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sexta-feira, dezembro 31, 2010

Os melhores de 2010 (V)

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Antes que 2010 estrebuche seu último suspiro, o Terence Machado manda suas dicas do melhor da música no período. Feliz ano que vem!


Infinite Arms - Band of Horses


Antes que 2010 acabe, vamos lá:


De cara, o meu disco predileto, lançado este ano, e que apareceu pouco nas listas de melhores que vi por aí. Ou porque as pessoas ainda não conhecem bem essa banda ou porque, simplesmente, não dão muita bola pra ela, assim como eu, num passado não muito distante. Falo da Band of Horses e seu Infinite Arms. Disco recheado com o melhor mix possível de indie rock, blues e, mais do que nunca, country. A estradeira "Laredo" é, fácil, uma das canções pop perfeitas deste imperfeito 2010, em termos musicais. E o disco apresenta outras inspiradas como "Factory" e "Older", na ala mais calma do cd, e ainda "Northwest Apartment" e "Compliments", da leva roqueira. Achei que não agüentaria chegar ao fim do ano escutando esse discaço de tanto que rolou 2010 adentro. Mas, enfim, é um discaço.


"Laredo" - Band of Horses



Impossível não citar High Violet do grupo The National. Esse, sim, figurinha fácil nas listas divulgadas em tudo quanto é canto. "Bloodbuzz Ohio" é daquelas grandes músicas que precisam marcar mesmo um excelente disco, e rendeu ainda um clipe a altura. A banda está cada vez mais classuda, digamos. Tem ficado melhor a cada disco. Esse é o meu predileto do National até aqui.


Na ala esporrenta, destaco dois: Neil Young e seu Le Noise. Puro noise e ambiência em um disco que só mesmo um figurão como ele poderia fazer, acompanhado, claro, por outro figurão – o produtor Daniel Lanois. O outro é Nick Cave e seus companheiros do Grinderman, na segunda dose arranca-toco promovida pela banda. E começar com nocaute é sacanagem – "Mickey Mouse And The Goodbye Man" é pancada mais que certeira. Depois, vem "Worm Tamer". E, daí pra frente, salve-se quem puder.


Aproveitando que a porrada comeu solta também em shows especialíssimos como os do Rage Against The Machine e Queens of The Stone Age, no SWU, ou SWI(seria Starts With Itu?), como diria o Otto, não poderia deixar de falar de mais um lançamento do sempre casca grossa Mechanics12 Arcanos. Em show é sempre bom. E não é que em disco os caras também estão antecipando o fim do mundo? Calma aí, Márcio Jr.! Um disco cheio de “Ódio, Sangue e vontade de morrer.” Mais vivos que nunca entre os melhores do rock brasileiro atual. E que trabalho gráfico fodástico, hein?


Rage Against the Machine - "Testify" (ao vivo no SWU)



Tão bom quanto esses discos, é poder virar o ano, mergulhando nas biografias de dois dos maiores talentos do universo rock – Keith Richards e Lobão. Um internacional e outro nacional pra balança ficar equilibrada. E, mais do que discos, foi um ano especialíssimo de shows internacionais, no Brasil. Macca por aqui, em novembro, serviu pra deixar o espírito renovado pra 2011. Eu ainda pude conferir pela segunda vez, em solo brasileiro, uma das minhas bandas prediletas - o Rush. Ah, claro, o documentário Beyond The Lighted Stage sobre o power trio canadense é um dos melhores já produzidos do gênero. Pra falar a verdade, dessa vez, curti mais o documentário do que o show. Chatice de fã ortodoxo.


E que venha 2011 trazendo outras "Tulipas, Cérebros Eletrônicos, Patas de Elefante", ventos frescos e/ou psicodélicos como o Apanhador Só, Avi Buffalo, Tame Impala e The Sheepdogs e novos discos do Los Porongas, Transmissor, Radiohead , além de outras cositas más. Esqueci de alguém? Tudo bem. Ouço, leio ou assisto depois, se o verão permitir.



Terence Machado é jornalista, fundador, produtor e apresentador do programa Alto Falante - Rede minas.





Os melhores discos do ano passado (V)






Gilberto Gil no Goiânia Noise - Refazendo






quinta-feira, dezembro 30, 2010

Os melhores de 2010 (IV)

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Às vésperas da despedida de mais um ano velho, é a vez do DJ Abdala responder à enquete do grne e revelar o que mais tocou na sua vitrola em 2010. Siga a linha:


Behold The Ice Goat - Bodes e Elefantes


Então, meu velho, como você sabe eu estou a milhas de distância de ser um roqueiro, mas esse ano eu tratei de encurtar essa distância e ouvi mais coisas. Eu não consigo colocar somente uma banda/disco nessa lista, mas querendo ou não a patota que faz e cerca o Hurtmold fez as músicas que eu mais ouvi esse ano. Segue aqui alguns nomes, mas, por favor, não se atente para a ordem, ela não significa absolutamente nada pra mim.

Quantic Presenta Flowering Inferno - "Dog with a Rope"


Grinderman 2
The Eternals - Approaching the Energy Field
Rob Mazurek - Calma Gente
Exploding Star Orchestra - Star Have Shape
Bodes e Elefantes - Behold The Ice Goat
Beach Fossils - Beach Fossils
Quantic presents Flowering Inferno - Dog With A Rope (esse do Quantic foi o mais escutado, já até dancei dentro do supermercado ouvindo esse disco)
M Takara 3- Sobre todas e qualquer coisa
Blundetto - Bad Bad Things
O Projeto Hallogallo

A melhor música pra mim foi a “Upside Down” do Nomo com o Shawn Lee

NOMO & Shawn Lee - "Upside Dow



Só vou ficar devendo no quesito show. Tudo que eu quis ver eu não consegui. Era tudo longe demais do meu bolso e da minha casa. Talvez o mais perto fosse o do Mummies, mas eu não consegui. O maior arrependimento foi ter perdido o Hallogallo.

