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quinta-feira, julho 26, 2007

Extreme Stoner Nights



# Parece que as chuvas resolveram aparecer bem mais cedo esse ano. Pelo menos as temporãs. Eu, particularmente, gosto muito da chuva e ia me esquivando dos últimos pingos dela, andando calmamente pelas frenéticas ruas do centrão de Goiânia, na manhã cheirosa desta quinta-feira (já reparou como são tipicamente charmosos os perfumes do pão de queijo quente com café fresco? É só ignorar a fumaça do asfalto).

# # Fones plugados nos ouvidos, pulsando alto com o último do Justice – o duo dance francês mais legal desde o Air –, e não é que a realidade tomou aspectos psicodélicos enquanto eu passava por um engarrafamento, no justo momento que começava Let There Be Light, que incrivelmente resolveu dialogar com as buzinas aborrecidas dos carros estancados ao lado, criando uma loucura tamanha nos meus tímpanos e cérebro, que eu devo ter ficado olhando para os lados com cara de besta, tentando entender o que era e o que não era.


O quê é que tinha naquele café que acompanhou meu pão-de-queijo lá no Biscoitos JPereira eu ainda não descobri.


# # # Sei que deixei o engarrafamento pra trás e, no percurso dos próximos quinhentos metros, contei pelo menos umas oito pessoas isoladas do planeta por fones de ouvido, assim como eu. Continuei caminhando e dançando (agora a disco-teen D.A.N.C.E. explodia num coral infantil bem dentro da minha cabeça) e me deu uma baita curiosidade pra saber qual a trilha sonora do isolamento voluntário dessa gente que desfilava os mais diversos estereótipos urbanos naquela mesma manhã ensolarada. Fiquei bem curioso, mas não ia perder meu tempo e dignidade interpelando uma garota gordota e sorridente, pra descobrir que o motivo de tanta felicidade era o último sucesso do César Menotti e Fabiano, ou interromper a caminhada do tiozão grisalho e perceber que, na realidade, o coroa escutava comentários esportivos sobre o PAN na AM, enquanto malhava a pança. Preferi imaginar todo mundo ouvindo Justice e disfarçando o movimento, assim como eu.



# Nessa última semana, desses tempos de velocidade instantânea, desenterrei algumas bandas novas-velhas, que eu já não escutava há uns, vá lá, dois meses. O Gotham, quarto disco da novaiorquina Radio 4, é um dos mais incríveis exemplos de como uma banda pode beber no passado para soar moderninha sem parecer oportunista e/ou débil mental. O rock de estrobo e luz negra do quinteto é cheio de intenções noturnas, elaboradas num cenário de onirismo chapado, auto-destrutivo e muito dançante, perfeito para pistas bêbadas, roqueiros não-ortodoxos e química pesada. A incrível Dance to the Underground está aí embaixo e não me deixa mentir. Play and dance!


# O MqN está completando dez anos de garagem e, para celebrar, embarcou suas guitarras para a Argentina, onde entre um sarro e outro com nossos vizinhos vice-campeões, faz uma pequena série de shows em Buenos Aires e arredores, ao lado da parceira local Satan Dealers e do Los Lótus. E para registrar a data festiva, lançam lá uma coletânea preparada exclusivamente para o público argentino. Na volta, passam por Porto Alegre, onde se acompanham dos compadres do Walverdes e do Sonic Volt para mais uma extreme-stoner-night, antes de retornarem à terrinha.



# Se tudo o que estão falando à boca miúda por aí for verdade, o segundo semestre de shows internacionais em Goiânia vai ser dos melhores. Já confirmadas, dia vinte e quatro de agosto, o garage-punk de arena das californianas The Donnas, e dia quatorze de setembro o Nashville pussy, conjunto dono das peitudas mais roqueiras de todo o Tennessee.


# # Já no campo das especulações, há rumores que dão a entender que o Battles passará por palcos goianienses. Numa entrevista que concederam dia desses ao portal G1, da Globo, garantiram uma visita ao Brasil no fim do ano. Pra Quem tá boiando, o Battles é uma banda que está inserida naquilo que se convencionou chamar de math rock, ou rock matemático, e se você não está familiarizado com o tema, aperte o play aí embaixo e perceba o melodia:


# # # Se você viu a Debate (é, é o nome da banda) em ação no último Goiânia Noise e gostou, deve ter gostado do Battles também. Eu calculo que seria, no mínimo, muito divertido assistir a uma apresentação ao vivo do conjunto.


# # # # E ainda ocorreram boatos sobre umas insinuações misteriosas a respeito de uma possível vinda dos Dt’s, fantástica formação de Washington que combina blues tosco, garage-rock e soul music, mas a coisa parece não ter andado, o que é uma pena.




Por enquanto fico por aqui. Mas eu volto.

Um comentário:

Eduardo disse...

Bacana esse Battles aí. Bem que podiam aportar por aqui mesmo