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sexta-feira, março 02, 2007

Entre silêncios e ressonâncias...


Montage no Second Life

# Conhece o Second Life né? Aquele simulador da vida real em que tudo se desenrola como aqui no plano real (mais ou menos...), que já conta com uma população de mais de dois milhões de habitantes, onde você desenvolve um personagem e interage com outras figuras, comandadas de qualquer lugar do planeta, e se envolve em uma série de obrigações, compromissos e, é claro, com uma boa dose de diversão virtual. Enfim, uma segunda vida. Pois é, lá no Second Life já teve show do U2, do FatBoy Slim, e, ontem, até dos cearenses do Montage, que se apresentaram no Club Re-Publik e ganharam a simpatia da casa lotada. Quem dá a notícia é o Chico Benton, direto de Second Life:

O relógio marcava 5:03 PM, horário de Second Life, quando me teleportei para o distrito de Butler. O início do show da dupla cearense Montage estava marcado para as 5:00PM. Ao chegar em frente ao Club Republik, onde aconteceria o show, veio o balde de água fria. "Você não pode entrar nesta região porque o servidor está lotado."

Do lado de fora, eu podia ouvir as pessoas gritando: "RAIO!", "UUUUUUU.... SHOWWWW", "MASSA DEMAIS", "QUEM TÁ CURTINDO?"Eu, definitavemente, não estava. Sem saber que a lotação máxima da casa era de apenas 40 residentes, tinha deixado para chegar em cima da hora e agora corria o risco de perder um dos eventos mais importantes do ano: a primeira apresentação de uma banda brasileira no território de Second Life.Como um bom jornalista, a única saída que me restava era apelar para a boa e velha carteirada na porta. Descobri o nome de uma das promoters do local, Araleigh Reisman, e disparei:

"Olá, sou repórter do G2, e preciso dar um jeito de entrar nesse show. Não posso voltar para casa sem essa matéria, entende?" E não é que funcionou? Araleigh foi simpática e, em poucos minutos, a minha entrada foi liberada. Ah, nada como um pouco de experiência "profissional" nessas horas...Nos altos-falantes da casa uma batida de funk carioca já botava a pista para ferver. Metido num shortinho de lycra lilás, sem camisa e com as asas de borboleta à mostra, o vocalista dançava e cantava em meio à galera. "Floor! Floor! Floor!", repetiam os fãs que pareciam ter decorado todas as letras para a ocasião.

# # O texto completo sobre o primeiro show de uma banda latino-americana no Second Life (a banda Eva não tocou lá no carnaval?), o amigo leitor pode acessar através desse link aqui.
http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7423,00.html

# # # Já pra assistir ao clipe tosco do show do Fat Boy Slim por lá, é só apertar o play aí embaixo:




# E se aproxima o Festival Fora do Eixo, que reunirá em São Paulo duas dezenas das mais significantes bandas dessa recente safra do nosso novo rock. A festa acontece a partir do dia doze de março, e se estende até o dia dezoito, com shows de grupos calibrados como o genial Macaco Bong, a revelação gaúcha Pública, ou ainda o Montage; e representando Goiânia, pelo menos a Valentina já garantiu presença.


# No fim do mês, a revista Decibélica completa seu primeiro ano de vida editorial, e para celebrar convidaram os Forgotten Boys, o MqN e os Rockfellers (e várias outras bandas) para cuidar do som. A festa acontece dia trinta e um de março no manjado e amado Martim Cererê. O Beto Wilson, digníssimo editor da publicação, manda avisar que ingressos para a folia serão sorteados nas comunidades da revista e da fósforo Records no Orkut.


# Naquelas de re-ouvir uns discos “esquecidos”, por conta da minha ociosidade mandatória de engessado (assunto do qual eu tratava no último post), esbarrei mais uma vez com a maravilha cândida e gelada do Sigur Rós. Mais precisamente, no Takk, disco de 2005 e que é uma das melhores provas de como o rock pode ser excelso e belo, nas acepções mais literais dos termos. Do início grandiloqüente com Glosoli, passando pela fleuma delicada e reconfortante dos pianos e tramas de Hoppipolla, que cresce intensamente até o limite da emoção melódica, e que em sua continuação, Hoppipolla Afturabak, experimenta atmosferas frenéticas, sons e brilhos de viagens oníricas e ilícitas. O poderoso e comovente arranjo de cordas de Hufupukar é habilmente interrompido pela amenidade terna do piano e dos sopros, que levam a melancolia solene à quase alegria de uma cena de cinema-mudo. O mosaico de texturas e luzes de Saeglopur, com sua ambientação densa e carregada, calcada em guitarras, teclados e vocalizações mântricas sugere uma calmaria intensa e inquieta, o perfeito símbolo da pura contradição, condição de existência do ser humano saudável. Milano é uma jóia psicodélica de de dez minutos, que aumenta ainda mais a sensação de deserto gelado, enquanto Gong e Gong Endir insinuam movimentos dançarinos (cada uma a seu modo). Sorglega é um estudo sensorial, de camadas sonoras reveladas aos poucos e que resultam na apoteose instrumental que anuncia o fim da obra. Heysatan despede-se com tranqüilidade, entre silêncios e ressonâncias, com tanta discrição que só depois do álbum se calar é que o ouvinte percebe o quanto estava envolvido. Sublime.

# # No vídeo aí embaixo dá pra assistir a magnífica Hoppipolla, executada pelo grupo no BBC's Later with Jools Holland. Pegue sua caixa de lenços de papel, sente-se confortavelmente e prepare-se para chorar:




# Depois dessa eu vou-me embora pra Pasárgada...


Inté.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sigur Rós é supremo!

adolfo disse...

As pessoas ainda não descobriram Sigur Ros . Quando ouvirem essa música ficará difícil ouvir coisas atuais .Se Takk é obrigado , não deviam agradecer algo tão maravilhoso! Quem faz arte, caso esse grupo ,somente nos resta agradecer o que está além dos limites da modernidade medíocre; que dança e evolui em quem não procura.