Acho que é isso.


Bruno Abdala é DJ, produtor do Clube Recreativo do Escambo e editor do Tapete Sírios.





...Gaúcho também pode

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Esperto é o gato...



... que já nasceu de bigode.







quarta-feira, dezembro 29, 2010

Os melhores de 2010 (III)

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Disparando seus pitacos categóricos sobre os melhores de 2010, quem gentilmente responde hoje à pesquisa de fim de ano do goiânia rock news é o Gabriel Thomaz, líder do Autoramas.


Tostado - Perrosky


Pra mim o melhor disco de 2010 é Tostado, dos grandes deuses do rock chileno Perrosky. Os caras estão muito bem, as músicas são sensacionais, tipo as melhores que eles já fizeram. O disco foi gravado em Nova York e a produção foi de ninguém menos que o Jon Spencer, que viu um show deles e se ofereceu pra produzi-los. Eles já vieram ao Brasil algumas vezes, espero que agora que tem aí o aval de alguém importante, mais gente preste atenção. Aqui no Brasil a galera ainda não sabe como medir a relevância de bandas que não sejam americanas ou britânicas, mas deixa pra lá. Como se isso tivesse alguma importância... E a melhor música do ano, pra mim, é "En La Linea", desse mesmo disco.

"En La Linea" - Perrosky


Mas teve um outro melhor disco, o Something For Everybody do Devo. É o Devo de sempre, na sua melhor forma. Tem uma ou duas que não são, assim, tão boas, mas também não estraga. Já os 4 bonus tracks são algumas das melhores da carreira inteira deles, pode confiar na opinião de quem se amarra muito no grupo. Devo é daquelas cujos fãs tem a coragem de dizer que eles são a melhor de todos os tempos, deixando de lado as melhores bandas-clichê do mundo. Sou um desses. E o mais engraçado em ouvir esse disco é sacar como os caras são modernos!


O melhor show pra mim foi o festival TurboRock, que aconteceu em 3 cidades na Espanha, e no qual tocamos em Madrid, Santander e Valencia com o Autoramas. Mas foi o melhor show porque tocamos junto com duas das melhores bandas de todos os tempos: Redd Kross e The Muffs.

Redd Kross and The Muffs "You Don´t Satisfy"- Turbo Rock Festival - Valencia


O Redd Kross, em cada cidade, conseguia sempre fazer um show melhor. Já os do Muffs foram todos num nível altíssimo, impossível dizer qual foi o melhor. E eles ainda tocaram um monte de músicas novas muito boas, que estarão no próximo disco, desde já o melhor de 2011. :)




Gabriel Thomaz é guitarrista/vocalista do Autoramas.






Gustavo Telles canta o amor

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Gustavo Telles, o homem por trás das baquetas do Pata de Elefante, saiu do fundo do palco direto para a cabeceira e assumiu violão e vocais em seu projeto solo.




Acompanhado pel'Os Escolhidos, chafurda o universo desgastado do country e do folk e, ancorando clichês do gênero numa franqueza tocante, acaba conseguindo espremer um disco inteiro de boas canções sobre o amor. Do seu amor, primeiro é você quem precisa, o álbum, está disponível para download gratuito no site da Trama, distante dos seus ouvidos apenas dois ou três cliques e alguns minutos. Colá lá.





terça-feira, dezembro 28, 2010

Os melhores de 2010 (II)

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Dando prosseguimento à investigação de fim de ano sobre o melhor da música em 2010, o Rafael Morettini, do Portal Mtv, manda avisar quais foram, em sua opinião, os destaques sonoros do ano que termina na próxima sexta feira.


The Suburbs - Arcade Fire


Eu sempre acho um pouco tosco quando alguém escolhe show gringo como o melhor do ano, uma coisa que sempre me soa meio “eu vi e vocês não, por isso foi o melhor, eu sou foda!”. Só que dessa vez eu mordi a língua. O motivo, no entanto, é bastante justo. E esse show foi visto por todo mundo na internet também, então está tudo certo.

Em julho desse ano eu já tinha ouvido The Suburbs e achei um baita álbum. E viajaria dentro de um mês com a minha esposa para NY e estava começando a ficar um pouco desesperado porque os únicos shows que anunciavam na cidade durante a nossa estadia eram de gente como Henrique Iglesias, Ivete Sangalo e Megadeth. Mas um dia eu acordei e, como fazia todas as manhãs, já sem esperanças, entrei no site do Bowery Ballroom. Dei um pulo da cadeira quando li o seguinte: “Arcade Fire, 04/08 e 05/08, Madison Square Garden”.

"The Suburbs" - Arcade Fire live at Madison Square Garden NY 8/5/2010.



O show do Arcade Fire no Rio de Janeiro, em 2005, foi um dos grandes da minha vida. Na verdade, aquela noite com o Wilco foi bastante significativa para mim, marcou uma época de certa forma. Eu vi o show com grandes amigos da faculdade, estava me formando naquele ano, e viajamos para ver uma das novas bandas que melhor representava uma onda em que acreditávamos. Eu lembro que tudo era Funeral naquela época. Eu também tinha acabado de entrar na MTV e lembro de ficar forçando a barra para passarem o clipe de "Rebellion (Lies)".

Dessa vez seria importante também, eu sabia disso. Marcaria uma outra época, agora com a minha esposa, na nossa primeira viagem juntos para a gringa.

E foi inesquecível. A abertura com “Ready To Start”, seguida por “Laika” e “No Cars Go”, o Madison inteiro gritando ensandecido em “Rebellion (Lies)”, o charme teatral da Régine Chassagne em “Sprawl II”, o final com “Wake Up”, o telão com os fãs cantando, o fato de ter sido no Madison Square Garden... Foi tudo tão perfeito, que eu vou pedir desculpas por soar babaca, mas enquanto eu escrevo esse texto chega a doer um pouco de saudades, haha, é sério! É até um pouco triste constatar isso, mas eu sinto que dificilmente algum outro show superará esse como “o grande show da minha vida”.

No nosso último dia de viagem, a gente estava em uma locadora de carros no Brooklyn e, dentro da loja, tinha um pôster divulgando o show. Eu disse para a atendente que nós tínhamos visto e amado aquela apresentação e ela, sem pensar, arrancou o pôster da parede, entregou pra gente e disse que aquele seria um presente do Brooklyn para São Paulo. <3 style="font-style: italic;">The Suburbs e sobre como eu considero esse álbum um marco na história do rock, certamente o melhor de uma das melhores bandas da última década. Mas eu me estenderia demais e, bom, acho que já dei motivos suficientes para escolhê-lo como o melhor disco de 2010.


Música do Ano
Em setembro desse ano, o Kanye West tocou "Runaway" no EMA. No dia seguinte eu lembro de ficar ouvindo repetidamente a música no site da MTV enquanto trabalhava, acho que fiz isso umas 18 vezes, sem brincadeira.

"Runaway" - Kanye West


Dois meses depois, quando vazou My Beautiful Dark Twisted Fantasy, eu baixei no computador de casa e esqueci de jogar no meu iPhone. E aquilo foi uma espécie de Cold Turkey, na verdade, porque eu tinha amado o disco, mas não podia ouvir. Então eu ficava entrando no Youtube e dava play em "Runaway", enquanto andava de casa para o trabalho e na volta também. E quem já fez isso sabe que não dá para desligar o iPhone senão a música para de tocar, daí eu segurava ele na mão e passava o dedo na tela de 20 em 20 segundos para ele não entrar em descanso, haha. Isso talvez tenha fodido um pouco com a minha conta de celular por ter excedido todos os megabytes do 3g, ela ainda não chegou, mas demonstra como eu gostei demais dessa música – que considero um verdadeiro hino. E aquele refrão me salvou depois de um péssimo dia no trabalho.
Portanto, "Runaway" é a minha música favorita de 2010.



Rafael Morettini é editor do Portal MTV.






segunda-feira, dezembro 27, 2010

São, São Paulo meu amor

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Que São Paulo é a capital cultural do Brasil, Brasília nenhuma pode contestar. E para ilustrar a condição paulistana de epicentro da civilização tupiniquim, uma agência de turismo da cidade chamou o Fernando Meirelles para fazer um filminho que batesse bola com algumas das figuras que mais emprestam beleza e agregam valor à São Paulo de hoje. E o resultado ficou dos mais bacanas. Aperte o play:





Mas se você boiou no roteiro e não reconheceu as referências que fazem alusão ao chef Alex Atala, ao DJ Marky, aos irmãos Campana e ao Onesto, das duas uma: ou você caiu aqui por acaso, ou está precisando visitar São Paulo urgentemente.



O toque do vídeo, quem deu foi a Uli.






Os melhores de 2010 (I)

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Dando início à habitual enquete de fim de ano, quem abre os trabalhos e, atendendo ao convite do goiânia rock news, responde sobre o que de melhor aconteceu no horizonte musical de 2010 é o inquieto Márcio Júnior, que antes de enumerar as suas predileções do período faz uma curta digressão sobre sua relação com a música ao longo do tempo. Siga a letra:


Scratch my Back - Peter Gabriel


O convite do goiânia rock news provocou uma bela reflexão no meu cérebro pitimbado. A dificuldade de encontrar exemplares de 2010 para a escolha de discos e canções me fez perceber como minha conexão com a música se alterou ao longo do tempo.

Houve uma época em que elaborar uma lista dessas seria fichinha. Eu encarava o universo musical com o rigor de um cientista, ávido por conhecer todas as novidades e lançamentos. Gastava os meus parcos trocados para ter acesso àquilo que parecia ser novo e relevante. Gastava minha verborragia xarope para desnudar e, se possível, enterrar os (supostos) dinossauros que erravam pelos campos sonoros. Quanta pretensão...

As coisas mudaram. Ao menos para mim. Depois do milésimo hype em torno de qualquer banda nova que no fundo é um pastiche de algo que rolou há no mínimo 30 anos, desencanei. Se antes minha abordagem era, digamos, sociológica, hoje ela é mais subjetiva, individual. Quase psicanalítica. Gosto de entrar num sebo e sair com um monte de vinis baratos debaixo do braço. Vinis que não sei do que se tratam. Na hora da escolha, a capa é determinante. A esquisitice também. Boto a bolacha na vitrola e fico esperando a música me pegar.

Ainda escuto com afinco os discos que lançamos pela Monstro. E continuo a seguir os artistas que me são caros. Para mim, no final das contas, são eles que ainda dão as cartas. Sociológica e psicanaliticamente falando.

Abandonei quase por completo a imprensa musical no que diz respeito à crítica - que de especializada não tem nada. O tempo é curto e chega um momento em que não dá mais pra perdê-lo com alguém mais novo e burro do que eu.

Nesse panorama, 2010 foi mais ou menos isso aqui nos meus tímpanos:


Melhor show
Esse foi um grande ano de shows para o Brasil. Não vi nenhum. Mas fiquei com vontade...

Arrigo Barnabé canta Caixa de Ódio,
de Lupicinio Rodrigues (Bolshoi Pub - Goiânia)


Bebê recém-nascido em casa muda tudo. Os shows, uma das necessidades de primeira ordem, pularam lá pra 40a posição na lista de prioridades, bem abaixo das fraldas Pampers. Daqueles a que tive acesso, o melhor foi o do genial Arrigo Barnabé interpretando Lupicínio Rodrigues. No Noise, The Mummies e Krisiun foram antológicos.


