Retomando a pesquisa de opinião sobre os melhores de 2012, hoje a rodada é dupla. Primeiro quem decreta suas preferências é o Gabriel Thomaz, seguido pelo Marlos "Japão" Hiroshi. Siga a linha:
Fala Higor,
Pra mim, os melhors discos do ano foram o do Hives (Lex Hives), o do Merda (Índio Cocalero) e o do B Negão (Sintoniza Lá). Do disco do Jack White saem as duas melhores músicas ("16 saltines" e "Freedom at 21").
Os melhores shows foram do The Baggios, grande duo sergipano - o Julio toca guitarra lembrando Hendrix e canta lembrando Raul Seixas, são dois ídolos em um. No quesito carisma, o grande show foi o do Johnny Cash mexicano, Juan Cirerol, no festival El Mapa de Todos em Porto Alegre.
Peste, do Claustrofobia, é o melhor disco! Porradaria e qualidade se encontram nesse petardo da banda de metal paulista ! O álbum novo do Kiss, Monster também é de fuder!
Melhor show: The SLAKERS, no festival Dosol, em Natal-RN. Um puta show de ska do mais alto nível, onde ninguém conseguiu ficar parado! E pra melhor música eu fico com "Cut Myself in 2", dos goianos da Black Drawing Chalks, que achei magnífica!
Mesmo com pouco mais de quatro meses de vida, 2012 já tem uma discoteca respeitável. E se o fim do mundo está mesmo próximo, a trilha sonora do apocalipse não poderia ser mais diversificada:
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O primeiro título de destaque veio logo em janeiro, mas já era esperado desde 2011: Avante, é a prova musicada da versatilidade de Siba como compositor e instrumentista, que cumpre seu arco estilístico com a mesma qualidade de uma ponta à outra. Do Mestre Ambrósio, formado em 1992, passando pela Fuloresta do Samba e pela experiência como mestre de maracatu, até reconectar-se com a guitarra em Avante, o músico pernambucano conseguiu unir a urbanidade elétrica ao sotaque regionalista sem nenhuma artificialidade.
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Na sequência, antecedendo o carnaval, Céu lançou Caravana Sereia Bloom, seu terceiro disco, que expande a sonoridade preguiçosa da cantora para timbres setentistas, detalhes psicodélicos e uma discreta atmosfera cafona. Mesmo que não tenha o poder de Vagarosa – seu álbum anterior, Caravana… mantém Céu em seu posto de principal talento da nova MPB.
Do Brooklyn, NY, Sharon Van Etten disparou Tramp – seu terceiro disco, dando sua versão elétrica para a tradição folk acústica e cativando fãs ilustres como Kyp Malone (TV on the Radio/Rain Machine), Aaron Dessner (The National) e Justin Vernom (Bon Iver).
Já Rodrigo Campos, em seu Bahia Fantástica, circula entre o samba, a MPB, o reggae, o afrobeat e a psicodelia para fundir os longos trechos instrumentais que envolvem sua voz mansa num clima dançante.
Desviando o foco para a vizinhança, House of Tolerance foi a melhor surpresa do ano em Goiânia. E o primeiro disco do Cambriana não veio só: Afraid of Blood – o EP, e Slow Moves – o single, acompanharam o lançamento mais comentado da cidade e elevaram o grupo ao status de revelação. As melodias soltas e a batida dançante de, por exemplo, “Big Fish”, “The Sad Facts” e “In The Middle” foram baixadas aos milhares e garantem um coral emocionado nos shows sempre lotados.
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Quase 10 anos depois de lançar seu disco de estreia, Bnegão e Os Seletores de Frequência voltam à berlinda com Sintoniza Lá, sequência do elogiado Enxugando o Gelo. Sem abandonar o funk blaxploitation com sotaque hip hop, o álbum pode ter enrolado pra ser lançado, mas agora que está na rua vai demorar a sair do play.
O saxofonista Thiago França é figurinha fácil em algumas das principais formações dos novos medalhões: é membro da banda do Criolo e gravou no disco da Céu, pra ficar nos exemplos mais óbvios. Mas é com seu segundo disco solo, Sambanzo: Etiópia, que ganha assento nobre na lista de destaques do ano. Emoldurados por células rítmicas do samba que evoluem para grooves afro ou para a cadência latina, os solos de sax vão do adorno psicodélico ao frenetismo do free jazz com a mesma desenvoltura.
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O Deus que Devasta Mas Também Cura, quinto disco do Lucas Santtana, não é seu melhor trabalho, mas também não foge da regularidade da discografia do baiano. “O Deus que Devasta Mas Também Cura” – a faixa título, foi originalmente lançada no disco do Gui Amabis, Memórias luso Africanas - de 2011, mas nessa nova versão ganhou a participação do maestro Letieres Leite e sua Orquestra Rumpilezz. Além dela, o groove picotado de “Músico” e o jogo dos metais de “Vamos Andar pela Cidade” valem o repeat.
E por falar em groove, a dobradinha Alice Russel + Quantic and His Combo Barbaro em Look Around the Corner está entre os lançamentos mais classudos do ano, e “Here Again” e “Road to Islay” confirmam Russel como a voz mais bonita do soul britânico. Já o terceiro do curumin, Arrocha, carrega na batida eletrônica do hip hop, mas abre umas brechas melódicas para o atual e onipresente resgate da música cafona.
YTCHA é o quinto album do grupo paulista Mama Gumbo e o único defeito entre o instrumental de notas longas, cheio dos melhores cacoetes das trilhas-sonoras do cinema , é o irritante antíclimax das vinhetas-noise que separam as músicas.
Acaba de ser divulgada a primeira segunda peça do esperado segundo disco do BNegão & Seletores de Frequência. O álbum, enrolado desde o ano passado, tem lançamento marcado para o mês que vem.
"Alteração", que conta com participação discreta da Céu, não trai o DNA grooveiro do Seletores e carrega no tempero afrobeat dos metais, emoldurando a rima certa de BNegão:
entre o caos e o caô
entre a inércia e o terror
em campo aberto ou
num mar de concreto
a hipnose chega perto
do grau nove
numa escala de dez
BNegão: Voz
Pedro Selector: Trompete e Voz
Fábio Kalunga: Baixo
Fabiano Moreno: Guitarra e Voz
Robson Riva: Bateria e Voz
Seletores especialmente convidados:
Céu: Voz
Bidú Cordeiro: Trombone
Sandro Lustosa: Percussão
Gravado por Pedro Garcia no Studio Superfuzz (RJ)
Mixado por Gustavo Lenza no Studio YB (SP)
Masterizado por Fernando Sanches no estúdio El Rocha
Update:
O primeiro som do disco novo, "Reação (Panela II)", BNegão lançou discretamente em 2011: