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segunda-feira, março 26, 2007

'Young Modern Station'

Um goiano na Ozzfest
Foto de divulgação
# E finalmente caiu na rede o disco novo do Silverchair, o tão esperado Young Modern, sucessor do esplêndido Diorama, de 2002. Pela manhã o blog foi conferir mais uma vez o MySpace do grupo, e deu de cara com todas as faixas disponíveis para streamming. Depois de ouvir duas ou três músicas, o Beto Cupertino, vocalista do Violins, alerta que já possuía o disco inteiro e passa o link onde poderia adquirir-se o tal.

# # Dei umas duas boas ouvidas nas onze faixas de Young Modern, o que é muito pouco para uma opinião, mas dá pra adiantar que o que era comoção e misantropia no magnífico Diorama, transmutou-se numa mistura de experimentação pop de primeira, com borrifadas dessa sensibilidade franca e maravilhosa do disco anterior. Vou ouvindo aqui e mais pra frente aquele texto largo e detalhado sobre o disco.

# Lendo o texto supimpa da última Revoluttion (http://revoluttion.blig.ig.com.br/), coluna assinada pelo Marcelo Costa no IG, atualizada ontem, dia 22, e que recorda os prazeres insubstituíveis daqueles tempos em que gravávamos fitinha k-7 com compilações cuidadosamente premeditadas para impressionar e conquistar aquela garota especial, me lembrei tão vivamente de quando fazia isso o tempo todo, que me deu vontade de presentear novamente alguém com uma dessas coletâneas personalíssimas e cheias de intenção. É bem verdade que a última dessas seleções em fita que eu fiz data de pouco mais de um ano atrás, mas parece ter sido o fim silencioso de uma prática outrora frenética deste blogueiro. Silenciosa por que não cheguei a entregar o tal cassete para a garota, nem sei bem por quê.

# # Quase dá pra enumerar algumas das mais importantes e clássicas seqüências pessoais, que ambicionavam sempre uma reação que denunciasse que o alvo fora atingido. E, como muito bem lembrado nos comments da coluna do Marcelo, tínhamos o cuidado de somar o tempo de duração das canções, pra que jamais a fita acabasse e cortasse a música no meio, o que seria imperdoável. Nesses cassetes me utilizava de tudo: lamentos do Cartola, baladas da Casa Bizantina, balas certeiras do Foo Fighters e Faith No More, ‘piadinhas’ d’Os Mutantes, provocações do grande e extinto Mulheres Q Dizem Sim e a fofura sensual do Belle & Sebastian.

# # # É claro que não gravava fitas somente para alvos sexuais, também o fazia para fornecer informação aos amigos, já que sempre fui o mais musicalmente curioso da turma. Sempre presenteava os bródis mais chegados com compilações com as mais novas e estranhas bandas de metal e suas variações (menos heavy metal tradicional e/ou melódico, isso eu nunca suportei). E dá lhe Spineshank, Deftones, Deceivers, Slayer (sempre conseguia escutar os discos novos deles antes de todos), Slipknot e System of a Down (fiquei assustado quando conheci essas duas bandas), MagüeRbes (Goiânia Noise de 98 foi inesquecível), b-sides do Sepultura, Snot (o único representante do metal praieiro e ensolarado), novidades do Machine Head (Burning Red abalou estruturas), além dos esporros brutais do Testament (Demonic e The Gathering são titulares absolutos para alguns bons e fiéis amigos), quase todas descobertas ainda nos anos 90 e rapidamente reproduzidas no cassete recorder do quarto adolescente e passadas para frente com o comprometimento do receptor de que a faria girar bastante em seu player.

# # # No começo da semana passada dei um pulo até Brasília, junto com um casal de irmãos, ambos muito amigos do blogueiro aqui. Na volta, entre as fitas que entupiam o bolso traseiro do banco dianteiro (fitas essas quase todas ‘surrupiadas’ do acervo aposentado do blog), reencontrei algumas dessas coletâneas cheias das “novidades” metaleiras do passado, tão atenciosamente enfileiradas e que acompanharam todo o percurso do retorno à Goiânia. Duas horas e quinze minutos de hits do metal modernoso que invadiu o mundo pop no fim dos nineties. Nos divertimos muito, eu e o bródi em questão (a amiga havia ficado na capital), esgoelando junto com os decibéis que fugiam das caixinhas de som do pálio em alta velocidade.

# # # # Eu, o Marcelo Costa e o Rob Flemming ainda não nos esquecemos dos k-7s, e somos imensamente gratos pelo que eles ajudaram a proporcionar. hehehe

# Dia desses fui ver o tão falado Borat, no cinema. Depois de tanto ler sobre o tal repórter do Cazaquistão que viaja aos Estados Unidos para documentar o American Way of Life, já não sabia o que esperar, já que em meio ao turbilhão de críticas elogiosas, misturavam-se comentários nada simpáticos de gente que se diz entendida de cinema. O documentário fake do inglês Sacha Baron Cohen, por meio de supostos e brutais choques culturais, exibe sem acanhamento as contradições e constrangimentos do habitante médio do “mundo livre” para com o verdadeiramente diferente, no caso o primitivo repórter Borat e seu produtor Azamat Bagatov (Ken Davitian).