Melhores álbuns
1 - 2010 me reservou uma pérola. Scratch my Back, de Peter Gabriel, é uma obra-prima onde o legendário fundador do Genesis troca chumbo do mais alto calibre poético com pares não menos legendários, tais como David Bowie, Lou Reed, Radiohead, David Byrne e Bruce Springsteen. Coisa de gente grande.

"Flume", from Scratch my Back - Peter Gabriel (Bon Iver's cover)


2 - Apesar da capa sem graça, Nasceu, do Rinoceronte, foi um dos melhores lançamentos Monstro de 2010. E sem nenhuma modéstia coloco o 12 Arcanos, do Mechanics, como um dos álbuns que merecem uma audição rigorosa (à base de Dramin, que é para evitar possíveis náuseas).


Melhor música
Não consigo mais decorar nome de música. O conceito de álbum, que lentamente acompanha a vaca rumo ao brejo, ainda me é infinitamente mais interessante do que pensar em músicas individuais.

"Modern Day Delilah" - Kiss


Pra não votar em branco, fico com "Modern Day Delilah", dos meus eternos heróis KISS. Rockão porrada e certeiro, poderia estar em qualquer grande disco da banda. Mas na real, é a faixa de abertura de "Sonic Boom", discão que quebra um jejum de onze anos sem um álbum de inéditas dos mascarados - e que, sem nenhuma explicação minimamente racional, não teve um lançamento digno no Brasil.

Enfim, minha suada lista de 2010 revela um pouco como tenho me relacionado com a música nos últimos tempos: olhando pra trás. Porque é lá que está quem aponta de verdade pro futuro. Podem me chamar de velho. É a mais pura verdade.




Márcio Júnior é sócio fundador da Monstro Discos e do Goiânia Noise Festival. Também é vocalista dos Mechanics.





sexta-feira, dezembro 24, 2010

Ho ho ho

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The number of the beats 2010 (II)

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Desde Antidotes, lançado pelo mundo entre 2008 e 2009, que o Foals merece a atenção de quem cultua antes a música que a novidade pela novidade.



Em 2010 a banda inglesa lançou Total Life Forever, que segue complicando as estruturas da dance music contemporânea com elementos do math rock, na medida em que arrisca uma ambientação menos festiva e mais introspectiva. E "Blue Blood", executada no vídeo acima nos estúdios da BBC de Londres, é um dos melhores exemplos dessa experimentação que se estende por todo o disco.





quarta-feira, dezembro 22, 2010

Yes, we can?

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Hell On Wheels

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Ontem o Fabrício Nobre, antes mais conhecido simplesmente como vocalista do Mqn, foi "sabatinado" pelo programa Roda de Entrevistas, da TV Brasil Central, onde sua fama de roqueiro doidão se viu soterrada pelos respeitáveis títulos de presidente da Abrafin – Associação Brasileira de Festivais Independentes, de delegado titular no Colegiado Setorial de Música do Conselho Nacional de Políticas Públicas do Ministério da Cultura e de sócio da Monstro Discos.




Além do jornalista Reynaldo Rocha, mediador e anfitrião, os entrevistadores convidados fomos o compositor e produtor cultural Carlos Brandão, os jornalistas Pablo Kossa, Janaína Gomes e eu. Na primeira metade do programa o grosso da conversa girou mesmo ao redor de especulações sobre o novo secretariado do governo estadual, quando o entrevistado garantiu ter uma indicação para cada cargo, afinada com as intenções do setor cultural goiano, na ponta da língua.


O Brandão, que havia chegado ao estúdio com uma latinha de cerveja na mão e, aparentemente, várias outras na cabeça, assumiu o papel de provocador da noite e, disfarçando suas fustigadas com elogios derramados, cutucou Fabrício com questões sobre a suposta existência de ciúmes dentro da Monstro Discos, devido ao seu maior destaque público em relação aos outros três sócios, o que foi elegantemente desmentido, mas sem se aprofundar no tema.


Já respondendo a mim, Fabrício revelou detalhes da extensa negociação que culminou na apresentação de Gilberto Gil e Macaco Bong na última edição do Goiânia Noise Festival, e que nasceu do seu desejo de produzir um show comemorativo que celebraria os quarenta anos de lançamento do clássico álbum de 1968 do ex-ministro, cuja capa sugere uma espécie de tropicalização da psicodelia, inspirado pelos Beatles com seu Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, lançado um ano antes.


O programa foi ao ar ontem, ao vivo, das 22 às 23 horas, e será reprisado no próximo domingo, 26/12, às 21 horas.






terça-feira, dezembro 21, 2010

Quanto pior, melhor.

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O Urbanaque, endereço esperto comandado pelos irmãos Dias, decidiu remar contra a maré das tradicionais listas de melhores do ano. Lá, segundo garante a editoria, as tabelinhas de fim de ano vão listar não os melhores, mas os piores de 2010. E o nome da enquete não poderia ser mais apropriado. Então, siga o recado do Urbanaque aí embaixo, reflita por um instante e desça o sarrafo em quem merece (já que merecedores não faltam).



Dezembro chegou e com ele vieram as fatídicas listas de melhores do ano. Mas aqui no Urbanaque nós não estamos interessados nelas. O nosso lance é o bagaço da laranja.

Queremos saber a cara opinião de vocês, leitores, sobre quais foram os piores de 2010. Por isso, criamos um prêmio para coroar àqueles que lhes torram a paciência, causam constrangimentos e não se tocam do papelão que estão fazendo. Uma oportunidade rara de ir à forra contra esses presepeiros.


