassetes), traz uma curta entrevista com o grupo, que fiz antes do lançamento do álbum, quando os guitarristas/compositores Fabiano Olinto e Evandro Putz comentaram, em separado, cada uma das músicas do disco. Mas como a editoria da revista publicou uma versão miniaturizada do bate-papo, segue abaixo o faixa-a-faixa na íntegra:






"A Arte da Guerra"
Fabiano – Esse é um rock de preto! Suíngue... era uma poesia que eu tinha, e que foi publicada no concurso da editora Kelps, e aí eu peguei a poesia e coloquei o som.
Evandro - É minha e do Fabiano, uma das duas parcerias do disco. Fala da coisa da guerra, é uma onda mais pesada, e acho que lembra um pouco nosso primeiro disco.


"Menarca"
Fabiano –
Eu tava num bar, uma chuva enorme caindo sobre mim, (acompanhando a letra) “... como o beijo do rio na boca do mar”. MPB? Tem MPB nela sim, é triste... Fala da mudança interna, aquela coisa de trocar as cascas, de identidade. Fala de um monte de coisas comprometedoras (risos).
Evandro - Na verdade, fala da mudança da mulher, da menstruação mesmo, da menina virar mulher... mas se olhar num outro conceito pode ser a mudança pessoal mesmo. MPB? Não, acho que não, eu não vejo MPB nessa música. Vejo esse disco inteiro como um disco de rock.


"Configurações do Espaço"
Fabiano –
Essa tem influência de música brasileira. Acordes latinos... guitarras bem voltadas pro analógico, vintage, ligadas direto nos amplificadores, timbres mais crus. Levamos quase um ano pra gravar o disco.
Evandro – Essa tem uma influência de rock inglês, The Clash... Queens Of The Stone Age? Também, talvez... a introdução lembra um pouco né? Mas não fizemos pensando nisso. A letra fala de amor. É um tema que a gente sempre mexeu (risos)...


"Só Louvam"
Fabiano –
É a remissão dos pecados. Eles sempre são perdoados no domingo, né, quando você vai à missa. Ou, alguns, quando vão ao puteiro... Com muita referência do rock britânico e do rock americano, às vezes é difícil transpor melodias, na hora de trazer do inglês pro português. A língua inglesa tem uma gangorra pra você cantar nas vogais, e no português há uma diferença. A gente tenta buscar essa variação.
Evandro - Acho que essa é uma das mais rock do disco! Me lembra anos setenta, é bem direta. Um questionamento sobre as nossas deficiências e no que a gente acredita, o porquê de cada coisa...


"Estado Natural"
Fabiano –
Fala de uma renúncia, da privação, “...vamos mudar o estado natural das coisas”.
“Bom dia querida, você é o amor da minha vida. Mas eu não quero roupas no arame, nem quero criar filhos, nem quero ir à igreja. Felizes para sempre? Nós estaremos no retrato.”
Uma renúncia familiar, o outro lado...
Evandro - De novo a gente volta no amor, mas no amor que se foi. Num novo estado, o estado natural das coisas, o estar sozinho. Como a gente nasceu mesmo, só.


"Observatório"
Fabiano –
Essa tem uma alegria brasileira com batidas duras do rock. É a música do poupador, do fazedor de parcimônias.
Evandro - Essa tem uns metais na introdução, gravados pelo Miquéias. E o Fabiano é foda! Ele deu a idéia dos arranjos de metais. É sobre o amor de novo, mas, diferente de ‘Estado Natural’, é uma esperança...


"Por Onde Anda Você?"
Fabiano –
A história de uma garota cujo namorado nunca a conheceu, uma melodia ardida. E a monotonia vem... e ele nunca vai se encontrar com ela.
Evandro - Balada rock n’ roll, com uns violões acústicos. Umas viagens em tons diferentes. Esse é o disco mais ao vivo da banda, o show mesmo. Conseguiu transmitir.


"Bala Adormecida"
Fabiano –
Dentro da gente não tem mais nada senão a vida, né? Aí, de repente, ele estava passeando pela rua, a família ficou órfã e ele... Trabalha com acordes invertidos, dá uma sonoridade mais grave, uma harmonia legal.
Evandro - Nessa gente quis homenagear um amigo que perdeu a vida por causa de uma bala perdida. Gravamos diretão, eu, o Marcelo e o Thiago (N. do E. Thiago Ricco, ex-baixista da banda, atualmente no Violins)! Gravamos de primeira, num take só.


"Dias Distantes"
Fabiano –
Essa foi uma das primeiras músicas do disco, fala sobre um cotidiano raivoso, de um jovem trabalhador que estava insatisfeito com a vida, enquanto as coisas estavam girando... Fala sobre esse lance do encontro virtual também, internet, msn... marca os encontros nesse mundo virtual, existe um outro mundo agora, Matrix né? Não que seja uma comunicação desnecessária, mas... tudo o que a gente utiliza a gente joga fora, então...
Evandro - Eu acredito que essa música pode puxar o disco. Tem uma letra boa, e é boa de tocar ao vivo (risos). Também é uma das primeiras composições para esse álbum. O Iuri (Freidberger, produtor do disco) até tirou umas guitarras mais pesadas e deixou a música mais light.


"Fluxo Beligerante"
Fabiano –
Goiânia já é uma cidade de fluxo beligerante, catastrófica no trânsito. Verdadeiros excitadores do caos! E um dia uma garota saiu correndo no meio desse trânsito, ferida pela relação com o seu amante. Elementos da música clássica, violoncelo... acordes dissonantes, elementos da nossa música...
Evandro - Essa a gente gravou quase de primeira também. O disco tava afiado, tinha três anos de gestação. Eu sempre tive vontade de ter cordas num disco meu, e essa música tem! O arranjo também é do Fabiano.


"Hey Man"
Fabiano –
Um pouco de country-rock, com elementos da música brasileira. O acordeon é do jovem e fantástico Fridinho (guitarrista da Olhodepeixe). Aliás é dele também o solo de "A Arte da Guerra".
Evandro – Dave Matthews Band? Não, na minha cabeça não... Me lembra muita coisa de rock inglês, The Smiths... é uma influência do Fabiano. Pra gravar essa música nós pegamos escondido uma guitarra do Chaffin (N. do E.: músico e marido da cantora Maria Eugênia), uma semi acústica que estava lá no estúdio, mas ele não estava lá pra pedir emprestado. Mas eu acho que ele emprestaria numa boa.


"Adiante"
Fabiano -
O cara tava sentado numa pedra e o vento estava batendo no rosto dele. Sabe aquele sentimento: aproveite esse único momento? Aproveite bem! Ela provoca, aguça o bem e o mal (gargalhadas inexplicáveis).

"Função Social do Amor"
Fabiano –
Digamos que esse é o selo do contrato social, do contrato passional. Aí, então tá tudo certo, quando o amor chega à essência... tem uma levada sugestiva pra falar sobre amor. Tem umas melodias de metais bonitas.
Evandro – Essa é a outra balada. O curioso dessa música é que a gente quis deixar o vocal um pouco atrás, pra dar um ar meio largado, meio caído na cama, no sofá, bodado, cantando fora mesmo.