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quinta-feira, setembro 06, 2007

Arremesso de Cerveja à Distância!


Letícia Persiles, do Manacá.



De volta à Goiânia.


# Acabou no último domingo a edição 2007 do festival Calango, em Cuiabá. Este blogueiro que vos digita acompanhou in loco os três dias de festa e em breve publica aqui o texto completo sobre o festival. Já para o próximo número da revista Decibélica, garanto matéria larga e detalhada sobre a folia.

# # Mas dá pra adiantar que Cuiabá fez jus à sua fama de cidade-inferno, e cozinhou a carne dos desacostumados com suas temperaturas de forno micro-ondas. Nas madrugadas – prolongadas no hotel -, apesar da aparente discrição coletiva, era possível ver/ouvir acontecimentos curiosos e/ou quase bizarros, enquanto, à beira da piscina, confabularias eram travadas, em meio à gargalhadas embriagadas.

# # # Já no Museu do Rio, local da arena do festival, o backstage presenciou desde um quase-combate físico (e um arremesso-de-cerveja-à-distância) - logo apaziguado pela turma do deixa-disso -, até a transmissão ao vivo dos shows, via web rádio, executada pelo amigo e editor do programa Reator, Pedro Fernandes.

# # # # O Macaco Bong fez a performance hipnótica e exultante de sempre, porém dessa vez prejudicada pela má equalização do equipamento do palco 2, que insistiu em atrapalhar o som durante quase todo o festival.

# A Patife Band – formação paranaense que margeou o boom do BRock oitentista, flertou forte com a Vanguarda Paulistana, mas que nunca atingiu sucesso comercial – fez a melhor apresentação do Calango 2007. A experimentação de Paulo Barnabé e cia, fragmentada em recortes melódicos que brincam a sério com a faceta menos ortodoxa da música punk, não atraiu a massa para o gargalo – o que era de se esperar –, mas conseguiu rechear de estranheza e inquietação o cenário indie-guitarreiro, quase absoluto nas três noites.

# # Já o Daniel Belleza e seus Corações em Fúria comandaram o número mais organicamente interativo do festival. Separado de seu público pela grade de proteção que delimita o fosso reservado para jornalistas e fotógrafos, um purpurinado Daniel Belleza conclamou a pequena multidão a invadir a tal área V.I.P., e se aproximar do palco. Completou o apelo com um “Eu não toco para a imprensa, eu toco é para vocês!”. A resposta da massa foi imediata, e garotos e garotas aos montes passaram a pular as grades, que logo cederam e jazeram retorcidas sob os saltitantes invasores, até que uma equipe de seguranças restabelecesse a separação.

# # # Cercado de comentários sobre lascivos uivos vespertinos, a cearense O Quarto das Cinzas desvendou seu tramado que envolve os delírios sutis do trip-hop, as guitarras do rock, e toda a elegância da tradição musical brasileira, numa das gratas surpresas do festival. O casal (ela afinadíssima) acompanhado apenas de mais um músico e de um lap-top, dispensou o baterista e conseguiu, mesmo entre as piadinhas, um honroso lugar na lista dos melhores do Calango 2007.

# # # # A simetria plástica da carioca Manacá, outra revelação do festival, se vale de um pacote fechado: da beleza vivaz e tatuadíssima, em conjunto com a voz algodoada de Letícia Persiles, combinada com guitarras repletas de acidez pop, emolduradas num contexto que permite uma associação abstrata, e nada forçada, entre lembranças de Wezzer e Novos Baianos. Tudo num mesmo pacote.






# Das bandas ruins do festival eu falo na matéria completa, mas antecipo que, em muitos casos simplesmente fugi, e me ocupei na sala de imprensa ou em papos animados e engraçadíssimos com o Bruno Dias, o Terence Machado e o Alexandre Moreira, do Urbanaque (SP), do Alto Falante (MG) e do Loaded E-Zine (SP), respectivamente.

# # O gaúcho radicado em São Paulo Astronauta Pingüim também teve seus quarenta minutos de glória em Cuiabá, recriando, numa interface entre o sessentismo psicodélico e a jovem jovem-guarda, clássicos daqui e do resto do mundo. Detalhe: Pingüim se vale de sintetizadores para ocupar a função que normalmente seria designada à guitarra, e cometeu as peripécias mais saborosamente vintage do festival, no comando de seu moog.

# # # Durante os quatro dias em que estive em Cuiabá, meus fones de ouvido acompanharam quase todos os raros momentos solitários. Entupi meus tímpanos com o Release the Stars, discão que o Rufus Wainwright lançou no primeiro semestre. A dobradinha sinfônica de Slideshow e Tulsa é de despedaçar corações, sensíveis ou não. A apoteose íntima do canadense encanta nos dois extremos.

# # # # Outro que acompanhou os momentos de reclusão do blogueiro em meio à paisagem árida da capital do Mato-Grosso, foi o classicaço Badmotorfinger, do Soundgarden. Há tempos não escutava esse álbum de ponta a ponta, e num papo descontraído com o pessoal da mineira Carolina Diz, o nano alto-falante do meu mp3 player foi de Rusty Cage a New Damage sem interrupções.




Vou ali assistir o DVD do Terrminal Guadalupe, o primeiro fruto da parceria entre a goiana Fósforo Records e a cuiabana Cubo Discos. Depois te conto. Daqui a pouco eu volto com o Libertad, novo do Velvet Revolver, com algumas novidades e com mais Calango 2007.


Ok?

3 comentários:

Lenissa Lenza disse...

Valeu Higor. espero que tenha gostado. ,)

Felipe Maia disse...

Poxa voce não falou do Snorks do Branco e Tinto pq??? Sacanagem =~

Fábio Battista disse...

Perdeu Seminal tb pow? hehe... a banda da bola...