O prêmio leva o pomposo nome de I Prêmio Oswaldo Vercillo da Música Brasileira, em homenagem a vocês sabem muito bem quem, e para participar basta indicar na caixa de comentários os nomes de quem no Brasil peidou na farofa em 2010, nas seguintes categorias:

- Pior disco
- Pior música
- Pior cantor
- Pior cantora
- Pior show
- Pior evento (festival)
- Decepção do ano

Encerraremos a coleta de votos no dia 31 de dezembro e os vencedores (ou perdedores dependendo do ponto de vista) serão divulgados na metade de janeiro juntamente com os votos de um júri formado por figuras bacanas da crítica especializada.






segunda-feira, dezembro 20, 2010

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Clube Recreativo de Escambo

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Os felizardos que marcaram presença na 1ª edição do Clube Recreativo de Escambo puderam aproveitar tudo que existe de mais fino e elegante quando o assunto é LP’s e bugigangas luxuosas em geral.



Agora chegou a vez do coletivo de troca mais maroto da cidade atacar de Papai Noel e presentear todos vocês com a 2ª edição.

O local escolhido para esse nobre acontecimento é a Ambiente Skate Shop e a data é o dia 18 de dezembro. Vai ter som na vitrola e cerveja gelada no carrinho.

Tragam seus discos, adesivos, quadrinhos, artes, artesanatos e balangandãs para a nossa celebração. Quem sabe você não sai de lá com um excelente presente de amigo secreto ou uma maravilhosa oferenda natalina.


2ª Feira de Troca do Clube Recreativo de Escambo

Local: Ambiente Skate Shop. Rua T-30, St Bueno
Dia : sábado 18/12/2010
Horário: das 15:00 às 20h (mais conhecido como das 3 às 8)
mais informações: 8131 7022 / 8213 5755





E se Jesus tivesse nascido em 2010?

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Sensa!





quinta-feira, dezembro 16, 2010

The number of the beats 2010 (I)

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Latin, terceiro disco do Holy Fuck, é o titular da vez na eterna playlist do goiânia rock news.





"Latin America", o primeiro single do álbum, exala uma espécie elétrica de transe eletrônico, arrastando a atmosfera de êxtase químico do house de sotaque rock para perto da e-music contemporânea. O que, finalmente, dá algum sentido (mesmo que retardado) ao rótulo new rave, desperdiçado com chatices da categoria de Klaxons e Hot Chip.






O Autista Contemporâneo (V)

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quarta-feira, dezembro 15, 2010

A maioridade de Adele

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Saiu o vídeo novo da Adele, para “Rolling In The Deep”, que deve ser o primeiro single de 21, terceiro disco da cantora, cujo lançamento está programado pra janeiro:





E confirmando os últimos tempos como um período especialmente fértil no quesito cantoras, a beleza cândida de “Rolling In The Deep” apaga as luzes do ano velho enquanto acende as expectativas para a primeira promessa-que-vale-a-pena anunciada para o ano novo.






December's best new music from across the MAP

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A música do Diego de Moraes saiu de Senador Canedo para fazer uma ponte, em Goiânia, entre o rock e a MPB. Depois roletou o circuito de festivais Brasil afora, acompanhada pelo Sindicato - sua banda de apoio, e acabou numa coletânea da revista francesa Brazuca, compilada pelo pessoal da festa Criolina, lá de Brasília.




Agora, quem descobriu os predicados do nosso punk tropicalista foi o site do Guardian, tradicional publicação inglesa que concedeu um lugar nobre para a faixa “Amigo”, do disco de estréia Parte de Nós, na lista de melhores músicas de dezembro através do mundo, ao lado, entre outros, da banda argentina Nairobi, da chinesa Rainbow Danger Club, da colombiana Capzula, da alemã Dizzy Errol, da indiana Tempo Tantrick e da americana Painted Palms.


Legal, né?



Pra baixar todas as 34 faixas selecionadas pelo jornal britânico, num arquivo só, clique aqui.










terça-feira, dezembro 14, 2010

OK Go - A Parada do GPS

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Viu o novo vídeo do OK Go?




A sacada da vez foi resultado de um projeto com a Range Rover , em que a banda liderou uma parada que percorreu a cidade de Los Angeles, e “escreveu” OK Go nas ruas com o GPS.







Sepultura Conspiracy

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Não é de hoje que rolam rumores de uma possível reunião da formação clássica do Sepultura, aquela que gravou álbuns também clássicos como Arise, Chaos AD e Roots. Essa possibilidade foi levada mais a sério assim que os irmãos Cavalera, Max e Iggor, se entenderam depois de anos sem se falar, e engataram o seu Cavalera Conspiracy logo que brother-baterista abandonou o Sepultura alegando que queria se dedicar ao seu projeto eletrônico, o Mixhell.





A reboque de sua reconciliação com o irmão, Max Cavalera deu corda para a imprensa, externando sua vontade de reunir a banda que fundou nos anos 80, jogando a batata quente nas mãos dos remanescentes Andreas Kisser e Paulo Júnior, que ontem postaram no site oficial da banda, ao lado dos "novatos" Derrick Green e Jean Dolabella, uma vídeo-resposta que se pretende definitiva.

O guitarrista recomenda que ninguém acredite no que ele chama de mentiras e boatos e garante que não há nenhum contato entre eles e os Cavalera. Revela que o Sepultura grava um novo álbum em janeiro próximo, com produção de Roy Z, e lançamento mundial pela Nuclear Blast, em maio, com datas da turnê euopéia já agendadas, o que inclui uma apresentação no festival alemão Wacken.


Mas a despeito do balde de água fria, não fiquei lá muito convencido do caráter definitivo da negativa do Andreas, e acho que ainda é possível que a coisa aconteça, mesmo que demore. E esse meu otimismo é filho direto do mais forte dos imperativos, o econômico: quando, e se, certas contas bancárias esbarrarem no vermelho, essa reunião acaba saindo.





Pegaram os ateus pra Cristo

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Programada para começar a circular a partir de ontem em Porto Alegre e Salvador, uma campanha da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos - ATEA foi barrada nas duas cidades. Em Salvador, a empresa responsável pela veiculação desistiu da campanha, que previa banners em ônibus, temendo ação do Estado e dos empresários do transporte.




