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terça-feira, dezembro 14, 2010

Pegaram os ateus pra Cristo

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Programada para começar a circular a partir de ontem em Porto Alegre e Salvador, uma campanha da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos - ATEA foi barrada nas duas cidades. Em Salvador, a empresa responsável pela veiculação desistiu da campanha, que previa banners em ônibus, temendo ação do Estado e dos empresários do transporte.




Já em Porto Alegre, a Agência de Transportes Públicos recusou a campanha local alegando infração de uma lei municipal que veta temas religiosos na publicidade de ônibus. A Associação, que recentemente acionou o Ministério Público Federal para ajuizar ação civil pública contra o jornalista José Luiz Datena (que fez afirmações ofensivas contra ateus em seu programa de TV), segue arrecadando, em seu site, donativos em dinheiro para custear mais uma demanda jurídica, dessa vez contra a empresa soteropolitana e a a Agência de Transportes Públicos de Porto Alegre.




A campanha brasileira da ATEA é derivada daquela promovida pela British Humanist Association, pioneira na militância publicitária ateísta. A iniciativa britânica, que teve enorme êxito na divulgação de suas peças, começou com o objetivo de arrecadar £5.500 (mais ou menos R$19.000). Mas em quatro dias atingiu £100.000, e logo ultrapassou os £135.000 (R$465.000), uma cifra bem razoável, mesmo para os padrões ingleses.




Lá, foram 800 ônibus com o slogan "Theres's no god, now stoping worrying and enjoy your life" (Provavelmente deus não existe. Agora pare de se preocupar e viva sua vida), mais mil anúncios no metrô, duas grandes telas de LCD, de 3,7m² e 7,4m², e uma mensagem na BBC.




Mas aqui, caso não tivesse sido abortada, a ofensiva seria bem mais discreta: 10 ônibus em Porto Alegre, financiados por um único doador paulista que, segundo o site da Associação, prefere permanecer anônimo, e 5 ônibus em Salvador, custeados pela própria entidade. E mesmo diante de investida tão tímida, nem o esdrúxulo sincretismo baiano, nem a proclamada superioridade cultural gaúcha quiseram arriscar-se na polêmica.






15 comentários:

dieguito de moraes disse...

foda!
e semana passada (na minha aula de ensino religioso, na cadeia pública daqui do canedo) falei sobre a "liberdade de religião", do respeito ao ateísmo, como uma escolha...

daí aparece esse fundamentalismo velado...

o cara não pode se dizer ateu, que já é taxado de demoníaco!
foda!

valeu pelo post!

carolina disse...

"Theres's no god, now stoping worrying and enjoy your life" (Provavelmente deus não existe. Agora pare de se preocupar e viva sua vida)
por que PROVAVELMENTE na tradução, se não é isso que tá escrito em inglês?

achei sensacional, mas é meio óbvio que esse negócio não cola na Bahia, nem no sul, nem em lugar nenhum aqui no Brasilis.

Anaíza disse...

O evangelho é para pessoas FORTES.
As fracas preferem se render a idéia de que Deus é uma invenção (simplesmente porque não é capaz de respeitar a Deus).
O livre arbítrio está ai para isso, cada um segue o caminho que quer. Que todos de arrependam ! Deus abençoe vocês! Amo vocês em Cristo.

Anônimo disse...

já eu acho que evangélio e pregações são pra pessoas fracas que não conseguem se convencer ou viver sem ter algo ou alguém pra guiá-las... boa sorte pra vcs que precisam!

Anônimo disse...

Muito triste saber que existem pessoas que não dão o mínimo valor para o que Jesus fez por nós. Mesmo assim Ele nos ama!
E o pior de tudo são as pessoas que criticam quem vive para Deus, eu me apoio em Deus sim e por isso sou forte, e quem é ateu tem apoio em que ? Em humanos que uma hora ou outra são falsos ? Deus abençoe vocês!

Roberta disse...

bom, quando me perguntam qual minha religião, eu respondo "a minha". aquela que eu inventei, pegando um pouco de cada uma que conheço, que eu acho que se encaixa com o modo que eu vejo a vida, nas coisas que eu acredito. sinceramente, quanto ao cristianismo, é muita ladainha. eu sou do tipo de pessoa "ver pra crer" e acho que cada ser humano tem o que merece, porque faz por merecer, coisa boa ou coisa ruim. a vida de cada um é apenas aquilo que cada um faz, baseado nas próprias escolhas e nos caminhos por onde cada um quer e decide ir. claro que tem coisas fora do nosso alcance, como acidentes, e não acho que isso seja uma punição. são apenas fatalidades, e não deus punindo. se deus é amor, e ama todos nós, por que raios ele ia querer que uma pessoa do bem, inocente e digna, tivesse um acidente, e sei lá, ficasse perneta? é sofrimento demais pra alguém que nunca fez alguém sofrer e só quer o bem dos outros. religião é uma escolha e quem tem fé que jesus fez o que fez porque nos amava, foi outra escolha. a escolha dele, porque na época eu não existia pra impedir que ele fizesse algo que não pedi. essa metáfora é apenas pra dizer que a gente tem que ser bom com os outros, ajudar sempre, ter compaixão, que é isso que ele teve: compaixão. e é isso que falta no mundo, hoje.

