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quinta-feira, janeiro 17, 2008

Discos para 2008

Cavalera

# Em dois mil e oito, muita gente ilustre promete acrescentar mais um Nome em suas respectivas discografias. O Lenny Kravitz tá dizendo por aí que o negócio é “pegar pesado no amor”, e tenta fazer sua parte no próximo It Is Time For A Love Revolution. Se for pra levar em conta seu último disco de estúdio, Baptism (que não se parecia em nada com o rock retrô vigoroso e renovado de seu passado irretocável, de Let Love Rule, Mama Said, Are You Gonna Go My Way, Circus e até de 5), essa revolução vai ser feita só de tentativas.



Baptism se pinta como caricatura moderninha e preguiçosa de tempos outrora gloriosos, geniais naquele re-processamento direcional que fez de Kravitz o príncipe pop que é hoje. Direcional por que ele, em seus melhores momentos, aponta as intenções e timbres de suas combinações instrumentais de modo a recriar aquilo que poderia ser uma canção do repertório de Jimi Hendrix, num momento, Led Zeppelin em outro, ou ainda dos Rolling Stones e do Stevie Wonder, numa ode genial aos maiores. E tudo isso, incrivelmente, sem soar como apropriação indébita, ou derivativo demais. É como se os talentos superlativos se permitissem esse tipo de “invasão”.


Love, Love, Love, e I'll be waiting, os primeiro singles de It Is Time For A Love Revolution, até que dão uma pista boa. Love, Love, Love é um rock manhoso, com pegada setentista e suíngue cafageste, e I'll be waiting um soul arrasa-quarteirão, na melhor tradição de Marvin Gaye e Curtis Mayfield.



# O Franz Ferdinand, que explodiu de vez com seu segundo disco, You Could Have It So Much Better – lançado alguns anos atrás, diz que volta em dois mil e oito pronto para as pistas (o que não é lá nenhuma grande novidade). O grande lance é que estão espalhando em entrevistas desde o meio do ano passado, que será um disco mais dance do que rock (o que também não é surpresa). O pop colorido e absurdamente dançante de seus últimos hits não dá espaço para nenhuma cara de assombro. Parece que andaram mergulhando os ouvidos nas discografias de fim dos oitenta/começo dos noventa, daquela famosa cena de Manchester (Madchester), cidade industrial britânica que ribombava, debaixo de sua paisagem nublada, ao som de Happy Mondays, Charlatans UK e Stone Roses.




# Os irmãos Cavalera finalmente se reuniram para registrar aquele que pode ser um dos grandes momentos do rock mundial em dois mil e oito. No site do Cavalera Conspiracy – nome do projeto que assumiram juntos – já dá pra ouvir uma mínima parte do que deve fazer parte do prometido disco da reunião. Na web é possível encontrar faixas soltas, ao vivo, de possíveis constantes do track list.


Mentiria se dissesse que não tenho boas expectativas, mas também confesso que um dos meus pés insiste em ficar lá atrás, me lembrando que o MixHell (projeto de discotecagem live P.A. de Iggor e sua esposa) é uma jaca podre, e que os últimos discos do Soulfly são pra lá de irregulares.


Black Crowes


# Já o grande Black Crowes também deixou uma música nova (inteira) disponível em seu site. Warpaint é o nome do disco que deve chegar ao mercado (físico, em cedê) no começo de março, e que traz Goodbye Daughters of the Revolution, o primeiro single. O grupo, que não lançava nada inédito desde Lions, de dois mil e um, ainda carrega na sensualidade retrô das guitarras de andamento manhoso, ajustadas perfeitamente com uma desambição hedonista, despreocupada e imersa em fumaça.


Para Warpaint, que conta com dois novos integrantes, Luther Dickinson e Adam MacDougall - guitarrista e tecladista, respectivamente, o grupo promete uma versão de God's God It, blues gospel de Charlie Jackson, reverendo bluesman mestre do primitivismo rural do gênero.




# E até o Sebastian Bach (lembra dele?), ex front-man andrógino do sempre espinafrado Skid Row, está de disco novo na praça, gabando-se da participação especial que o amigo Axl Rose (lembra dele?) gentilmente fez em três das faixas do álbum. Ainda não ouvi (nem procurei) nada dessa bolacha. Você já?



# Estreando em disco, o trio Cuiabano Macaco Bong vai surpreender ainda mais gente nesse ano que se estende a frente. Artista Igual Pedreiro é o nome mais cogitado para o batismo da bolacha, e dá nome ao feixe de dez peças gravadas em Goiânia, no Rock Lab Studio. Macaco Bong – como já foi extensamente comentado nesta mesma tela – é o que de mais potente e verdadeiramente inventivo há no rock independente nacional. É claro que divide as honras de tão nobre posição com alguns dois ou três outros grupos, mas o destaque aqui é a pouca idade de seus integrantes, que aos vinte e um anos de idade já lideram um ranking indie nunca antes tão bem disputado.


Sem um vocalista, as atenções são todas voltadas para a guitarra instintiva e absurdamente voluptuosa de Bruno Kayapy, que não se deixa seduzir por piruetas instrumentais sem sentido, e se vale de sua intimidade com o instrumento para criar cenários maquinais e fluidos de jazz, prog rock, fusion, rock (e até hardcore e death metal). Tudo suavizado e enfeitado com um artifício inimitável chamado talento nato. Será um dos grandes discos do ano. Em dezembro a gente conversa.




