Acabou de ser disponibilizado, na íntegra, o vídeo do show do Criolo no Circo Voador onde o cantor executa todas as faixas do elogiadíssimo Nó na Orelha (além da faixa-bônus "Vasilhame").
Lançado ontem no site da Vaici, o clipe para o remix de “Não, Mano” (originalmente disco colaborativo AXL & Skeeter - Quando é Preciso Voltar) reúne Flora Matos, MV Bill, Skeeter e DJ Sleep.
Direção e Edição: Bruno Cons Música: “Não, Mano! REMIX” Letra e Voz: A.X.L/ Flora Matos/ MV Bill Produção: Skeeter Scratchs: DJ Sleep Mixagem e Masterização: Luiz Café
Gravada no estúdio Casa 1 por Léo Cunha.
E falando no DJ Sleep, esbarrei dia desses com o Eu, O Vinil E O Resto do Mundo, doc sobre os djs da periferia de São Paulo, que tem Sleep como um de seus personagens. Achei o filme completo no Youtube e mesmo que o áudio esteja meio zoado, vale o play.
A rapper curitibana Karol Conka está no nosso radar desde o ano passado, quando lançou seu primeiro single “Boa Noite”. Estamos acompanhando de perto a suave ascensão dela e de seu fiel beatmaker Nave há tempos. Em 2011, Karol foi indicada ao VMB na categoria “Aposta” e Nave já foi indicado ao Grammy Latino em 2009 pela produção da canção “Desabafo/Deixa Eu Dizer” do rapper Marcelo D2.
Durante a gravação do clipe de "Marighella" (num prédio ocupado pelos sem-teto na Rua Mauá, centro de São Paulo), o líder dos Racionais MC's, Mano Brown, dissertou a respeito do problema de moradia em SP (e de outros tantos):
Especulação imobiliária é um lance racial. São Paulo foi forjada assim.
Essa geração da direita... eles falam que não existe direita, mas existe direita. Kassab é de direita, Alckmin é de direita, certo?
Você não tem direito de estar perto do hospital, da estação de trem, do metrô, você não tem direito de estar a cinco minutos do trabalho. Você tem que estar lá no fundo, onde as pessoas que não têm direito estão.
Quem tá vivo para ser punido? Igual o Pinochet, que foi preso com oitenta e tanto. Vive bem, dorme bem, come bem, aí vive 90 anos. E o trabalhador mesmo...
Eu não ligo pelo rap, eu não ligo pelo estilo musical. Eu brigo por uma raça, por um povo.
Mais uma vez a burrice policial faz um favor pro rap. Fosse tirar a verba do bolso pra tanta divulgação concentrada Emicida ia gastar os tubos, mas a polícia de BH, ferida em seu brio, armou o circo e deu de presente pro rapper as principais manchetes do noticiário cultural brasileiro. Parabéns PM mineira, agora vê se cuida desse tiro no pé. (Abaixo, em sequência, o vídeo que registra o comentário que teria motivado a prisão, depois a prisão propriamente dita e, por fim, o clipe de "Dedo na Ferida".)
Cara, eu não gosto de polícia. Tem coisas que são involuntárias em mim, que me fazem ficar muito mal. Até hoje eu vejo uma viatura e fico receoso. E eu nunca devi nada pra polícia. Mas todas as vezes fui extremamente maltratado. Até quando tomei o enquadro na frente de casa, o cara me reconheceu e falou: “Porra, você canta os raps xingando a polícia?”. Falei: “Ah, mano, eu canto rap falando a verdade”. “Você já teve experiência ruim com a polícia?” “Só tive experiência ruim com a polícia.”
E no site oficiala produção do cantor dá o papo sobre o ocorrido:
O rapper Emicida foi detido na noite deste domingo (13) após terminar seu show no festival Palco Hip Hop, em Belo Horizonte (MG), acusado de desacato à autoridade. O motivo foi o seguinte comentário do músico, feito antes de dar início à música “Dedo na Ferida”, a primeira de seu show. “Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘noiz’ nessa aqui, ó. Mandando todos eles se fuder, certo, BH? A rua é noiz.” O momento foi registrado em vídeo.
Policiais militares que prestavam serviço no evento consideraram o comentário ofensivo a eles, esperaram que Emicida terminasse seu show e deram voz de prisão ao músico, que foi levado ao 39 DP (Barreiro) pouco depois das 19h30 e liberado por volta das 22h35.
