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domingo, novembro 23, 2008

Instituto Nacional do Groove

# Climão de fim de festa. Mas a 14ª edição do festival independente mais charmoso do Brasil ainda tem fôlego pra última noite de farra, num domingão reservado às atrações mais sujas e distorcidas dos três dias. Daqui a pouco o Helmet sobe ao palco do teatro do Centro Cultural Oscar Niemeyer, depois das locais Goldfish Memories, Mechanics e Bang Bang Babies; da Belga Motek (que antecipou, no sábado, alguma coisa de sua apresentação num pocket show na unidade móvel do Rock Lab Studio, montada no festival); dos paulistas do Inocentes, Periferia S/A e Loop B; dos argentinos The Tormentos e dos chilenos The Ganjas, além de vários outros.
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Eu tive que subir, lá no alto...



Na sexta feira, início oficial do festival, quem roubou a cena foi a carioca Canastra, que com aquela conhecida mistura de rock, dixieland, ska e um suave tempero brasileiro, pôs a geral pra dançar, e deixou o palco debaixo de uma ovação empolgada. O Vaselines, apesar do jogo bonitinho das melodias vocais de Eugene Kelly e Frances McKee, não emociona. Dá pra deduzir que o principal mérito da banda escocesa é ter um fã ilustre, morto há quase quinze anos (eu sei que você sabe quem é!).


Marcelo Camelo parece estar se esforçando para abandonar o sucesso. Alternando delicados dedilhados de violão, tão melancólicos quanto maçantes, com momentos mais inspirados (o groove hipnótico de Menina Bordada é sensacional), o eterno ex-Los Hermanos, escoltado pelo Hurtmold, não me segurou dentro do teatro até o fim de sua mortificação emepebê, mas as duas mil pessoas que esgoelavam cada refrão silencioso, muito provavelmente, vão discordar de mim.


Ontem, sábado, a prata da casa Mugo cumpriu tabela no palco principal, e mesmo prejudicada pela imensidão do lugar e pela distância do público, esmagou duas centenas de decibéis entre riffs poderosos em afinação baixa, vocais tão precisos quanto assustadores, e sutis detalhes pop, que emprestam autenticidade à massa compacta de fúria.


Mas fechando a noite, o coletivo carioca Instituto demoliu todas as apresentações anteriores, numa reinvenção caprichada do clássico Tim Maia Racional Volume 1, que teve sua primeira edição em cedê lançada recentemente pela Trama. Com 15 pessoas no palco, a banda promoveu o maior desbunde dançarino do festival, e até a Thalma de Freitas (que, abusando dos cacoetes vocais da soul-music num show do grupo transmitido pelo Multishow, tinha me deixado com um pé atrás) foi uma grata surpresa, abandonando o exagero nos vibratos, e deixando sua voz aveludada se misturar à simplicidade sofisticada dos arranjos arrepiantes e batidas irresistíveis.
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De longe o melhor show do festival até agora, e sou capaz de apostar um dedo que nem o Helmet, nem ninguém, vai tirar esse título dos cariocas.




E foi assim, não foi?

2 comentários:

AMANDA sILVA disse...

Eu fuiiiiiiiiiiii!

\o/

Anônimo disse...

Só fui na sexta, queria ter ido no domingo... :(