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segunda-feira, março 01, 2010

Eu Sou o Amor!

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Na última quarta feira fui ao Martim Cererê assistir a mais um show que revisitou a Tropicália – coisa que só é “novidade” até hoje por culpa do timing esquisito do primeiro mundo. Dessa vez até eu participei do tributo de meio-de-semana, assinando uma espécie torta de roteiro; textos curtos recitados entre uma música e outra, que tentavam resumir uma história tão melhor contada nas canções propriamente ditas, mas que por culpa da cristalização dos estereótipos no tempo, “afastou”, por exemplo, a Gal Costa do movimento.


Grace Carvalho


E o mote da apresentação temática foi justamente a musa tropical dessa nossa versão carnavalizada do rock psicodélico, encarnada na voz poderosa da Grace Carvalho - cujo disco de estreia (que não mantém nenhuma conexão óbvia com o tropicalismo) deve chegar ao mercado em breve.


O público, que surgia lentamente e em contagem rarefeita, sustentou uma timidez comportada até, mais ou menos, o meio da apresentação, que correspondia à frieza da plateia com uma performance quase burocrática, apesar das gracinhas com que a cantora tentava disfarçar certo nervosismo. Porém, a partir de “Dê Um Rolê” (que na versão da Gal assume a guitarra como guia) palco e plateia entraram em sintonia, e até a sombria versão de Caetano Veloso para “Partido Alto”, do Chico Buarque, (que assume ares "sabbathianos") inspirou coreografias alegremente burlescas nas presenças mais entusiasmadas.


Mas me lembrei disso tudo justamente por que ouvi, durante o final de semana, o tal debut da Grace (que aguarda somente a masterização para se dar por finalizado), que interpreta a si própria em 9 das 10 faixas do disco, sobrepondo à sua trajetória de intérprete de samba (além de crooner de rock, à frente do Pedra 70), uma emergente carreira de compositora, sabiamente desatrelada de tradições engessadas. A única faixa não-autoral do álbum é “Navegador”, parceria dos irmãos Smooth e Brunaite – dupla de criação do extinto Vícios da Era.





Quando o disco estiver, de fato, pronto, devo voltar ao assunto. Mas a título de aperitivo para aqueles que estão acostumados ao repertório sambista clássico da cantora (ou mesmo às pirações do rock standard do Pedra 70), deixei aí em cima o videozinho que revela, entre um ensaio fotográfico e outro, a variação trip-hop que a Grace atribuiu à música dos irmãos Borba, finalmente deixando a potência vocal um pouco de lado e explorando seus registros mais delicados.








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