Anônimo disse...

ótimo comentário, roberta.
sou o anônimo ali de cima e defendo a idéia de que cada um deve se guiar pela sua "luz" interna. acho errada a defesa da idéia de que devemos seguir o que está escrito em um livro. deus, jah e mais tantos nomes, são apenas nomes. No geral as pessoas se apegam muito a algo que as conforta e isso muitas vezes leva ao fanatismo e à idéia de que apenas o que ela crê é o certo. Por isso defendo a idéia de crer no que é bom pra si, tendo sempre o bom senso como base para decisões.

Mauvais disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mauvais disse...

Eu acho adimirável que os crentes, de uma religião ou de outra, se sintam no direito de pregar aos quatro ventos suas idiossincrazias teológicas e assumir como verdade que a sua religião deve ser pregada, e que todos devem ouvi-la. Mas é coisa rara uma pessoa religiosa se dispor ao menos a ficar calada quando alguém se diz ateu. Nenhum ateu está te pedindo para que você seja também. Alguém aí falou em apoiar-se em Deus. Tenho a leve impressão de que não era bem isso que Jesus queria dizer, mesmo porque, quem se apóia está cambaleando, não é verdade? Então, pare de temer a afirmação atéia. Ela só te compromete se você já não estiver bem das pernas (ops!). Para encerrar, vou com uma frase que eu li certa vez, e que dizia mais ou menos assim: "a maior parte dos problemas contemporâneos seria resolvida se houvessem hospícios na Jerusalém de dois mil anos atrás".

Gabriel Lyra disse...

Cristão intolerante, pra mim, é o ápice da incoerência. E o pior de tudo é ter que ver isso diariamente...

O que emperra o processo não é a fé em si, é a preguiça mental (ou fé cega, que pra mim são a mesma coisa). Crer piamente na ciência, por exemplo, costuma dar em lugares parecidos. Mas, me restringindo ao assunto em pauta, tenho minhas considerações a fazer.

Neguim das três grandes matrizes religiosas ocidentais segue somente seu Livro. Um único livro. E nem ele lê direito. Até onde eu sei (no caso da Bíblia, li várias partes, e no caso do Corão já tive um pouco de paciência de procurar), dois dos três manuais religiosos que contam numéricamente do oriente médio pra cá pregam mais ou menos a mesma coisa: respeito mútuo, amor ao próximo e tolerância.

Aí vem uma cúpula que tem coragem de ler o livro, distorce o que está escrito lá, assume o papel de advogada do diabo (e, nesse caso, eu diria literalmente, porque transforma "ame ao próximo como a si mesmo" em "odeie o diferente"), cria um discurso inflamado e vai todo mundo atrás, igual gado. Fazendo o exato contrário de quem supostamente deveria seguir.

Se Cristo existiu (não temos espaço, aqui, pra entrar nesses méritos), não consigo imaginá-lo:

1) Pregando para uma multidão e cobrando 10% - ou mais, a depender da quantidade de fé de quem "doa" - da renda pessoal de seus seguidores. E nem morando em mansão e andando de cavalo (carrão), cercado de serviçais. O cara viajava a pé, comia o que tinha (se tinha) e vivia a mesma vida miserável do povo da região;

2) Incitando seus seguidores a pegarem em armas pra defender o judaísmo contra a ocupação romana no oriente médio e contra as outras matrizes religiosas que estavam presentes na região àquela época (todo mundo esquece que ele não era cristão. O cara era judeu. Cristão, só depois dele). Um grande exemplo de conduta correta, supostamente usado por Cristo, é dado por um samaritano;

3) Gritando, aos berros, que "O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE!", e sugerindo esse e outros tipos de intolerância que passam muito, muito longe de qualquer fundamento cristão.

E se o deus cristão existe, penso que esse povo deva ir pro inferno aos rebanhos, porque não entendeu a mensagem e fez o exato contrário do que deveria. E como o cara é justo e se dispõe a julgar... não imagino outro destino possível, a menos que ele seja incoerente.

Mas existe um grande mérito, ao menos dentro do cristianismo, que se tornou o foco principal dessa crítica (em especial dentro da matriz protestante e seus desdobramentos neopentecostais): colocar os seguidores como ovelhas. Ovelha não entende muito bem o que acontece. É presa. Precisa de um outro que a guie, zele pelo aumento do rebanho e tire seu proveito disso. Dar esse nome aos seguidore é de uma sensibilidade poética.

Quanto a mim, prefiro outros tipos de comparação. Se é pra ser bicho, prefiro os não domesticados, e tenho particular interesse pelos predadores. Padre e pastor, na minha vida, não fazem a menor falta. Não estou perdido, não preciso de guia. Dialogo com meus pares (nesse caso, qualquer ser humano, independentemente de sua crença), tiro minhas conclusões e sigo em frente. E minha fé não é, em momento algum, impedimento para minha curiosidade.

Gabriel Lyra disse...
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Gabriel Lyra disse...
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Gabriel Lyra disse...
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Janos disse...

Convido vocês para conhecer o cristianismo puro e simples: https://sites.google.com/site/janosbirozero2/

Eduardo Das Trevas disse...

Não obrigado ...