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sexta-feira, março 30, 2007

Love in Elevator!

Steven Tyler - Aerosmith
Foto de divulgação

# E aí, tudo certo? Preparado pro finde?


# Na véspera da festa que celebra o primeiro aniversário da revista Decibélica - aquela mesma que pela primeira vez catalisou numa encadernação de respeito o melhor da nova cultura independente brasileira -, o assunto deste post não poderia ser outro. Apesar do colega e Inimigo de Rei, Eduardo Mesquita, ter tratado do tema com bastante propriedade na O Grito do Inimigo, sua coluna no portal da Dynamite, não me furtarei o direito de teclar algumas linhas sobre a publicação de maior impacto gerida dentro da cena brasileira do novo rock.

# # Na última edição da revista, capa com os Faichecleres, o amigo que digita do lado de cá do monitor assinou o texto sobre o 12º Goiânia Noise Festival, realizado em novembro de 2006 nas dependências superlativas do Centro Cultural Oscar Niemeyer. Mas essa colaboração teve início na terceira edição, capa cool com o Vanguart, onde tem abrigo um escrito detalhado deste blogueiro sobre o então recém lançado Estado Natural, o ótimo terceiro disco da Casa Bizantina.

# # # Desde seu nascimento, um ano atrás, a Decibélica trabalha com o sério propósito de movimentar e aglutinar uma pequena legião de aficcionados por rock e cultura pop espalhados pelo país, e que não se contenta com a passividade de ser simplesmente público. Muita gente escreve e emite opiniões, embasadas em bons argumentos ou não, em bons textos ou não, e o que a Decibélica fez (e continua fazendo) foi tentar juntar a melhor parte desse pessoal e produzir uma revista que documentasse todo esse fervilhar de bandas, festivais e circulação roqueira, que acontece à parte da indústria fonográfica, mas nunca do mercado. Desse não queremos distância, queremos tomar posse da nossa parte.

# # # # Na festa de aniversário que comemora o primeiro ano de vida da publicação, os convidados são ilustres representantes dessa nova safra: Os Sapatos Bicolores rebolam seu rock saudoso dos anos cinqüenta e sessenta em Brasília e já são velhos conhecidos do público goiano, enquanto os locais Rockfellers voltam a chacoalhar suas guitarras e ostentar suas bandeiras apenas algumas apresentações depois de uma (curta) temporada inativos.

# # # # # Santo de casa, o MqN costuma conseguir realizar os milagres que contrariam o ditado, e promete, logo depois de lançar Cobra – a segunda edição das Fuck CD Sessions –, derreter o ar condicionado do Martim Cererê e deixar a cúpula de concreto em chamas, preparada para a apresentação dos Forgotten Boys, que depois de Stand By the D.A.N.C.E., casa da ótima Get Load e do anêmico single 5 Mentiras, escorregou os pés para a estrada e tem percorrido muitos dos buracos negros desse nascente circuito independente nacional, conquistando cada vez mais admiradores com sua receita saborosa, que, a despeito dos equívocos em português, junta a energia do punk com as melodias grudentas do rock n’ roll e cozinha tudo com um inconfundível apuro instrumental.

# # # # # # Eu vou lá! E você, vai?


# O Macaco Bong lançou seu segundo EP, intitulado Objeto Perdida, onde carregou nas tintas escuras e imprevisíveis do jazz e da música experimental, misturando tudo com viagens roqueiras psicodélicas altamente corporais. Sim, por que apesar de aparentemente fazer música cerebral, o trio cuiabano não se intimida em convidar o ouvinte para uma contradança, ainda que poucos compassos depois o bailado se desfaça em quebras inesperadas e alce vôos instrumentais atávicos. Ainda estou me impressionando aqui, com repetidas audições, depois falo mais.

# E não é que o grande Aerosmith desembarca no Brasil mais uma vez? A banda dos toxic twins está entre as prediletas do blogueiro aqui, que já viveu boas estórias sob o som enfurecido e sensual da guitarra de Joe Perry e dos gritos ensandecidos e rebeldes de Steven Tyler.

# # Se o distinto leitor ainda não é familiarizado com os altos e baixos da discografia do grupo, mas se interessa pelo hard rock robusto e voluptuoso daquela que já se intitulou “a maior banda de rock da América”, que influenciou diretamente músicos importantes como o Slash, ex Guns e atual Velvet Revolver, e que foi o primeiro dos conjuntos de rock a figurar nos Simpsons, o blog pode ajudar.

# # # Pra uma audição introdutória, o melhor mesmo é o clássico Toys in the Attic, de 1975, que mistura a dureza das guitarras do rock básico de bandas como Free e Lynyrd Skynyrd, com o suíngue e sensualidade melódica de um led Zeppelin, e acaba soando como uma versão vitaminada dos Stones. Mas não se engane, em meios a tantas referências, o Aerosmith sabia como imprimir uma inconfundível marca própria em suas poderosas canções. Foi com Toys in the Attic que o quinteto alcançou sucesso comercial, passou a lotar estádios e vender milhões. A faixa título, um rock com o pé no acelerador e guitarras superabundantes, ganhou releitura até do misantropo Michael Stipe e seu R.E.M., enquanto a classicaça Walk This Way já torcia entendimentos onze anos antes da parceria com Run DMC (e o retorno triunfal às paradas de sucesso), pouco antes de Big Ten Inch Record, um jazzabilly charmoso e cheio de manha, fechar o lado A do LP.