# O Violins lança no final de março seu quinto registro em disco, intitulado A Redenção dos Corpos, lá no palco de veludo do Bolshoi Pub. O álbum – explicado pela banda como uma volta à melodia, um retorno ao Aurora Prisma –, submerge um discurso poderosamente delicado em consonâncias graves e noturnas, flertando com um cinismo desbocado, o que confere uma aura ainda mais verdadeira aos painéis de pessimismo ilustrado e cinzento que compõe o track list.


O grupo promete liberar todas as faixas de A Redenção dos Corpos para download gratuito a qualquer momento – assim que o disco voltar da masterização. Mas o processo vai se dar em etapas: cada faixa será disponibilizada num único dia, apenas durante vinte e quatro horas. No dia seguinte ela some e dá lugar à canção seguinte, na seqüência do disco físico (só disponível em março), e assim sucessivamente durante duas semanas (são catorze faixas).


Portanto, se você quiser A Redenção dos Porcos completo antes de poder comprar a peça acabada, com encarte e tudo mais, fique atento ao site do Violins, a partir do fim da próxima semana.




# Chegou na minha caixa de e-mails um texto atrasado, que responde à enquete Goiânia Rock News dos Melhores de dois mil e sete, publicada posts atrás. O dono da missiva retardatária atende pelo nome de John Arthur Hansen, um dos mentores do Harry, grupo legendário do underground paulista anos oitenta adentro, e que ostenta o título ilustre de banda-seminal-da-eletrônica-nacional. Adorador de synthpop e orgulhoso por odiar tudo o que seja amado pela maioria, Hansen ensina aí embaixo a sua versão para o caminho das pedras. Vai lendo:


Melhores de 2007, uma visão alternativa


A proposta aqui é abrir uma pequena lista que não seja xerocada das Rolling Stone, Spin ou NME´s da vida. Já que a mídia só tem demonstrado interesse por armações (pequenas ou grandes), fica difícil ter acesso a coisas realmente relevantes (e essa relevância nem sempre se traduz em vendas, visto que Bob Dylan ou Kratwerk, artistas de influência imensurável, não são grandes vendedores, se comparados aos seus colegas de panteão).


Isto posto, vamos a um pequeno Top 5 de 2007, formado por 3 bandas estrangeiras e duas brasileiras, sem ordem em particular:

Ashbury Heights - Three cheers for the newly dead

Segundo álbum dessa banda alemã, que não esqueceu o conceito de melodia, como a maioria das atuais bandas inglesas parece ter feito. Nada do que eu possa descrever aqui comparar-se-ia a uma audição da faixa Waste of love. Para aqueles que pensam que o bom gosto dos 80s acabou, rejubilem-se, ele está intacto aqui

Celluloide- Naphtaline EP

Embora essa banda francesa tenha lançado o excelente cd duplo Passion & excitements também este ano, escolhi este álbum (de EP só o nome, são 13 faixas) de covers (Cure, Dead Can Dance, Lush, Depeche Mode, entre outros) que conseguiu o impossível: superou o clássico Pin ups, do outrora mestre Bowie, no sentido de que todas as versões superaram seus originais. Lights from a dead star, do Lush é o aperitivo recomendado

Homicide Division- No tears to war

Esse duo paulista é virtualmente ignorado pela nossa crítica, o que é compreensível, visto que elevaram demais os padrões da musica feita aqui, abdicando de quaisquer misturas com inúteis culturas primitivas, que parece ser o hype atual das bandas de nenhum ou pouco talento. Experimentem Dust to dust.

The 3 cold men - Piktogramm

Esta é a grande banda brasileira do momento (ainda que seu vocalista seja francês, egresso do Opera Multi Steel), e se não atingiu o brilhantismo de Truth, seu primeiro álbum, ainda dá para encarar a competição olhando para baixo

James D. Stark - Hell Maxi CD

E a grande surpresa do ano, descobri ontem esse americano (!!!) do Oregon (!!!!!!) que se auto define como Romantic Synth Pop Artist, que desde 2002 já lançou 4 álbums e agora esse maxi de 8 faixas. A faixa título dá uma excelente idéia do altíssimo potencial desse verdadeiro genio. Já baixei toda a discografia dele, e Need do seu segundo álbum Fortress of solitude é uma das melhores coisas que já ouvi na vida.




Concluindo: não se atenham a esses críticos desorientados, façam suas próprias pesquisas ( o soulseek, é uma verdadeira embaixada do paraíso na Terra, e com certeza garimparão obras primas que julgavam não existir mais.)



John Arthur Hansen






* O ingresso para os shows de Black Drawing Chalks e Envy Hearts, hoje a noite lá no palco do Omelete Rock Club vai para o Sérgio Henrique. Já o SoFun Hits, disco que compila várias bandas legais em uma embalagem digi-pack bem charmosa, pode ser resgatado pelaMaria Clara Dunk.


Os ganhadores já receberam e-mail confirmando seus prêmios.



Fui.


2 comentários:

Anônimo disse...

Não coneço nem um desses discos que o hansen falou. nem a banda dele eu conheço!
heheheheheh


mas tá valendo a lista dele né, o cara é das antiga.

Fernanda disse...

Se não conhece, aproveita pra conhecer. Eu fiz isso, gostei do The 3 cold men.

Haary eu só conheço de ouvir falar, onde tem pra baixar?