Já em Porto Alegre, a Agência de Transportes Públicos recusou a campanha local alegando infração de uma lei municipal que veta temas religiosos na publicidade de ônibus. A Associação, que recentemente acionou o Ministério Público Federal para ajuizar ação civil pública contra o jornalista José Luiz Datena (que fez afirmações ofensivas contra ateus em seu programa de TV), segue arrecadando, em seu site, donativos em dinheiro para custear mais uma demanda jurídica, dessa vez contra a empresa soteropolitana e a a Agência de Transportes Públicos de Porto Alegre.




A campanha brasileira da ATEA é derivada daquela promovida pela British Humanist Association, pioneira na militância publicitária ateísta. A iniciativa britânica, que teve enorme êxito na divulgação de suas peças, começou com o objetivo de arrecadar £5.500 (mais ou menos R$19.000). Mas em quatro dias atingiu £100.000, e logo ultrapassou os £135.000 (R$465.000), uma cifra bem razoável, mesmo para os padrões ingleses.




Lá, foram 800 ônibus com o slogan "Theres's no god, now stoping worrying and enjoy your life" (Provavelmente deus não existe. Agora pare de se preocupar e viva sua vida), mais mil anúncios no metrô, duas grandes telas de LCD, de 3,7m² e 7,4m², e uma mensagem na BBC.




Mas aqui, caso não tivesse sido abortada, a ofensiva seria bem mais discreta: 10 ônibus em Porto Alegre, financiados por um único doador paulista que, segundo o site da Associação, prefere permanecer anônimo, e 5 ônibus em Salvador, custeados pela própria entidade. E mesmo diante de investida tão tímida, nem o esdrúxulo sincretismo baiano, nem a proclamada superioridade cultural gaúcha quiseram arriscar-se na polêmica.






segunda-feira, dezembro 13, 2010

Rock na Veia

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The needle is warm, in the arm...


... throat burns, illusion pain, pain, pain.


Via Skinny Puppy.





sexta-feira, dezembro 10, 2010

Satanique Samba Trio Elétrico

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Conhece o Satanique Samba Trio?



Agora já conhece.


* Primeira edição do projeto Satanique Samba Trio Elétrico, executado nas ruas de Brasilia em julho de 2010 pelo Satanique Samba Trio.







Fiu fiu...

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quinta-feira, dezembro 09, 2010

Gilberto Gil - Refazendo

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Futurível, o show do ex-Ministro e eterno tropicalista Gilberto Gil com o trio cuiabano Macaco Bong, na última edição do Goiânia Noise Festival, dividiu opiniões. Pouco antes de subir ao palco e, ao mesmo tempo, provocar o delírio de seu enorme fã-clube e suscitar certo estranhamento em quem esperava pelas versões originais de seus sucessos, Gilberto Gil falou com o goiânia rock news, numa entrevista dividida com os cinegrafista Piva Barreto e Uliana Duarte (Nona Nuvem). Siga a letra:


Gil+Macaco Bong (passagem de som)


Como aconteceu esse encontro entre você e o Macaco Bong?
Gilberto Gil – Eu não conhecia o Macaco Bong, e o Cláudio Prado, que é companheiro de jornadas há muitos anos, desde Londres, me disse “Olha tem uns meninos lá de Cuiabá que eu acho interessante você prestar atenção e eventualmente fazer alguma coisa com eles”. Aí surgiu a oportunidade com esse trabalho, que foi para o Fórum de Cultura Digital do Ministério da Cultura, e esse convite aqui do Goiânia Noise, com a Universidade de Goiás. E eu deixei que os meninos fizessem a abordagem conceitual, já que a iniciativa vinha mais deles, e já que eles são jovens, são os Fora do Eixo, essas coisa todas. Pegaram umas oito canções, deram o tratamento que eles quiseram dar, evidentemente dentro da expectativa não-convencional que é o elemento básico do trabalho deles, e eu entrei com um certo gosto que tenho por essas experimentações mais livres, com a receptividade ao trabalho deles. Então fui adaptando “Aquele abraço”, “Palco”, “Essa é pra tocar no rádio”, “Vitrines”, e deixei que eles fizessem os arranjos, que ganharam outra segmentação rítmica, tempos variados, múltiplos, tudo isso que é típico do trabalho deles, e minhas canções, que também acabaram fragmentadas, também nas letras, et cetera. E isso pra fazer esse trabalho que não é o deles nem o meu, é uma terceira maluquice (risos). Porque o público é mais deles que meu. É um público jovem, de rock, é o público desses festivais, que espera que as coisas sejam mais aos moldes do que eles fazem do que do que eu faço.


Você é um artista de festivais. Fez muitos festivais a vida inteira...
Gil – Muitos!


Por que festival é importante?
Gil – Primeiro porque é festival! Quer dizer, os festivais se consagraram no mundo inteiro como um dos espaços de reunião da cultura jovem, com tudo o que isso significa: atitude, irreverência, modos não-convencionais de se vestir, de se comportar. Grandes aglomerações, toda essa cultura do amor, de intercâmbio afetivo profundo, que vai até as últimas consequências, com toda uma dimensão de liberação sexual também, tudo isso os festivais trouxeram, investiram forte. Desde Woodstock, Ilha de Wright, os grandes festivais americanos, europeus, depois os brasileiros. E depois, essa dimensão do Fora do Eixo, que é uma coisa importante também. Não são festivais realizados pelos grandes empreendedores, com grandes interesses comerciais envolvidos. Evidentemente que tem algum interesse comercial, é preciso remunerar as bandas, os promotores, os realizadores, mas o grande objetivo, o principal, não é ainda a meta comercial, é a meta cultural, é a música e toda essa cultura que cerca os festivais. Então, eu diria que esses dois aspectos são os principais.