# # # # Sweet Emotion abre o lado B e é o maior e mais cultuado hit dessa fase gloriosa do Aerosmith: vocalizações e atmosferas agri-doces, riffs diretos e geniais, além de uma dançante e potente cozinha, ajudaram a catapultar esse álbum, e a banda, para o gigantismo a que estava por vir.

# # # # # Após um bom tempo gastando onda com Toys in the Attic, o amigo leitor já estará apto a algumas boas e atenciosas audições de Rocks (de 76, o preferido do Slash), para depois voltar um pouco no tempo e conhecer a maravilhosa estréia, de 1973, que revelou já de primeira alguns dos maiores sucessos do grupo de Boston: Mama Kin, posteriormente regravada por seus “seguidores” do Guns N’ Roses, e o grandioso piano rock Dream On, não deixam o blog mentir. Despreze as coisas da primeira metade dos anos 80 (época em que Joe Perry abandonou o barco), e retome a discografia a partir de Permanent Vacation, de 1987, lugar de canções bacanas como Rag Doll, Dude (LooksLike a Lady) e a balada Angel (assassinada numa versão em português pela longínqua Yahoo, “banda” que desfilava seus cortes de cabelo à Chitãozinho e Xororó no começo dos anos noventa), que anunciavam um retorno triunfal para breve.

# # # # # # Essa volta em grande estilo ganhou as ruas em 1989 com o maravilhoso Pump, dono de preciosidades como Young Lust, F.I.N.E. e My Girl, além dos mega hits Love in Elevator e Janies Got a Gun. Depois disso a estória é bem conhecida: em 91 chegam ao topo novamente com o bombado Get a Grip, que além de estourar pelo menos 6 belas músicas no ocidente inteiro, emplacou vários e adoráveis clipes nas emitivis mundo afora e os recolocou num papel central dentro do pop mundial!


# Quem não se lembra do vídeo de Crazy, aquela balada bonita, onde as então pubescentes Alicia Silverstone e Liv Tyler fogem do colégio, e a bordo de um conversível atravessam quilômetros e mais quilômetros à procura de diversão e aventura?




# # Ou do clipe de Cryin’, onde a mesma Alicia, desta vez fantasiada de fêmea emancipada e de pavio curto, faz de tudo, inclusive espancar um assaltante abusado e saltar de bungee jump só pra fazer tipo pro namorado folgado?



# # # Lindo, não?


# Dia 1º de março a paraense Madame Saatan entrega aos ouvidos do país o single virtual Gotas em Caos (com Molotov no “lado B”), numa experimentação de integração nacional daqueles que produzem informação sobre o circuito independente. O blog aqui vai dar um jeito de disponibilizar as duas canções para seus distintos leitores, numa ação associada com dezenas de sites em 13 estados da federação. No domingão, depois daquele almoço com os amigos, faça uma visitinha ao blog e dê uma conferida nas novidades da Madame. Podicrê?


# Hoje à noite, a veterana Casa Bizantina apresenta as belas canções de Estado Natural (e de seus outros discos) num formato eletro-acústico, lá no tablado do Cine Goiânia Ouro. Outra boa pedida para a sexta feira é a noite electro do Ziggy Box Club, que vai emprestar seu palco para a braziliense Hello Crazy People desfilar seus beats minimalistas e vocais femininos cheio de intenção. O blogueiro aqui vai levar sua perna temporariamente retardada (pois é, tirei o gesso, mas a perna parece não ter percebido e continua alheia às minhas ordens) até o cine Goiânia Ouro para acompanhar os bizantinos em sua peripécia acústica, mas pode ser que apareça lá no Ziggy Box depois, só a madrugada vai poder dizer.


# Últimas e ótimas notícias: Respondendo ao questionamento que o blogueiro fez acerca do que havia acontecido com o Valv em posts atrás e na coluna Fora do Eixo, no Portal da Dynamite, o João Lucas, membro da cúpula da Fósforo Records, manda avisar que, para alegria de muitos, no dia 10 de maio os mineiros aportam toda sua intensidade guitarreira e melancolia britânica no palco do Ziggy Box Club. Outra que vai desembarcar suas maluquices por lá é a insana e bailarina Jumbo Elektro, mas ainda sem data confirmada.

# # Para o começo de junho, a Fósforo promete reunir numa mesma noite duas das maiores jóias do rock atual, em mais uma edição do festival Máxxxima, que dessa vez só apresentará bandas instrumentais. Trata-se da velha conhecida e adorada Pata de Elefante, que tanto bem já fez aos ouvidos goianos, acompanhada da nova sensação Macaco Bong, que também já arregimentou uma boa leva de admiradores convictos na cidade. Para coadjuvar com os gigantes, foram escaladas a lisergia derretida do Seven, o funk sem palavras e chapado do Dom Casamata, além da Lenore. Mais notícias pra frente.


Durmam com essa. Até.

2 comentários:

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei disse...

Respondendo sua pergunta: EU VOU!!!

rsrs nos vemos lá, mano perneta!

Há braços!

Aline Mil disse...

E eu fui! E chamei o Eduardo de bocó de novo. Hehe.


Aerosmith, muito bom. Traz ótimas lembranças rever os clipes!
Bjs, Hígor!