# # O negócio é que tudo é tão aparentemente espontâneo (Sacha não usou atores de verdade e utilizou a mentira/mote do filme como se fosse verdadeira, para justificar o comportamento pouco esperado de Borat em encontros e interações com o mundo americano), que é impossível não se debulhar em fartas gargalhadas. Cenas cheias de “ingenuidade” cinematográfica, como o embate físico de um Borat nu e possuído pelo ódio, contra seu obeso, e também nu, produtor, não deixam nenhum expectador incólume, e se não arranca boas risadas de todos é por que nem todo mundo tem um humor saudável. Vá assistir com os amigos e morra de rir.


# # O MqN anuncia que a segunda edição das Fuck CD Sessions. Cobra já está disponível para download no site oficial e na página do grupo no My Space, e estará à venda em formato vinil a partir de trinta e um de março no portal da Monstro Discos. Cobra foi gravada nos estúdios da Trama Virtual, em São Paulo, e lançada numa parceria entre o selo Trama Virtual, Monstro Discos e revista Decibélica. O vinilzinho de sete polegadas, que além de Cobra, contem no lado B Let It Explode, será encartado na capa da melhor revista dedicada ao rock independente nacional e vendido por módicos dez dinheiros. Escute e depois me diga o que achou: http://www.mqn.com.br/


# Quem se lembra da Punch? É, aquela banda que no fim dos anos noventa movimentava a molecada que gostava de pular, fazer cara de mau, usar calças largas e enterrar bonezinhos da adidas na cabeça, em Goiânia. Pois é, o Íkaro Stafford levou a banda aos Estados Unidos no começo do milênio, mas logo percebeu que o sonho não era tão doce quanto o da padaria da esquina, e o grupo se desfez após algumas gravações equivocadas.

# # Logo depois disso, com contatos estabelecidos, o Íkaro consegue uma vaga na Ankla, banda que o guitarrista Ramón Ortiz, egresso do fantástico Puya, havia montado. Com um disco gravado, o respeitável Steep Trails, roletaram o país do tio Sam e até ensaiaram uma vinda ao Brasil (o que acabou não se concretizando).

# # # Eis que depois de longos anos começam a surgir os louros da vitória desacreditada. O Ankla está escalado para o line up da maior festa do novo metal mundial, a OzzFest. O festival organizado por Sharon Osbourne, esposa e empresária de um incapaz Ozzy Osbourne, confirmou presença da banda, ao lado do próprio Ozzy, do admirável Lamb of God e do Hatebreed, entre tantos outros. Se ainda não acreditou que o Íkaro conseguiu ir tão mais longe do que você esperava, confere tudo aqui ó:
http://www.ozzfest.com/bio/2007/ankla.html

# Na sexta feira passada, o blog aterrissou mais uma vez as muletas e a perna engessada no Ziggy Box Club, na pré-festa do aniversário da revista Decibélica. Lá se apresentariam a Black Drawing Chalks (que logo depois de descer do palco correria para a rodoviária para encarar algumas boas horas dentro de um ônibus até Cuiabá, onde tinha show marcado para sábado), e a Johnny Suxxx & The Fucking Boys. Perto da meia noite a BDC ocupa o pequeno tablado do clube e palheta com fúria sua receita grave inspirada em Queens of the Stone Age e Black Sabbath. O show do quarteto é quase redondo; as guitarras duelam com a raiva e o feeling devidos, mas a cozinha acelera demais a mistura, o que tira boa parte da tensão nervosa que as músicas poderiam render, se executadas sem tanta empolgação. Tá certo que o som dos garotos é pensado pra ser empolgante, mas a BDC tem aí um potencial desperdiçado se não parar pra pensar em como suas canções podem ganhar em intensidade com um pouquinho de auto-controle do baterista cadeira elétrica.

# # Saí antes dos goianos descerem do palco rumo à Cuiabá e, portanto, não cheguei a ver o show do Johnny Suxxx e seus Fucking Boys. Já deu pra perceber que essa minha insistência em combinar clubes noturnos com minha perna quebrada não tem sido muito bem sucedida, né?

# Pra terminar a péssima notícia: Incubus cancela seus shows na Europa e América do Sul. Pois é, o guitarrista multi Mike Einzinger machucou o pulso durante a turnê alemã do conjunto, e em Munique chegou a deixar a guitarra cair durante uma apresentação.

# # Péssima notícia para quem, como o amigo aqui, estava contando os dias para assistir à banda que pariu jóias como Make Yourself e A Crow Left of the Murder, estrear suas guitarras em território brasileiro. Especula-se que novas datas no segundo semestre possam ser agendadas, mas por enquanto nada, nem de longe, confirmado. Uma pena!



Ficamos assim, vou ali.

4 comentários:

Bruno disse...

Silverchair bom é do Frogstomp e do Freak Show, depois foi piorando. Mas vou baixar esse Younh modern pra vê.

Bruno disse...

Silverchair bom é do Frogstomp e do Freak Show, depois foi piorando. Mas vou baixar esse Younh modern pra vê.

Anônimo disse...

Eu ia muinto nos shows da Punch, nem lembrava desse cara mais. Tô ovindo aqui o som do Ankla, parece legal.

Carlos disse...

Já eu acho o contrário.

O silverchair dos dois primeros discos era bom, mas era só mais uma das milhares de bandas influenciadas por Pearl Jam, Soundgarden e Led Zeppelin.

Do Neon balroom em diante, especialmente no Diorama, é que a banda se tornou uma banda para merecer destaque. Descobriu um som próprio, e o Daniel Johns desenvolveu um talento para composições pop de melodias riquíssimas, cujo poucos compositores na atualidade conseguem igualar.

Ele reforça isso no Young Modern. È um grande disco.