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terça-feira, junho 17, 2008

With a buzz in our ears we play endlessly

# # Já que o Muse confirmou, oficialmente, presença na edição dois mil e oito do Porão do Rock, você deve ter comemorado a boa notícia e agora está pensando em como organizar sua vida para viajar até Brasília e assistir, colado na grade, ao show de uma das melhores bandas do rock britânico da atualidade. Correto?
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Em dois mil e sete, ano passado, o festival trouxe o charmoso Bellrays para brilhar como melhor apresentação do line up, apagando a estrela xadrez do Mudhoney, que teve de se contentar com a atenção exausta de pouco mais de quinhentas das milhares de pessoas que pouco antes se debatiam empolgadas diante do Sepultura.
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Isso sem contar a surpresa que muita gente estampou na cara com o show hipnótico do trio instrumental cuiabano Macaco Bong, a apoteose caseira do Móveis Coloniais de Acaju, o grindcore comediante em sua melhor forma do Galinha Preta, e a celebração que, geralmente, acompanha os shows da Nação Zumbi.
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Para a edição dois mil e oito, que acontece nos dois primeiros dias de agosto, a produção já confirma, além do Muse, as presenças de Mundo Livre S/A, Matanza e Supergalo.
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O Matanza e o Supergalo eu passo. Aceita?
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# A maravilha angélica da terra do gelo, Sigur Rós, “deixou escapar” para a internet seu novíssimo quinto álbum. Depois de Harfv/Heim, disco duplo que o grupo islandês lançou ano passado (e que se dividia em versões mezzo acústicas e ao vivo de canções já conhecidas, e de algumas outras faixas inéditas), Með suð í eyrum við spilum endalaust apareceu na web dia desses, e ainda está se acostumando ao meu agá-dê. Segundo o google indica, os anagramas incompreensíveis que batizam o disco querem significar algo do tipo “Com um zumbido em nossos ouvidos nós tocamos infinitamente”, e a placidez melancólica acomodada em meio à percussão minimalista e contemplativa de canções como Inní Mér Singur Vitleysingur e Festival dão ao disco o tom dramático e solene que faz do Sigur Rós uma das melhores e mais genuínas formações do pop atual.
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Não é de hoje que a música do Sigur Rós carrega nas costas a etiqueta confusa do post-rock, e a despeito das limitações que um rótulo, em geral, impõe, aqui a definição acaba fazendo sentido, na medida em que as viagens psicodélicas geladas, carregadas de um lirismo onírico envolvente, distante e, ao mesmo tempo, perturbador, dispensam todos os clichês e ignoram a batida básica do rock, substituindo estrofes e refrões por painéis melódicos mais preocupados em atmosferas e ambientações. A aproximação com o rock progressivo também é somente sugerida, insinuada, já que as canções do conjunto não desvelam nada daquela grandiloqüência instrumental tão característica do gênero, substituída magistralmente por um comovente, e por vezes explosivo, intimismo mortiço. Sigur Rós, e seu Með suð í eyrum við spilum endalaust, carregam a trilha sonora perfeita tanto para domingos meditativos, quanto para um pôr-do-sol romântico, mas se, por acaso, você estiver deprimido e cogitar a hipótese de cometer suicídio, ouvir esse disco não vai te ajudar a mudar de idéia.
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O primeiro single é Gobbledigook, e o vídeo-clipe é cheio de gente correndo pelada pela selva gelada, num ritual que aproxima o paganismo europeu daquela libertinagem hippie de outrora. A versão original você pode conferir clicando aqui, já que o Youtube não permite que eu o ponha diretamente na tela do blog, devido à sua carga “imprópria”, mas aí embaixo tem uma outra versão, em fotos, do vídeo, que você até pode abrir no pecê do trabalho, desde que seu chefe não esteja por perto. Play:


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# Outro grupo que está perto de lançar material novo, fala português (mas prefere receber seus cachês em euro) e é mais conhecido no velho mundo pela sigla que designa seu nome de batismo. O Cansei de Ser Sexy já botou seu single novo, Left Behind, na grande rede, e se não é exatamente a melhor canção que já passou pelos Youtubes da vida, também está longe de ser a pior. Vai servir bem para as pistas de dança do meio da madrugada (naquela hora em que quase todo mundo já tiver aditivado seus copos com isso e aquilo), encaixada entre D.A.N.C.E., do Justice, e Dance to the Underground, do Radio 4. É uma canção tão simples quanto divertida (com muito mais guitarras do que em qualquer outra música do primeiro disco), que simula cinicamente uma inocência que o CSS já perdeu, e prova que o grupo não tem medo de soar como uma paródia precoce de si mesmo, já que continua reprocessando clichês do electro pop e do rock com um frescor quase infantil.
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E você, o que achou?
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Nuda
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# Na última quinta feira, seguindo indicação do baixista do Violins, o Thiago Ricco, fui ver a apresentação da banda pernambucana Nuda, lá no Café teatro do centro cultural Goiânia Ouro, dentro da edição de dia dos namorados do Low Amp, projeto de shows “acústicos” da produtora Fósforo Cultural.
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A goianiense Gloom também se apresentaria, mas mais uma vez não cheguei a tempo de assistir ao show dessa banda, que pelos comentários aqui e ali, me despertou curiosidade. Quando entrei no café teatro, o grupo recifense já estava de posse das atenções das poucas dezenas de humanos instalados confortavelmente em suas mesas e cadeiras – coisa rara. A equalização do som não estava das melhores e pouca coisa se entendia das músicas, mas a desculpa simpática do grupo (que não teve como fazer muita coisa a respeito) foi a de que o show em Goiânia teve de ser com o "freio-de-mão puxado", dada as condições mais “calmas” que o lugar (e a produção) exigia. Antes de Goiânia a banda havia se apresentado em Uberlândia – MG, e depois daqui seguiria para Cuiabá, onde se apresentaria no festival do coletivo local Volume.
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A música da Nuda se situa naquela interface desgastada entre o pop de guitarras e referências populares da música brasileira, que quase entupiu as veias do rock nacional pós-manguebit com todo tipo de charlatanismo batuqueiro, muitas vezes celebrado pela mediocridade como herdeiro testamental do legado neo-tropicalista de Chico Science.
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Mas o Nuda, aparentemente, se mantém distante dessa turma de retardatários e transita com uma cautela desconfiada pelos dois universos, disfarçando sua pretensão bossa-nova em guitarras tranqüilas, cheias de sotaque brasileiro e de uma lisergia tão cândida quanto discreta. O EP Menos Cor, Mais Quem, carrega cinco canções, entre as quais o destaque maior vai para a distorção romântica de Colibrilho e para o quase-rock-progressivo Fato Mamado Vado.
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# Pra terminar – E por falar em charlatanismo, estava eu navegando à deriva na grande rede e, não me lembro como e nem por que, caí num freak-show de pseudo-argumentos evangélicos que seria ainda mais cômico se fosse trágico. O papo do pastor é sobre Música e Adoração, e ele tenta te convencer de que há certos instrumentos e ritmos que devem ser evitados em nome da moral, bons costumes e blá, blá, blá. Dá um toque esperto, dizendo que tambores e bateria não são instrumentos abençoados por deus, já que não são citados na bíblia, e mais blá, blá, blá. Agora, amigo leitor, adivinha se o pop e o rock não estão entre os alvos prediletos da intolerância decrépita do sacerdote protestante perdido no tempo:
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Há pouco tempo, estava ouvindo a um dos noticiários de Paul Harvey
e ele contava sobre um experimento recente no qual se verificou o tempo
que era necessário para que camundongos conseguissem passar por um
labirinto. Na primeira vez, eles atravessaram sem qualquer música, cinco
minutos mais rápido que o grupo de controle. Na segunda vez, foi tocada
música clássica e atravessaram em oito minutos mais depressa. Na terceira
vez, foi tocada música “pop” e não só levaram vinte minutos a mais, como
também se voltaram uns contra os outros e começaram a matar-se. Se a música
pode provocar tal efeito em camundongos, então o mesmo é verdade com seres
humanos.

(...)

Desde que em Nova Orleans surgiu o Jazz, estava lançado no
mundo um novo e moderno caminho pelo qual o inimigo tem
acesso à mente de maneira que Cristo não seja desejado. De
muitas maneiras e variantes este tipo de música atravessou o
período da Segunda Guerra Mundial. Chegando, porém, a década
de 50, Satanás fez o lançamento do mais poderoso artigo de sua
indústria de perdição. Fez um pacto com um agente que, apesar
de ter sido cantor de coral de igreja, acabou se tornando o maior
ídolo da música popular que o mundo teve: Elvis.

Em 1963 seu pacto foi com quatro agentes de Liverpool.
Colocou em suas mãos guitarra, bateria e inspirou seu canto.
Tornaram-se tão populares no mundo todo a ponto de receberem
condecorações oficiais da realeza, e a ponto de John Lenon afirmar
que eram mais populares que Jesus Cristo.

(...)

Outro efeito negativo da batida do ‘rock’ é a alternância, um movimento
homolateral no cérebro que causa a atividade de um lado devido às ondas
cerebrais estarem fora de sincronia. Como resultado, o corpo fica num estado
de alerta e confusão. A alternância também causa dificuldades de percepção,
diminuição no desempenho, hiperatividade e inquietação, redução na capacidade
de tomar decisões e perda de energia sem razão aparente. Há também uma queda
na dose de açúcar no sangue (a fonte de nutrição do cérebro) que, depois de um
período de tempo, resulta em mudanças estruturais nas células cerebrais. Isso
causa a seguir a incapacidade do corpo em distinguir entre o que é bom e o que
é prejudicial. Também reverte os princípios da moralidade rejeitando o que é
bom e acolhendo o mau”.
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Tá bom ou quer mais?
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Tchau

3 comentários:

Fernando disse...

Uai sô... então tá provado que esse tar de roquenrou é uma droga danada de boa, né não?

Suzana Biel disse...

Roquenrol é bom pra mim, nunca fiquei com vontade de matar ninguém por causa de música pop (a não ser o proprio cantor, qdo a música é ruim), e ainda assim rezo todas as noites antes de dormir.

Deus tem mais com o que se preocupar. Afffffffffffffffff

Anônimo disse...

http://revistamovinup.blogspot.com/2008/06/movin-up-02-pseudo-crticos-pseudo.html