Na versão que foi registrada no Boletim de Ocorrência, policiais afirmam que Emicida teria dito uma frase diferente da que o vídeo e o áudio em anexo comprovam. Por isso, o músico não assinou o documento. A alegação dos policiais é a de que ele teria dito a seguinte frase: "Eu apóio a invasão do terreno Eliana Silva, região do Barreiro, tem que invadir mesmo, levantem o dedo do meio para cima, direcione aos policiais, pois todos esses tem que se fuder". Em nenhum momento o rapper se dirigiu diretamente aos policiais militares que trabalhavam no evento ou pediu que o público fizesse algum gesto obsceno a eles. O show ocorreu sem nenhuma confusão.
Emicida agradece às manifestações de apoio e carinho dos fãs. Na noite deste domingo, a notícia de sua detenção chegou a ser o assunto mais comentado do Twitter no Brasil e ficou entre os TTs mundiais também.
Abaixo vai a foto do Boletim de Ocorrência e transcrição do texto oficial, negado por Emicida:
“Senhor Delegado, Nesta data, ocorreu um evento na Av. Afonso Vaz de Melo, próximo a PUC de Barreiro, conforme ordem de serviço nº 306812/41º BPM, acordado entre o comando e organização do evento, denominado “Palco Hip Hop”, onde vários artistas gênero se apresentaram, dentre os quais destacamos a participação do presente conduzido de codinome “Emicida”, este na abertura do seu show, proferiu os seguintes dizeres: “eu apoio a invasão do terreno “Eliana Silva”, região do Barreiro, tem que invadir mesmo, levantem o dedo do meio para cima, direcione aos policiais, pois todos esses tem que se fuder. Vale a pena lembrar que o público presente estava em grande quantidade e tais declarações objetivavam insuflar o público contra os policiais militares que estavam de serviço no evento, que colocou em risco a integridade física dos policiais militares e dos envolvidos no evento. Diante do exposto, esperamos que o cantor Emicida terminasse o seu show, oportunidade em que foi dado voz de prisão ao autor pelo crime de desacato, sendo garantido seus direitos constitucionais. Conduzimos o referido a delegacia regional de Barreiro para as providências que couber o fato. Ressalto que a testemunha Evandro Roque de Oliveira irmão do autor e o senhor Elcio Pacheco o advogado do conduzido."
O Criolo já tocou em Goiânia, mas a cem reais o ingresso numa boate cafona no alto do Bueno, e isso conta pouco. Perto do fim do show do último dia 27, diante da multidão que enchia o Centro de Eventos da UFG, Daniel Ganjaman passeava pelo palco filmando a plateia antes de assumir o microfone e recitar de memória as maiores lotações do show do Criolo, para, enfim, proclamar aquele como o recorde de público do rapper paulista, antes de ser engolido pela ovação ensurdecedora.
Antes disso teve de tudo. Criolo fantasiado de Lobo Mau, a pressão de uma banda em sua melhor forma, algumas das maiores músicas da nova MPB, turma de crianças invadindo o palco e até um alô atencioso pro Ivo Mamona, com direito a coro de “Na Periferia”.
Mas apesar do discurso militante pró-rap nacional, Criolo não se veste como a média dos rappers e evita os trejeitos típicos do gênero, assumindo no palco uma postura cênica incomum no hip hop brasileiro. E é natural que seja assim, já que Nó na Orelha – seu segundo disco e motivo da fama recente, está longe de ser simplesmente um disco de rap, ainda que contenha alguns raps.
O saxofonista Thiago França estava particularmente inspirado e com o improviso frenético que antecede o fim de “Bogotá” ganhou a reverência pública do cantor, que apresentou os demais músicos com o mesmo carinho. Aliás, um dos grandes trunfos de Nó na Orelha é a banda, escolhida a dedo e capitaneada pelo Ganjaman, que azeitou a formação à perfeição e hoje rege um dos melhores shows do País.
Na saída da festa falava-se numa palteia de cinco mil pessoas dentro do Centro de Eventos. Mas fosse quatro ou seis a contagem não faria muita diferença depois que Criolo e banda agradeceram ao público e deixaram o palco ainda mais satisfeitos que a massa suarenta que escorria para o ar livre pelas portas de vidro embaçado.