Você disse que não conhecia o trabalho do Macaco Bong antes de surgir a oportunidade dessa parceria...
Gil – Não, não conhecia.


Gil+Macaco Bong (passagem de som)


Mas e depois? Imagino que você tenha escutado o disco, o que achou?
Gil – Ainda não escutei. Eles, Bruno, Ney e Ynaiã, deram o disco para o Bem, meu filho, que só não veio hoje porque foi ao show do Paul McCartney. Mas eu ainda não ouvi, o Bem ficou de me passar o disco. Agora, eu vi a apresentação deles em São Paulo, quatro números surpreendentemente interessantes. Pelas informações que eu tinha, que vieram do Cláudio, eu não duvidava da proficiência, da competência, do caráter interessante do trabalho deles, porque eu confio no Cláudio, que é um aficcionado por música, acompanha especialmente esse campo do rock n’ roll há muitos anos, desde Londres. Então eu confiava na recomendação dele, mas as informações que ele me deu davam conta de uma coisa num estilo mais blues, sabe, hendrixiano, e o que o Macaco Bong faz não é isso, é uma música quase... não diria atonal, mas com muitos elementos de atonalidade, com uma fragmentação rítmica que é ousada. O que eu ouvi lá em São Paulo me deixou surpreso mesmo, e agora eu vou ouvir o disco. Eles já estão no segundo, terceiro disco?


Primeiro.
Gil – É o primeiro disco?! É uma coisa arrojada, porque mesmo na área do rock n’ roll e da música jovem, os estilos, os conceitos de sonoridade, de rítmica, de formatação de músicas, são mais ou menos convencionais. É o blues, são os elementos latinos, que depois do Phil Spektor - o grande produtor que explorou esse campo, explorou as batidas do baião, transportou as batidas árabes do baião pro rock n’ roll, ali na California especialmente. E esses foram os formatos que se propagaram pelo mundo, então o rock n’ roll também já é uma música convencional hoje em dia. Claro que com discrepâncias aqui e ali, mas é basicamente uma música convencional também. E esses meninos procuram fugir um pouco, fazem uma música que é mais... Eu diria que está mais para o gosto experimental, do que para o gosto convencional.


Gil+Macaco Bong - O show
(observado atentamente pelo Cláudio Prado)


Depois de ocupar o cargo de Ministro, e enxergar o cenário cultural do ponto de vista do Governo, como você vê o papel da cultura através da revolução digital?
Gil - Olha, eu acredito muito no imperativo tecnológico, imposto pelas tecnologias novas. São tecnologias que trabalham na perspectiva, primeiro, de uma popularização muito grande, universalização de acesso. Todo mundo começa a ter acesso a banda larga, os vários elementos da tecnologia digital, desde câmeras até os terminais em celulares, computadores. Isso está fazendo uma quantidade enorme de pessoas no mundo inteiro produzir material, texto, música, ciência, política. E eu não creio que a grande indústria mundial, as telecomunicações, os grandes fabricantes, tenham feito isso sem essa expectativa. Aliás, fizeram com essa expectativa, de horizontalização, de esparramamento dessas possibilidades pra todo mundo. Agora, o sistema de maneira geral tem que se defrontar com essa problemática nova, criada pela tecnologia e pelo consumo dela. Uma série de questões sobre propriedade intelectual, como saber, e remunerar, quem é titular de direito autoral. Essa coisa dos conteúdos gerados pelo consumidor, pelo usuário de telefonia celular, computador, a relação entre Estado e sociedade civil, papel regulatório do Estado, papel distribuidor do mundo empresarial. Como se enfatiza a questão do compartilhamento? Do software livre, dos códigos abertos, quem é dono, como é que a gente estabelece quem tem direito ao que, se são direitos coletivos? As redes sociais, essa produção toda que é feita em rede... Por exemplo, um dos últimos aviões da Boeing foi produzido a partir de um programa de design compartilhado por mais de 120 mil pessoas (risos), que trabalharam no site da empresa pra desenhar essa aeronave. Provavelmente a Boeing se preveniu, assinou um contrato com esse pessoal todo, mas e no futuro? No cinema de Hollywood, os efeitos especiais dos grandes filmes são feitos por centenas, milhares de pessoas trabalhando em código aberto. Quer dizer, como é que vai se estabelecer a propriedade disso? Isso é dos estúdios produtores, da Fox, da Paramount? Ou não, isso é de todo mundo que fez? Os meninos que baixam arquivos de outros meninos, com milhares de músicas, podem ser criminalizados, devem ser criminalizados? São questões que estão sendo muito discutidas em todos os lugares. O Partido Pirata já entrou na política na Alemanha, na Suécia, na Espanha, no México, em vários outros países. São questões com as quais a sociedade contemporânea vai ter que se defrontar seriamente. Não adianta ficar dizendo “Ah, mas não pode, é ilegal!”. As leis têm que se adaptar às novas realidades, e não o contrário. Essa é uma questão com que os Estados, legisladores, órgãos reguladores, a sociedade civil, os autores (a velha autoralidade, quem é autor disso, quem é autor daquilo), vão se defrontar. É tudo muito novo. O imperativo tecnológico jogou esse problemão no colo da sociedade contemporânea, e não tem jeito, agora ela vai ter que se debruçar sobre isso.


