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terça-feira, fevereiro 27, 2007

Eu Gosto é do Estrago!


Programação de inauguração do mais novo clube rock de Goiânia, o Ziggy Box


Olá, tudo bem?


# Nesse meu intenso tédio horizontal, de fraturado e engessado, voltei a ter muito tempo ocioso (ainda que marcado por dores chatíssimas e pela quase impossibilidade de sair da cama), e sendo assim o carnaval do blogueiro aqui, que prometia ser recheado da variedade roqueira tupiniquim reunida em Cuiabá, cidade sede do Grito Rock Integrado, foi mesmo uma olimpíada de troca de canais da tevê, intermináveis sessões de cinema em casa e centenas de páginas repletas de letrinhas enfileiradas, que contam muitas estórias e que ajudam a passar o maldito tempo.

# # Nesse processo de convalescença, vários discos “esquecidos” (daqueles que adoramos, mas que com as toneladas de novidades interessantes que pululam na rede a cada segundinho vagabundo desses novos tempos, acabam deixados de lado até a próxima redescoberta) voltaram a girar felizes no player do amigo aqui. Me empolguei de novo com o ainda incrível Make Yourself, do Incubus, que vem pela primeira vez ao Brasil em maio, ao mesmo tempo em que recordei a beleza perfeita do Before These Crowded Streets, da grande Dave Matthews Band; relembrei satisfeito os grooves invertebrados e ácidos do jovem Jeff Beck de Blow by Blow, e dei uma boa saboreada nuns velhos e geniais vinis do Caetano Veloso (a versão desse baiano chato para Mora na Filosofia, do Monsueto, é mesmo de fazer chorar!). Ainda na estante dos vinis, esbarrei mais uma vez no Caça à Raposa, disco de 1975 do João Bosco e casa de muitos dos seus maiores hits como Mestre Sala dos Mares, De Frente pro Crime e Dois pra lá Dois Pra Cá, mas que valeria a pena só pela ribombante Nessa Data.

# # # Também passei em revista a modesta coleção de jazz, e quase decidi que A Love Supreme do Coltrane talvez seja a melhor trilha para o sexo (e para depois dele) que o gênero já produziu. Mas pertinho dele está lá o Time Out, do grande Dave Brubeck, que mistura fleuma e caos com uma habilidade tão grande que consegue causar sensações inacreditáveis (tenta aí na sua casa!).

# # # # Outro que deslizou bonito nas caixas de som em frente à cama do blogueiro, foi o superlativo e ultra-bombardeado Ventura, terceiro disco dos amados e odiados Los Hermanos. Há tempos que não ouvia as elaboradas lamúrias dos cariocas, tão bem acomodadas entre guitarras e suíngue sambista.

# # # # # Muito já se disse sobre o Los Hermanos. Teorias e mais teorias foram levantadas sobre o grupo que conseguiu o amor e, posteriormente à comoção popular pós Bloco do Eu Sozinho, o ódio de grande parte da crítica especializada, que parece ter dificuldades em associar qualidade estética à sucesso mercadológico. Deixando o contexto de lado, Ventura é o grande disco do quarteto, que alcança uma alquimia quase perfeita entre a doçura sutil do rock alternativo e a elegância da melhor tradição do samba canção, tudo costurado com letras muito acima da média do pop nacional. Se Samba a Dois, de Marcelo Camelo, abre o disco com ares de gafieira chique, logo Amarante toma a frente e joga toda a sua fossa bêbada e consternada por cima de tudo, com Último Romance e Do Sétimo Andar, pouco antes de O Velho e o Moço tranqüilizar a atmosfera e divagar emocionalmente sobre a vida e as decisões que ela implica, sempre naquele climão de quietude indie. Em Conversa de Botas Batidas, Camelo desenha, entre piano, guitarras e bateria onomatopéica, um belo drama urbano, protagonizado por um casal de velhinhos teimosos, dentro de um antigo apartamento prestes a ser demolido. Deixa o Verão, mistura country com chorinho e avalia:

Não to muito afim de novidade
Fila ou banco do bar
Considere toda a hostilidade
Que há da porta pra lá


Quase no fim, Um Par “reconstrói” o estória romântica da “delinqüência” juvenil de Meu Guri, do Chico Buarque, com guitarras distorcidas e timbres estranhos, criando o cenário caótico e coletivo das conturbadas relações entre pai e filho. Fim!



# # # # # # Tá bem, Ventura não é só isso, mas vamos combinar que é principalmente isso. Mas re-ouvindo o disco, me lembrei perfeitamente de como os fãs padrão do grupo são chatos, pedantes e xiitas (assim como os fãs do Iron Maiden e Manowar), além de pior vizinhança quando num show dos rapazes. Decididamente os hermanos não merecem os fãs que tem!


# E o vídeo-clipe de Straigth Lines, o primeiro single do esperadíssimo Young Modern, do amado Silverchair, já viu? Pois é, já há um tempo roletando pela rede, o clipe modernoso e classudo da ótima banda de Daniel Johns está também aí embaixo, pronto e receptivo ao vosso play. Descobre aí como Young Modern se parece... o blog aqui tem gostado bastante. Diz aí o que você acha.




# E Goiânia vai ganhar mais um palco para o rock. O João Lucas, alter-ego de Jonnhy Suxxx – líder dos Fucking Boys e membro da cúpula da Fósforo Records –, manda avisar que a Ziggy Box Club abre suas portas para o creme do circuito independente nacional a partir do dia 7 de março (numa festa só para convidados), com o sempre empolgante e incendiário show do MqN. A casa assegura que se esmerará na combinação explosiva dos melhores shows do país com o fino da discotecagem rock.

# # Acompanha aí a programação de inauguração: Dia oito de março o clube se apresenta ao público com Abluesados e discotecagem blues/ Já no dia nove, é a vez dos Rollin Chamas/ Dia dez a Valentina lança seu primeiro disco, ao lado do Mersault e a Máquina de Escrever, mais o DJ Buda-SW Projects 80’s e Pedrinho Bang Bang/ No dia 11 o punk n’ roll hypado do Rock Rocket promete lotar o lugar, que também abrigará shows das locais Obesos, Wc Masculino, Infalíveis e Royal Flush, mais os djs Luti e Totonho.

# # # A Ziggy Box fica ali na República do Líbano, acima da praça Tamandaré, ao lado do Piquiras (lá mesmo, onde um dia foi a Jump Alternative Club). Acho que a gente vai se encontrar bastante por lá, o que você acha?


# Voltando às Fora da Lei Sessions (que nada mais são do que sessões quase periódicas de filminhos rockers e/ou pequenos flagrantes de shows e da movimentação rock que acontece em Goiânia, sempre produzidos pelos amigos e parceiros da Fora da Lei – Rádio/Cinema/Tv), agora é a vez do rock oral. A fita escolhida foi Cenários do Rock, curta-metragem que documenta os debates ocorridos durante o último Bananada, onde personalidades do meio, como Fernando Rosa ( revista/agência online Senhor F), Terence Machado (programa Alto Falante - rede Minas/Tv Cultura), Fred 04 (Mundo Livre S/A), Sandro Belo (Allegro Discos), Fabrício, Nobre, Léo Bigode e Márcio Jr. (Monstro Discos), Pablo Kossa (Fósforo Records), Sílvio Pellacani (Tratore), Walter Resende (Loaded), Frank Jorge e uma pá de outros, discutem a viabilidade e operatividade do nosso rock independente. Assista e opine você também.




# Então é isso. Desculpa aí a demora das últimas atualizações, mas a perna aqui já tá colaborando e a cama já está sendo, gradualmente, deixada de lado. Pode deixar que os posts vão voltar a parecer com a periodicidade costumeira.


Falô procê.

2 comentários:

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei disse...

maluco, melhora logo essa perna, rapá!
Uma correção, na primeira menção de data da nova casa do JoãoLucas (ou nossa nova casa? hehe), você fala em "07 de maio" e é "março".
No mais, mais nada. Bom como sempre.

Você realmente podia acostumar a postar todo dia, ia facilitar muito pra quem visita todo dia como eu.

Há braços!

Hígor Coutinho disse...

ôpa, grande inimigo

Valeu a correção aí, já mudei lá!