E dessa nova música brasileira, o que você tem prazer em ouvir?
Gil – Olha, a coisa que mais me agrada hoje é o trabalho que gira em torno do Arnaldo Antunes, e de tudo o que ele atrai, como maneiras variadas de músicos jovens tocarem. Tem as bandas também, uma quantidade enorme de bandas novas por aí, que eu eventualmente escuto aqui e ali. Um número muito grande de moças, meninas né, crooners. Cantoras liderando bandas, algumas interessantíssimas, umas dedicadas ao lado mais folk da música brasileira, como é o caso da Roberta Sá no Rio de Janeiro, e toda essa meninada. Gente com muita potência, como é o caso da Ivete, com a disposição pra disputar o espaço pop internacional. Porque isso é interessante também, é preciso haver pessoas dedicadas a essa vertente da música de business, da música de grandes negócios, mas com muita qualidade, com muito talento, como é o caso da Ivete. Tem uma série de orquestras interessantes aparecendo, a primeira delas foi a Imperial, no Rio, depois a Rumpilezz, os meninos do Recife, da Spok Frevo Orquestra, esse é um lado importante também, porque recupera a música instrumental no Brasil. São trombonistas, trompetistas, saxofonistas, pandeiristas, crooners.


Você falou de uma nova geração de cantoras, e a influência quase onipresente dessa geração vem de uma contemporânea sua. Concorda que a Gal Costa é a cantora mais influente do Brasil, hoje?
Gil – É, quase onipresente! Eu diria sim. Por causa da qualidade vocal extraordinária, ao mesmo tempo o ecletismo, porque Gal cantou de tudo, fez investidas importantíssimas na área do rock, com Pepeu, com Jorginho, com Lanny, com A Bolha, enfim...


Dá pra dizer que o disco mais radical da Tropicália é da Gal?
Gil – É! O Fa-Tal...


O disco psicodélico de 69 também...
Gil – É! O 69 e depois o Fa-Tal. Enfim, se você pega desde Marisa Monte pra cá, que é, digamos assim, um marco... Ela representa a chegada dessas moças mais jovens todas. A Marisa era isso, uma reverência muito clara ao trabalho que Gal fez, a tudo que Gal significou. E todas essas meninas... eu falei da Roberta Sá, que é um exemplo claro também desse tipo de reverência, de meninas que se dedicaram à manifestação da excelência da voz, o gosto pela afinação, todas essas coisas. Isso tudo é Gal Costa. Elis Regina também (risos).




quarta-feira, dezembro 08, 2010

Velha roupa colorida

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Só hoje eu vi a lista de melhores discos do ano do célebre magazine inglês New Musical Express. Gosto de pensar que, fossem outros tempos, figuras como Nick Kent, Tony Parsons, Greil Marcus e Lester Bangs – alguns dos poucos responsáveis pela crítica de rock fazer algum sentido –, fuzilariam setenta por cento dos laureados com um singelo carimbo de lixo. Mas na pós-modernidade digital onde a música é despejada no mercado em quantidades absurdas, é bem possível que, fora o Bangs (que teve a sorte de morrer jovem), Mr. Kent, Mr. Parsons e Mr. Marcus sejam felizes ignorantes de tamanha reciclagem musical.




01. These New Puritans – Hidden
02. Arcade Fire – The Suburbs
03. Beach House – Teen Dream
04. LCD Soundsystem – This Is Happening
05. Laura Marling – I Speak Because I Can
06. Foals – Total Life Forever
07. Zola Jesus – Stridulum II
08. Salem – King Night
09. Liars – Sisterworld
10. The Drums – The Drums
11. The National – High Violet
12. Caribou – Swim
13. Gayngs – Relayted
14. The Fall – Your Future, Our Clutter
15. Yeasayer – Odd Blood
16. Grinderman – Grinderman 2
17. Factory Floor – Untitled
18. Warpaint – The Fool
19. MGMT – Congratulations
20. Deerhunter – Halcyon Digest
21. Janelle Monae – The ArchAndroid
22. Swans – My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky
23. Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Before Today
24. Vampire Weekend – Contra
25. Avi Buffalo – Avi Buffalo
26. Les Savy Fav – Root For Ruin
27. Best Coast – Crazy For You
28. New Young Pony Club – The Optimist
29. No Age – Everything In Between
30. Klaxons – Surfing The Void
31. Crystal Castles – Crystal Castles
32. Islet – Wimmy
33. Marina And The Diamonds – The Family Jewels
34. Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy
35. Glasser – Ring
36. Hurts – Happiness
37. Lonelady – Nerve Up
38. Big Boi – Sir Lucious Left Foot: The Son Of Chico Dusty
39. Magnetic Man – Magnetic Man
40. Sleigh Bells – Treats
41. Steve Mason – Boys Outside
42. Mystery Jets – Serotonin
43. Everything Everything – Man Alive
44. Manic Street Preachers – Postcards From A Young Man
45. Four Tet – There Is Love In You
46. Paul Weller – Wake Up The Nation
47. Pulled Apart By Horses – Pulled Apart By Horses
48. My Chemical Romance – Danger Days
49. Surfer Blood – Astro Coast
50. Frightened Rabbit – The Winter of Mixed Drinks
51. Charlotte Gainsbourg – IRM
52. Dum Dum Girls – I Will Be
53. Kelis – Flesh Tone
54. First Aid Kit – The Big Black and The Blue
55. Ikonika – Contact, Love, Want, Have
56. Mount Kimbie – Crooks & Lovers
57. Joanna Newsom – Have One On Me
58. Crocodiles – Sleep Forever
59. Errors – Come Down With Me
60. Belle And Sebastian – Write About Love
61. Flying Lotus – Cosmogramma
62. Gil Scott-Heron – I’m New Here
63. Perfume Genius – Learning
64. Walls – Walls
65. Robyn – Body Talk Pt 1
66. Gorillaz – Plastic Beach
67. The Dillinger Escape Plan – Option Paralysis
68. Edwyn Collins – Losing Sleep
69. Happy Birthday – Happy Birthday
70. Broken Social Scene – Forgiveness Rock Record
71. Field Music – Field Music (Measure)
72. Male Bonding – Nothing Hurts
73. Interpol – Interpol
74. Sufjan Stevens – The Age Of Adz
75. The Eighties Matchbox B-Line Disaster – Blood & Fire